9 de setembro de 2013

Poesia

Charles Courtney Curran
Materialmente te descubro,
abstratamente te imagino.
Te dobro sem mais nada, te inscrevo em meu corpo
com o sangue absorto dos antigos colibris.
Te desço da montanha com uma flor imaculada na mão
longe das trêmulas e incansáveis expressões
— violento terremoto do ser —
te sorvo do rio que leva a ânsia do lótus
por despedaçar-se falicamente nos arados da terra,
volto a te encontrar
ao sol nos hemisférios de meus terríveis paralelos
descobrindo-te inteira
e penetrando livremente
em tua vasta e impoluta geografia.

Em ti foi uma vila, uma vela apagada por teus estéreis sopros
a vida que me conjugou e soube ser a réstia de luz
enquanto a lua mordia maçãs
e o rio capturava queijos em seu centro.
Caminhos de formiga te vi correr nas horas da sesta,
povoando minha chave com o pólen de tuas portas;
calcando meu destino
em sua selva coroada de sêmen, de vinhos e de ervas.

Javier Alvarado
Tradução: Antonio Miranda

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