30 de setembro de 2013

Flora Nativa

Leon Kroll
Germinam as plantas
no coração da terra,
crescem os brotos
pela força do ar,
amadurecem os frutos
pelo poder do sol.

Assim germina a alma
no relicário do coração,
assim cresce o poder do espírito
na luz do mundo,
assim amadurece a força do homem
no fulgor de Deus.

Rudolf Steiner (1861-1925)

30 de Setembro – Dia de São Jerônimo

São Jerônimo (347 – 420), Doutor da Igreja
Giovanni Bellini - Saint Jerome
Nasceu na Dalmacia (Iugoslávia) no ano 342. São Jerônimo cujo nome significa "que tem um nome sagrado", consagrou toda sua vida ao estudo das Sagradas Escrituras e é considerado um dos melhores, se não o melhor, neste ofício.
Em Roma estudou latim sob a direção do mais famoso professor de seu tempo, Donato, que era pagão. O santo chegou a ser um grande latinista e muito bom conhecedor do grego e de outros idiomas, mas muito pouco conhecedor dos livros espirituais e religiosos. Passava horas e dias lendo e aprendendo de cor aos grandes autores latinos, Cicero, Virgilio, Horácio e Tácito, e aos autores gregos: Homero, e Platão, mas quase nunca dedicava tempo à leitura espiritual.
Jerônimo se dispôs ir ao deserto a fazer penitência por seus pecados (especialmente por sua sensualidade que era muito forte, por seu terrível mau gênio e seu grande orgulho). Mas lá embora rezava muito, jejuava, e passava noites sem dormir, não conseguiu a paz, descobrindo que sua missão não era viver na solidão.
De volta à cidade, os bispos da Itália junto com o Papa nomearam como Secretário a Santo Ambrósio, mas este adoeceu, e decidiu nomear a São Jerônimo, cargo que desempenhou com muita eficiência e sabedoria. Vendo seus extraordinários dotes e conhecimentos, o Papa São Dâmaso o nomeou como seu secretário, encarregado de redigir as cartas que o Pontífice enviava, e logo o designou para fazer a tradução da Bíblia. As traduções da Bíblia que existiam nesse tempo tinham muitas imperfeições de linguagem e várias imprecisões ou traduções não muito exatas. Jerônimo, que escrevia com grande elegância o latim, traduziu a este idioma toda a Bíblia, e essa tradução chamada "Vulgata" (ou tradução feita para o povo ou vulgo) foi a Bíblia oficial para a Igreja Católica durante 15 séculos.
Ao redor dos 40 anos, Jerônimo foi ordenado sacerdote. Mas seus altos cargos em Roma e a dureza com a qual corrigia certos defeitos da alta classe social lhe trouxeram invejas e sentindo-se incompreendido e até caluniado em Roma, onde não aceitavam seu modo enérgico de correção, dispôs afastar-se daí para sempre e se foi a Terra Santa.
Tintoretto - Saint Jerome
Seus últimos 35 anos os passou em uma gruta, junto à Cova de Presépio. Várias das ricas matronas romanas que ele tinha convertido com seus pregações e conselhos, venderam seus bens e se foram também a Presépio a seguir sob sua direção espiritual. Com o dinheiro dessas senhoras construiu naquela cidade um convento para homens e três para mulheres, e uma casa para atender aos que chegavam de todas partes do mundo a visitar o lugar onde nasceu Jesus.
Com tremenda energia escrevia contra os hereges que se atreviam a negar as verdades de nossa Santa religião. A Santa Igreja Católica reconheceu sempre a São Gerônimo como um homem eleito Por Deus para explicar e fazer entender melhor a Bíblia, por isso foi renomado Patrono de todos os que no mundo se dedicam a fazer entender e amar mais as Sagradas Escrituras.
Morreu em 30 de setembro do ano 420, aos 73 anos.

29 de setembro de 2013

Vivi, sofri, amei

John Reinhard Weguelin
Vivi. Quando cheguei, trazia os olhos cheios
da saudade de um céu que foi meu mundo antigo.
A vida me fez mal. E os homens por castigo,
odiaram-se. E eu também, porque eram maus, odiei-os.

Sofri. Tudo o que tive – ideais, sonhos, anseios –
naufragou numa pobre lágrima... E, comigo,
mais de um homem chorou, mais de um me disse: ("Amigo!")
A dor tornou-nos bons: perdoaram-me, perdoei-os.

Amei: vivi, sofri contigo. Em um segundo
resumimos a vida e, em nosso ninho, o mundo...
No entanto, a ti que amei, que o amor fez incapaz

de ódio – esse mal que é um bem, porque ele só perdoa -,
por mais que eu seja bom, por mais que sejas boa,
nunca te perdoarei, nunca me perdoarás!

Guilherme de Almeida (1860-1969)

Tinta Invisível

Georges Seurat
Para que tenha batismo
o dia precisa de tinta
uma pincelada de verniz
que o identifique e digam:
esse é o domingo
com o sol bem dividido
entre o futebol e a missa
com roupa engomada
e sapatos de verniz
matiné com mocinhos
dando tiro e meninas
que aguardam o filme
de amor entre suspiros

Quem passa essa mão
de camadas na superfície
e faz com que seja único
o dia assim revestido?
Algum decreto não dito
que desce na planície
vindo de um secreto
e remoto concílio?
E firma o trânsito livre
entre o terno e o pijama
com tardes infinitas
da infância batendo pino
antes da vida adulta

Vida à margem do rio
na cidade perdida
projetos de ventania
comunhão de trilhas
passeios vadios
no rosto ainda enxuto
e o tempo escrito
na embalagem de vidro
que cobre a memória
e verte convicto
cada letra do espírito
Imóveis pintamos
o caos recém nascido.

Nei Duclós

28 de setembro de 2013

Eólica

No calor da tarde
o vento, à busca de abrigo,
debruça a janela.

Delores Pires

Viajam as palavras

Edward Cucuel
Passageiros, formo como que um diagrama
entre o céu tremido e o jornal que a trepidação
do trem sacode
em minhas mãos.

A paisagem me vem oferecer seus buquês
roxos e cor de ouro
mas foge, arrependida.

Vistos, de longe, de passagem,
todos os rostos são amigos, são iguais.

Só que depois, em minha memória,
que estará rolando ainda esta paisagem
impressa em mim, à minha saudade
como um quadro à parede.

O possível desastre
faz cantar, como uma carretilha ao meu ouvido,
o pássaro do adeus.

O trem de ferro desloca o sentido das coisas.

Viajam as palavras.

Cassiano Ricardo (1895-1974)

Pus o meu sonho num navio

Carl Gustav Rodde
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

Cecília Meireles (1901-1964)

27 de setembro de 2013

Todo o amor é fantasia

Sandro Botticelli - Flora
“Todo o amor é fantasia
Ele inventa o ano, o dia,
A hora e a melodia;
Inventa o amante e, mais,
a amada. Não prova nada,
contra o amor, que a amada
não tenha existido jamais”.

Antonio Machado (1875-1939)

Maré baixa

Thomas Liddell Armitage
Maré baixa
Onde anda a onda
se a lua rotunda
se acende redonda

se espelha presiosa
na calma tao liza
da pele do mar?

Em que fenda sefindaessa onda?
Em que rede se enreda?
Em que sonda se afunda?
Onde ronda sua renda
de espuma tao fina
de puro luar?

Casimiro de Abreu (1839-1860)

O Vento

Vincent Van Gohg
O cipreste inclina-se em fina reverência
e as margaridas estremecem, sobressaltadas.

A grande amendoeira consente que balancem
suas largas folhas transparentes ao sol.

Misturam-se uns aos outros, rápidos e frágeis,
os longos fios da relva, lustrosos, lisos cílios verdes.

Frondes rendadas de acácias palpitam inquietantemente
com o mesmo tremor das samambaias
debruçadas nos vasos.

Fremem os bambus sem sossego,
num insistente ritmo breve.

O vento é o mesmo:
mas sua resposta é diferente, em cada folha.

Somente a árvore seca fica imóvel,
entre borboletas e pássaros.

Como a escada e as colunas de pedra,
ela pertence agora a outro reino.
Se movimento secou também, num desenho inerte.
Jaz perfeita, em sua escultura de cinza densa.

O vento que percorre o jardim
pode subir e descer por seus galhos inúmeros:

ela não responderá mais nada,
hirta e surda, naquele verde mundo sussurrante.

Cecília Meireles (1901-1964)

26 de setembro de 2013

Prefiro rosas, meu amor, à Pátria…

Sue Halstenberg
Prefiro rosas, meu amor, à pátria,
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.
Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.
Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre,
Se cada ano com a primavera
As folhas aparecem
E com o outono cessam?
E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?
Nada, salvo o desejo de indiferença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.

Ricardo Reis
Fernando Pessoa (1888-1935)

O que amamos está sempre longe de nós

Eugene de Blaas - A Pensive Moment
O que amamos está sempre longe de nós:
e longe mesmo do que amamos - que não sabe
de onde vem, aonde vai nosso impulso de amor.

O que amamos está como a flor na semente,
entendido com medo e inquietude, talvez
só para em nossa morte estar durando sempre.
Como as ervas do chão, como as ondas do mar,
os acasos se vão cumprindo e vão cessando.
Mas, sem acaso, o amor límpido e exato jaz.

Não necessita nada o que em si tudo ordena:
cuja tristeza unicamente pode ser
o equívoco do tempo, os jogos da cegueira
com setas negras na escuridão.

Cecília Meireles (1901-1964)

25 de setembro de 2013

Atenção:

Henri Rousseau
“A criação de uma ditadura é possível
a partir do momento em que
uma sociedade é incapaz de distinguir
o que é fato e o que é opinião”.

Hannah Arendt (1906-1975)

Natureza Íntima

Claude Monet
Cansada de observar-se na corrente
Que os acontecimentos refletia,
Reconcentrando-se em si mesma, um dia,
A Natureza olhou-se interiormente!

Baldada introspecção! Noumenalmente
O que Ela, em realidade, ainda sentia
Era a mesma imortal monotonia
De sua face externa indiferente!

E a Natureza disse com desgosto:
“Terei somente, porventura, rosto”?!
“Serei apenas mera crusta espessa”?!

“Pois é possível que Eu, causa do Mundo,
“Quanto mais em mim mesma me aprofundo,
Menos interiormente me conheça”?!

Augusto dos Anjos (1884-1914)

O Perdão e a Promessa

Sir John Lavery - Tarde no Marrocos
Se não fôssemos perdoados, eximidos das consequências daquilo que fizemos, a nossa capacidade de agir ficaria por assim dizer limitada a um único ato do qual jamais nos recuperaríamos; seríamos para sempre as vítimas das suas consequências, à semelhança do aprendiz de feiticeiro que não dispunha da fórmula mágica para desfazer o feitiço. Se não nos obrigássemos a cumprir as nossas promessas não seríamos capazes de conservar a nossa identidade; estaríamos condenados a errar desamparados e desnorteados nas trevas do coração de cada homem, enredados nas suas contradições e equívocos - trevas que só a luz derramada na esfera pública pela presença de outros que confirmam a identidade entre o que promete e o que cumpre poderia dissipar. Ambas as faculdades, portanto, dependem da pluralidade; na solidão e no isolamento, o perdão e a promessa não chegam a ter realidade: são no máximo um papel que a pessoa encena para si mesma.
Hannah Arendt (1906-1975),
in 'A Condição Humana.

24 de setembro de 2013

Apenas areia

Edward Cucuel
Sou o pó
E vou no vento
Através de rios
E montes
Vou no vento
E talvez eu pouse
Talvez encontre
O mel as areias
Do teu corpo
Trazidas pelo vento.

António Ramos Rosa
(17 de Outubro de 1924 - 23 de Setembro de 2013)

Primavera

Nathanael Schmitt
A primavera é a estação dos risos.
Deus fita o mundo com celeste afago,
Tremem as folhas e palpita o lago
Da brisa louca aos amorosos frisos.

Na primavera tudo é viço e gala,
Trinam as aves a canção de amores,
E doce e bela no tapiz das flores
Melhor perfume a violeta exala.

Na primavera tudo é riso e festa,
Brotam aromas do vergel florido,
E o ramo verde de manhã colhido
Enfeita a fronte da aldeã modesta.

A natureza se desperta rindo,
Um hino imenso a criação modula
Canta a calhandra, a juriti arrulha,
O mar é calmo porque o céu é lindo

Alegre e verde se balança o galho,
Suspira a fonte na linguagem meiga,
Murmura a brisa:- Como é linda a veiga!
Responde a rosa: - Como é doce o orvalho!
Virgilio Tojetti
Mas como às vezes sobre o céu sereno
Corre uma nuvem que a tormenta guia,
Também a lira alguma vez sombria
Solta gemendo de amargura um treno.

São flores murchas:- o jasmim fenece,
Mas bafejado se erguerá de novo
Bem como o galho do gentil renovo
Durante a noite quando o orvalho desce.

Se um canto amargo de ironia cheio
Treme nos lábios do cantor mancebo,
Em breve a virgem do seu casto enlevo
Dá-lhe um sorriso e lhe intumesce o seio.

Na primavera - na manhã da vida-
Deus às tristezas o sorriso enlaça,
E a tempestade se dissipa e passa
A voz mimosa da mulher querida.

Na mocidade, na estação fogosa,
Ama-se a vida- a mocidade é crença,
E a alma virgem nesta festa imensa,
Canta, palpita, extasia e goza.

Casimiro de Abreu (1839-1860)

As Coisas Efêmeras são as Mais Necessárias

Vincent van Gogh
Das coisas tangíveis, as menos duráveis são as necessárias ao próprio processo da vida. O seu consumo mal sobrevive ao ato da sua produção; no dizer de Locke, todas essas «boas coisas» que são «realmente úteis à vida do homem», à «necessidade de subsistir», são «geralmente de curta duração, de tal modo que - se não forem consumidas pelo uso - se deteriorarão e perecerão por si mesmas».
Após breve permanência neste mundo, retomam ao processo natural que as produziu, seja através de absorção no processo vital do animal humano, seja através da decomposição; e, sob a forma que lhes dá o homem, através da qual adquirem um lugar efêmero no mundo das coisas feitas pelas mãos do homem, desaparecem mais rapidamente que qualquer outra parcela do mundo.
Hannah Arendt (1906-1975),
in 'A Condição Humana.

23 de setembro de 2013

Diálogo

Jerome Thompson
Minhas palavras são a metade de um diálogo
obscuro continuando através de séculos impossíveis.

Agora compreendo o sentido e a ressonância
que também trazes de tão longe em tua voz.

Nossas perguntas e resposta se reconhecem
como os olhos dentro dos espelhos.

Olhos que choraram.
Conversamos dos dois extremos da noite,
como de praias opostas.
Mas com uma voz que não se importa...

E um mar de estrelas se balança
entre o meu pensamento e o teu.
Mas um mar sem viagens.

Cecília Meireles (1901-1964)

Quero saber

Van Gohg
Quero saber se você vem comigo
a não andar e não falar,
quero saber se ao fim alcançaremos
a incomunicação; por fim
ir com alguém a ver o ar puro,
a luz listrada do mar de cada dia
ou um objeto terrestre
e não ter nada que trocar
por fim, não introduzir mercadorias
como o faziam os colonizadores
trocando baralhinhos por silêncio.
Pago eu aqui por teu silêncio.
De acordo, eu te dou o meu
com uma condição: não nos compreender.

Pablo Neruda (1904-1973)
40 anos sem Pablo Neruda que foi morto pela Ditadura de Pinochet

Amém

Irina Kotova
Que a morte te acolha
com todos os teus sonhos intactos.
No regresso de uma furiosa adolescência,
no começo das férias que nunca te deram,
distinguir-te-á a morte com um primeiro aviso.
Abrir-te-á os olhos para as suas grandes águas,
iniciar-te-á na sua constante brisa de outro mundo.
A morte confundir-se-á com os teus sonhos
e neles reconhecerá os signos
que outrora fora deixando,
como um caçador que no seu regresso
reconhece as suas marcas na fenda.

Álvaro Mutis (1923-2013)
Tradução: Nuno Júdice

22 de setembro de 2013

Canção de Primavera

Conrad Kiesel
Eu, dar flor, já não dou. Mas vós, ó flores,
Pois que Maio chegou,
Revesti-o de clâmides de cores!
Que eu, dar, flor, já não dou.

Eu, cantar, já não canto. Mas vós, aves,
Acordai desse azul, calado há tanto,
As infinitas naves!
Que eu, cantar, já não canto.

Eu, Invernos e Outonos recalcados
Regelaram meu ser neste arrepio…
Aquece tu, ó sol, jardins e prados!
Que eu, é de mim o frio.

Eu, Maio, já não tenho. Mas tu, Maio,
Vem com tua paixão,
Prostrar a terra em cálido desmaio!
Que eu, ter Maio, já não.

Que eu, dar flor, já não dou; cantar, não canto;
Ter sol, não tenho; e amar…
Mas, se não amo,
Como é que, Maio em flor, te chamo tanto,
E não por mim assim te chamo?

José Régio (1901-1969)

Haikai

Paul Klee
Fuga de formigas
por fendas em trilhas ao sol,
louco incendiário.

José Antônio Cavalcanti

A Armadura

A. Zoffoli
A antiga fé, que ao gesto te obrigava
e te animou para a aventura e a guerra:
era do corpo, que tornou à terra?
ou da alma que esse corpo alimentava?

Se era a do corpo, a tua lei — descansa:
deixa minar-te aos poucos a ferrugem,
deixa que as plumas e o metal se sujem
ao pó que no ar do mostruário dança.

Porém se a carne era somente o engaste
dessa vontade que vestiste um dia
com tanto brilho, tanta galhardia,

que esperas ainda para, num violento
gesto, voltar à vida que deixaste?
Já a tua inércia é um acontecimento.

Geir Campos (1924-1999)