3 de setembro de 2013

Árvore dos Desejos

Sylvia Sotuyo
Recordei-a como a árvore dos desejos que morreu
E vi-a subir, inteira, até ao céu,
Deixando um rasto de tudo o que se cravara

Por cada carência, uma e outra vez, na têmpera
Da sua casca e sâmago: moeda, alfinete e prego
Desfraldaram dela como uma cauda de cometa

Recém-cunhada e dissolvida. Tive uma visão
De uma ramada aérea atravessando húmidas nuvens,
De rostos erguidos, onde a árvore estivera.

Seamus Heaney (1939-2013)
Tradução: Rui Carvalho Homem

sâmago: é a parte externa, mais nova e funcional, da madeira em plantas lenhosas.

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