1 de janeiro de 2014

Versos de Fim de Ano

Aldemir Martins - Marinha
Você sabia que a lua
ainda não foi visitada?
Que há sempre uma lua nova
dentro de outra, e encantada?

É lá que vivem as graças
que nesta quadra do ano
a gente sonha e deseja
a todo gênero humano.

Mas a lua, preguiçosa,
nem sempre atende à pedida?
A gente pede assim mesmo,
até melhorar a vida.

É tempo de pesquisar no tempo
uma estrela nova, um sorriso;
de dizer à nuvem: sê escultura;
e à escultura: sê nuvem.

Tempo de desejar, tempo de pensar
madura e docemente o bom acontecer
(e mesmo não acontecendo fica desejado),
pássaro-mensageiro, traço
entre visa e esperança
como satélite no espaço.

Na volta da esperança
um princípio de vida:
ser outra vez criança
por toda, toda vida.

Nácar
Náiade
Napeia
Nardo
Nascente

Alba nítida
Alva ninfa
Alma nívea
Alta nuvem
Álacre nume
Ano novo.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

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