7 de janeiro de 2014

Vestibular 2014 Fuvest segunda fase :

Andrey Aranyshev
Considere o texto abaixo, para atender ao que se pede:
O orgulho é a consciência (certa ou errada) do nosso próprio mérito; a vaidade, a consciência (certa ou errada) da evidência do nosso próprio mérito para os outros. Um homem pode ser orgulhoso sem ser vaidoso, pode ser ambas as coisas, vaidoso e orgulhoso, pode ser – pois tal é a natureza humana – vaidoso sem ser orgulhoso. É difícil à primeira vista compreender como podemos ter consciência da evidência de nosso mérito para os outros, sem a consciência de nosso próprio mérito. Se a natureza humana fosse racional, não haveria explicação alguma. Contudo, o homem vive a princípio uma vida exterior, e mais tarde uma interior; a noção de efeito precede, na evolução da mente, a noção de causa interior desse mesmo efeito. O homem prefere ser exaltado por aquilo que não é, a ser tido em menor conta por aquilo que é. É a verdade em ação.
Fernando Pessoa, Da literatura europeia.
a) Considerando-a no contexto em que ocorre, explique a frase “o homem vive a princípio uma vida exterior, e mais tarde uma interior”.

b) Reescreva a frase “O homem prefere ser exaltado por aquilo que não é, a ser tido em menor conta por aquilo que é”, substituindo por sinônimos as expressões sublinhadas.
Respostas:
a) Segundo o raciocínio de Pessoa, o homem tem de início a sua atenção voltada para o exterior, para os outros; por isso, antes de considerar seu mérito em si mesmo, ele atenta para o efeito que tal mérito (real ou falso) tem nos outros, dele se envaidecendo. Apenas posteriormente, “na evolução da mente”, sua consciência se dirige para si mesmo, para a causa daquele efeito, a qual, existindo ou sendo suposta, geraria o orgulho. Daí que a vaidade venha antes do orgulho e que seja possível ser vaidoso sem ser orgulhoso.

b) Entre algumas possibilidades, encontra-se a seguinte: “O homem prefere ser glorificado por aquilo que não é, a ser desdenhado por aquilo que é”.

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