8 de agosto de 2013

Sem causa...

Sally Swatland
Sem causa a Infância ri, sem causa chora:
Incauta se despenha a mocidade;
Sacode o jugo, e nela a liberdade,
A caça, o jogo, o amor, tudo a namora.

Das honras o varão se condecora;
Tudo é nele ilusão, tudo vaidade:
Junta Tesouros a avarenta idade;
Diz mal do nosso, e ao tempo andando adora.

Tormento é toda a vida, é toda enganos:
Quando uns afetos vence a novos corre,
E tarde reconhece os próprios danos:

Porque enfim se a prudência nos socorre,
Ditada na lição de longos anos,
Quando se sabe, então é que se morre.

Paulino António Cabral (1719-1789)

Nenhum comentário: