4 de novembro de 2013

A beleza

John Falter
Aquela que arruína o ser, a beleza,
Será supliciada, posta na roda,
Desonrada, dita culpada, feita sangue
E grito, e noite, de toda alegria despossuída,
– Oh dilacerada em todas as grades de antes da alvorada,
Oh pisoteada em toda estrada e atravessada,
Nosso alto desespero será que tu vivas,
Nosso coração que sofras, nossa voz
Humilhar-te entre tuas lágrimas, chamar-te
A mentirosa, a provedora do céu negro,
Nosso desejo, no entanto sendo teu corpo infirme,
Nossa pena esse coração que leva a toda lama.

Yves Bonnefoy
Tradução: Luís da Costa

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