30 de junho de 2013

Caminha e Repara

Sue Bishop
No mundo o mesmo segundo
que junta separa.
A sombra da amendoeira
varre o chão de sol e poeira.

Adriano Espínola

Por um bom motivo

Charles Spencelayh
Eu cresci como filho
De gente abastada. Meus pais
Me colocaram um colarinho, e me educaram
No hábito de ser servido
E me ensinaram a dar ordens. Mas quando
Já crescido, olhei em torno de mim
Não me agradaram as pessoas da minha classe e me juntei
À gente pequena.
Assim
Eles criaram um traidor, ensinaram-lhe
Suas artes, e ele
Denuncia-os ao inimigo.
Sim, eu conto seus segredos. Fico
Entre o povo e explico
Como eles trapaceiam, e digo o que virá, pois
Estou instruído em seus planos.
O latim de seus clérigos corruptos
Traduzo palavra por palavra em linguagem comum,
Então
Ele se revela uma farsa. Tomo
A balança da sua justiça e mostro
Os pesos falsos. E os seus informantes relatam
Que me encontro entre os despossuídos, quando
Tramam a revolta.
Eles me advertiram e me tomaram
O que ganhei com meu trabalho. E quando me corrigi
Eles foram me caçar, mas
Em minha casa
Encontraram apenas escritos que expunham
Suas tramas contra o povo. Então
Enviaram uma ordem de prisão
Acusando-me de ter ideias baixas, isto é
As ideias da gente baixa.
Aonde vou sou marcado
Aos olhos dos possuidores.
Mas os despossuídos
Leem a ordem de prisão
E me oferecem abrigo. Você, dizem
Foi expulso por bom motivo.

Bertolt Brecht(1898-1956)

29 de junho de 2013

Passagem pelo Planalto Central

Joseph Maxwell
O comboio passa pelo Planalto Central
onde o milho amadurecido
adopta todos os raios de sol

Ano após ano
o milho deita-se como sementes
e levanta-se como cereais
Tal como eu, ri com a boca aberta
e repleta de dentes amarelos
mas nenhum deles é de ouro.

Yao Feng

A dor, deserto imenso

Thomas Brooks
A dor, deserto imenso,
Branco deserto imenso,
Resplandecente e imenso,
Foi um deslumbramento,
Todo o meu ser supremo,
Não sinto já, não penso,
Pairo na luz, suspenso
Num doce esvaimento.

Camilo Pessanha (1867-1926)

Mistura

Jawid Altaf (Afeganistão, contemporâneo)
Leitor, se amas o campo e a natureza,
Se és bucólico e rude,
E na tua rudeza
Só respeitas a força e a saúde;
Se às convenções da sociedade opões
O desdém pelas normas e preceitos,
Que trazem pelo mundo contrafeitos
Cérebros e corações;
Se detestas o luxo e se preferes,
Francamente, às senhoras as mulheres,
E tens, como um pagão da velha Esparta,
Pulso rijo, alma ingénua e pança farta;
Se és algo panteísta e tens bem vivo
Esse afagado ideal
Do retrocesso ao homem primitivo,
Que nos tempos pré-históricos vivia
Muito perto do lobo e do chacal;
Se um ligeiro perfume de poesia
Que se ergue das campinas
Na paz, no encanto das manhãs tranquilas,
Te dilata as narinas
E enche de gozo as húmidas pupilas,
Leitor amigo, se assim és, vou dar-te
“Se a tanto me ajudar engenho e arte”
Uma antiga receita,
Que os rústicos instintos te deleita
E frémitos te põe na grenha hirsuta.
Leitor amigo, escuta:

Vai, como o padre-cura, cabisbaixo
Pelos vergéis da tua horta abaixo
Quando no mês de Abril, de manhã cedo,
O sol cai sobre as franças do arvoredo,
Para sorver aqueles bons orvalhos
Chorados pelos olhos das estrelas
Nos corações dos galhos;
Passarás pelas couves repolhudas - Cuidado não te iludas,
Nem te importes com elas!
Vai andando...
Mas logo que tu passes
Ao campo das alfaces,
Para, leitor amigo,
E faz o que te digo:
Escolhe dentre todas a mais bela,
Folhas finas, tenrinhas e viçosas
Como as folhas das rosas,
E enchendo uma gamela
De água pura e corrente,
Lava-a, refresca-a cuidadosamente.
Logo em seguida (e é o principal)
Que a tua mão, sem hesitar, lhe deite
Um fiozinho de azeite,
Vinagre forte e sal,
E ouvindo em roda o lúbrico sussurro
Da vida ansiosa a propagar-se, que erra
Em vibrações no ar,
Atira-te de bruços sobre a terra
E come-a devagar,
Filosoficamente, como um burro!

Conde de Monsaraz (1852-1913)
António de Macedo Papança

28 de junho de 2013

Noite Branca

Erin Clark
Tudo estava escuro no meu coração,
nada se via, nada se ouvia,
como se uma venda preta
me vendasse os olhos.
Quis a luz, luz para sempre.
Contei o que sentia para uma poetisa da Europa.
E ela me disse: no meu país, quase sempre frio,
muitas pessoas
ou ficam loucas, ou se suicidam,
devido à luz demasiado prolongada.

Yao Feng

Posições distintas:

Granger- Manuscript Illumination
Os textos abaixo apresentam concepções filosóficas distintas sobre o lugar do ser humano no universo.
Reflita e veja em qual você se encaixa.

“O ser humano é a flor do céu que desabrochou na Terra. Sua semente foi plantada por Deus, sua bela imagem foi projetada por Deus e seu perfume agradável foi também presenteado por Deus. Não devemos perder essa bela imagem nem o agradável perfume. Nosso belo desabrochar é a manifestação da glória de Deus”.
Seicho-No-Ie do Brasil. Palavras de Luz. 2013

“Em algum remoto rincão do universo cintilante que se derrama em um sem-número de sistemas solares, havia uma vez um astro, onde animais inteligentes inventaram o conhecimento. Foi o minuto mais soberbo e mais mentiroso da "história universal": mas também foi apenas um minuto. Depois de alguns suspiros da natureza, o planeta congelou-se e os animais inteligentes tiveram de morrer. – Assim poderia alguém inventar uma fábula e nem por isso teria ilustrado suficientemente quão lamentável, quão fantasmagórico e fugaz, quão sem finalidade e gratuito fica o intelecto humano dentro da natureza. Houve eternidades em que ele não estava: quando de novo ele tiver passado, nada terá acontecido”.
Friedrich Nietzsche.
Sobre a Verdade e a Mentira no Sentido Extramoral. Adaptado

27 de junho de 2013

Abre-te boca

Marccelus War
Abre-te e proclama
Em plena praça da Sé,
O horror que o Nazismo infame
É.

Abre-te boca e certeira,
Sem piedade por ninguém,
Conta os crimes que o estrangeiro
Tem.

Mas exalta as nossas rosas,
Esta primavera louca,
Os tico-ticos mimosos,
Cala-te boca.

Mário de Andrade (1893 -1945)
Edward Cucuel
“… Sei agora que os perfeitos são uma superfície lisa por onde escorregamos e caímos, uma superfície onde o nosso corpo se não amarra. Demorei a perceber que há uma poesia na imperfeição, porque há curvas e recurvas, altos e baixos, âncoras a que me agarro, arribas onde me engancho. Só é possível estar com alguém quando as nossas imperfeições se encaixam, quando esse atrito nos prende ...”
João Morgado

Panorama visto da ponte

William Fraser Garden
Azulejos retorcidos pelo tempo
Fazem paisagem agora no abandono
A que eu mesmo releguei um mal distante.
Faz muito tempo e a paisagem é a mesma
Não muda nunca – sempre indiferente
A céus que rolem ou infernos que se ergam.
Alguns vitrais. E em cinerama elástico
O mesmo campo, o mesmo amontoado
Das lembranças que não querem virar cinzas.
Três lampiões. As cores verde e rosa
A brisa dos amores esquecidos
E a pantera, muito negra, das paixões.
Não passa um rio enlameado e doce
Nem relva fresca encobre a terra dura.
É só calor e ferro e fogo e brasa
Que insistem como cobras enroladas
Nos grossos troncos, medievais, das árvores.
Uma eterna camada de silêncio
E o sol cuspindo chumbo derretido.
O céu é azul – e como não seria?
mas tão distante, tão longínquo e azul…

Torquato Neto (1944-1972)

26 de junho de 2013

À Manhã

Leon Augustin L'Hermitte
Ó sagrada virgem, de alvura adornada.
Abre os dourados umbrais do céu e sai,
Desperta a aurora inebriada no azul,
deixa a luz emergir de sua morada no leste
e esparge o suave orvalho que vem com o novo dia.
Ó luminosa manhã, saúda o sol
que qual um caçador cedo se levanta
e se alça sobre nossas colinas.
Escuta o beija-flor, que a canção da primavera entoa
e a suave cotovia, no terno ramo pousada
que na aurora sibilante surge sobre os ondulantes trigais
regendo os refulgentes corais do sol,
trina, trina, trina,
deslizando nas asas da luz,
Escoando através do azul imenso
da concha celestial.

William Blake (1757-1827)
Trad: Alberto Marsicano

Canção da árvore

Ilustração Mary Blair
A árvore é flor, sombra na estrada,
fruto que a sede nos mitiga.
A árvore é dádiva sagrada:
— dá-nos ao lar, multiplicada,
o leito… a mesa… a porta… a viga!

A árvore é paz, graça e doçura:
simplicidade, amor, perdão!
Mostra a esperança, na verdura
de cada galho, e a dor obscura
deixa escondida sob o chão.

O ar purifica, ampara os ninhos:
e sem vaidade, silenciosa,
rica de bênçãos e carinhos,
é, para nós e os passarinhos,
a criatura mais piedosa.

A árvore é flor, sombra na estrada,
fruto que a sede nos mitiga.
A árvore é dádiva sagrada:
— dá-nos ao lar, multiplicada,
o leito… a mesa… a porta… a viga!

Correa Júnior

Os livros

Christian Schloe
Apetece chamar-lhes irmãos,
tê-los ao colo,
afaga-los com as mãos,
abri-los de par em par,
ver o Pinóquio a rir
e o D. Quixote a sonhar,
e a Alice do outro lado
do espelho a inventar
um mundo de assombros
que dá gosto visitar.

Apetece chamar-lhes irmãos
e deixar brilhar os olhos
nas páginas das suas mãos.

José Jorge Letria

25 de junho de 2013

Lassa

Stefan Szczesny
Tesão — força que move a vida.
Na plenitude, é felicidade pura.
Na carência, é dor que dói.

Ó gozo de ver, admirar, acariciando.
Ò gozo de abraçar, beijar, bolinando
Ó supremo gozo de meter, possuir, penetrando,
na divina convulsão rítmica do coito.

Ficar lá dentro abismado, apertado.
Sentindo o grelo tremer de gozo.
O sacro canal melar, enlanguescer.
Vendo você se aquietar, lassa.
Tudo, afinal, uma tremura arrepiada.

Darcy Ribeiro (1922-1997)

Bioética

O biopoder, sem a menor duvida, foi elemento indispensável ao desenvolvimento do capitalismo, que só pode ser garantido à custa da inserção controlada dos corpos no aparelho de produção e por meio de um ajustamento dos fenômenos de população aos processos econômicos. Para o biopoder, que tem a tarefa de se encarregar da vida, sua necessidade de mecanismos contínuos, reguladores e corretivos exige distribuir os vivos em um domínio de valor e utilidade. Um poder dessa natureza tem de qualificar, medir, avaliar, hierarquizar. Uma sociedade normalizadora é o efeito histórico de uma tecnologia de poder centrada na vida.
Michel Foucault
História da sexualidade, vol. I, 1998. Adaptado

Uma pesquisa anunciada recentemente na Suíça revelou que, com um simples exame de sangue, será possível detectar a Síndrome de Down no feto. O aval ao novo teste pré-natal foi dado recentemente pela Agencia Nacional de Produtos Terapêuticos da Suíça, em meio à controvérsia de que o exame poderia levar a um aumento no numero de abortos. Os testes estarão disponíveis no mercado ainda este mês. Apesar de a legislação de países europeus como a Espanha, Itália e a Alemanha garantir autonomia à mulher na escolha sobre o aborto, o tema não passou isento da discussão. A Federação Internacional de Síndrome de Down, que reúne 30 associações de 16 países, entrou com uma representação na Corte Europeia de Direitos Humanos pedindo proibição do teste.
(http//zerohora.clicrbs.com.br. 22/08/2012. Adaptado)

Trata-se de bioética. A bioética hoje questiona as experiências e as questões biomédicas relacionadas à questão do aborto, da clonagem, dos transgênicos e da eutanásia. As ações humanas trazem consequências sobre as pessoas e seu ambiente, o que implica reconhecer valores e uma avaliação de como estes poderão ser afetados. O primeiro desses valores é o próprio ser humano, com as peculiaridades que são inerentes a sua natureza,. Inclusive suas necessidades materiais, psíquicas e espirituais. O risco de se ignorar tais implicações é o de reduzir a pessoa à condição de coisa, retirando dela sua dignidade. A criação e aplicação de tecnologia e qualquer atividade no campo da ciência deve prever e avaliar consequências éticas, sociais e morais.
Foucault usou o termo biopoder para designar a pratica dos Estados modernos e a regulação sobre os que lhe estão sujeitos por meio de "uma explosão de técnicas numerosas e diversas para obter a subjugação dos corpos e o controle de populações". Justamente, o termo criado por Foucault tem sido usado em pesquisas acerca do desenvolvimento da biomedicina e da saúde pública. Assim, a bioética tem o grande desafio de colocar a questão da eugenia, assim como a clonagem humana. O maior questionamento em torno da clonagem humana passa pela ideia da eugenia. Foi dessa ideia que moveu Adolf Hitler a levar a nação inteira a odiar judeus, por exemplo, pregando a purificação da raça humana.

24 de junho de 2013

Toca Suavemente

Arthur Hughes
Ah, toca suavemente
Como a quem vai chorar
Qualquer canção tecida
De artifício e de luar —
Nada que faça lembrar
A vida.

Prelúdio de cortesias,
Ou sorriso que passou...
Jardim longínquo e frio...
E na alma de quem o achou
Só o eco absurdo do voo
Vazio.

Fernando Pessoa (1888-1935)

Amares

Jacques Clément Wagrez
Se me tens no contraído corpo
tenso
pretensa hora da chegada
a escravidão
a escuridão
no desencontro tido
pérfido espírito
o que espiona
espia
soslaio arranhado
nos teus olhos

imensamente perdidos em torrentes
tu és noite e mar em fúria
telúrico sentimento sobreposto
ao mistério do que tens: a mim
em subterfúgio e esdrúxulo corpo
despido em festa, tu és a floresta.

Pedro Du Bois

Palavras

Edgar Degas
Ásperas
ditas como ordens
assustadas
macias
ditas como esperas
controladas
raivosas
ditas como verdades
escancaradas
melífluas
ditas como mentiras
dissimuladas
rezadas
ditas como saudades
santificadas
cantadas
ditas como músicas
silenciadas
caladas
ditas como lembranças
extremadas.

Pedro Du Bois

23 de junho de 2013

Discurso

Théo van Rysselberghe
Estéril discurso
onde a promessa

esvoaça

plumas idealizadas
das asas do anjo

sem sexo.

Pedro Du Bois

Poética ( II )

Svetlana Valueva
Com as lágrimas do tempo
e a cal do meu dia
eu fiz o cimento
da minha poesia.

e na perspectiva
da vida futura
ergui em carne viva
sua arquitetura.

não sei bem se é casa
se é torre ou se é templo
(um templo sem Deus).

mas é grande e clara
pertence a seu tempo
- entrai, irmão meus!

Vinícius de Moraes (1913-1980)

Esta vida

Jacopo Bassano
Um sábio me dizia: esta existência,
não vale a angústia de viver. A ciência,
se fôssemos eternos, num transporte
de desespero inventaria a morte.
Uma célula orgânica aparece
no infinito do tempo. E vibra e cresce
e se desdobra e estala num segundo.
Homem, eis o que somos neste mundo.

Assim falou-me o sábio e eu comecei a ver
dentro da própria morte, o encanto de morrer.

Um monge me dizia: ó mocidade,
és relâmpago ao pé da eternidade!
Pensa: o tempo anda sempre e não repousa;
esta vida não vale grande coisa.
Uma mulher que chora, um berço a um canto;
o riso, às vezes, quase sempre, um pranto.
Depois o mundo, a luta que intimida,
quadro círios acesos : eis a vida

Isto me disse o monge e eu continuei a ver
dentro da própria morte, o encanto de morrer.

Um pobre me dizia: para o pobre
a vida, é o pão e o andrajo vil que o cobre.
Deus, eu não creio nesta fantasia.
Deus me deu fome e sede a cada dia
mas nunca me deu pão, nem me deu água.
Deu-me a vergonha, a infâmia, a mágoa
de andar de porta em porta, esfarrapado.
Deu-me esta vida: um pão envenenado.

Assim falou-me o pobre e eu continuei a ver,
dentro da própria morte, o encanto de morrer.

Uma mulher me disse: vem comigo!
Fecha os olhos e sonha, meu amigo.
Sonha um lar, uma doce companheira
que queiras muito e que também te queira.
No telhado, um penacho de fumaça.
Cortinas muito brancas na vidraça
Um canário que canta na gaiola.
Que linda a vida lá por dentro rola!

Pela primeira vez eu comecei a ver,
dentro da própria vida, o encanto de viver.

Guilherme de Almeida (1860-1969)

22 de junho de 2013

Haikai

Hans Andersen Brendekilde
Agora é inverno
e no mundo uma só cor;
o som do vento.

Matsuo Bashô (1644-1694)
Friedrich von Amerling
Não escrevo
para catar as horas
na máquina de
escrever.

Escrevo para catar
meus fantasmas
e esculpir
meus anjos.

Carlos Damião

O choro da menina

Sir Edward Burne-Jones
Onde está meu quintal
amarelo e encarnado,
com meninos brincando
de chicote-queimado,
com cigarras nos troncos
e formigas no chão,
e muitas conchas brancas
dentro da minha mão?

E Júlia e Maria
e Amélia onde estão?

Onde está meu anel
e o banquinho quadrado
e o sabiá na mangueira
e o gato no telhado?

- a moringa de barro,
e o cheiro do alvo pão?
E a tua voz, Pedrina,
sobre meu coração?
Em que altos balanços
se balançarão?...

Cecília Meireles (1901-1964)

21 de junho de 2013

Haikai

Anthony Micheal Poynton
árvore curva
o voo do corvo
inverno.

Matsuo Bashô (1644-1694)

Este é o inverno

Josephine Wall
Um frio de leve
vem pra ficar.
A brisa suave
faz a árvore balançar.
O vento sopra
assobiando.
O céu escuro
vai ficando.
As nuvens passam
de mansinho.
A chuva chega devagarinho.
As pessoas correm
abrindo guarda-chuvas.
Vi um homem de casaco
e uma mulher de luvas.
É esse o inverno
sorrateiro.
Vem chegando
e nem avisa primeiro.

Clarice Pacheco