9 de dezembro de 2013

Junin

Sou, mas sou também o outro, o morto,
o outro do meu sangue e do meu nome;
sou um vago senhor e sou o homem
que interceptou as lanças do deserto.
Volto a Junin, vô Borges. Tu me escutas,
sombra ou cinza final, ou desescutas
em teu sonho de bronze esta voz torra?
Talvez procures com meus olhos vãos
o Junin épico dos teus soldados,
a árvore plantada, os teus roçados,
e no confim a tribo e os despojos.
Te imagino severo, um pouco triste.
Quem me dirá como eras e quem foste?

Jorge Luis Borges (1899-1986)
Tradução: Heloisa Jahn

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