13 de agosto de 2013

Correm velozes os ventos

Ferdinand Hodler
Correm velozes os ventos
atrás da sombra dos homens, dos rebanhos
que atravessam os campos devassados
numa ordem silenciosa e peregrina
em busca de outras pastagens, outras paragens.

Ontem foi a tempestade. Amanhã será
a boda dos amantes. Um dia, em repente
de tragédia será a maré grave dos temores,
a prostração da febre que vem dos pântanos
e alucina os camponeses fazendo o que
nenhum vinho ou mágoa foi capaz de fazer.

A morte ronda a cama da velhice
derramando os odores de cera
das velas queimadas em imensas vigílias.

Voltam os ventos com o pólen, com o rumor
das bocas que pronunciaram só metade
dos segredos que o outono diz à terra.

José Jorge Letria

Nenhum comentário: