26 de novembro de 2013

Papoula

Steve Wynne
O verão pousou os lábios no seio nu da terra
E deixou ali sua marca rubra sobre uma papoula:
Como um bocejo de fogo, da grama ela emergiu,
E o vento brando inflou-a em aberta chama.

Com a boca vermelha ardente ela bebeu
O sangue do sol que, abatido, tombava,
E mergulhou sua taça no brilho purpuro
Quando os condutos do leste carregavam-se de vinho.

Até que ficou letárgica com a atordoante euforia
E quente como uma cigana exaurida.
E cochilou em sonolentos êxtases,
Com a boca entreaberta para um beijo sensual.

Uma criança e um homem caminhavam lado a lado,
Percorrendo as orlas do entardecer;
Mas entre as mãos unidas dele e dela
Repousavam, mesmo não sentidos, vinte ressequidos anos.

Francis Thompson (1859-1907)

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