16 de outubro de 2013

Do Sonho e do Sofrimento

James McNeill Whistler
Porque há de ser o sonho tão breve,
Durar tão pouco, meu amor?
O sonho tem o efêmero sabor
Da frase que se pensa e não se escreve.

Passa, mas deixa como um cofre
Antigo, de metal lavrado,
Um pouco do perfume do Passado
E um resto de infortúnio de quem sofre.

Passa, mas sempre fica a flama
De uma saudade benfazeja:
Perfume do pescoço que se beija,
Sombra do corpo da mulher que se ama.

Depois, no fundo da alma doida,
É que sentimos para nós crescer
Essa imensa vontade de morrer
E esse indiferentismo pela vida...

Olegário Mariano (1889-1958)

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