2 de agosto de 2013

À Escuta

Dipak Kundu
Um som tão doce, um alento tão novo
passa através do dia acinzentado
qual tímido aroma de primavera,
qual adejar de pássaro assustado.

Das horas matinais da vida sopram
reminiscências
a tremer e passar
como aguaceiros de prata no mar.

De hoje para ontem tudo me parece
distante, e próximo do já esquecido:
com seus contos de fadas, para mim
o passado abre-se como um jardim.

Talvez agora acorde meu avô,
transcorridos mil anos de repouso,
e agora fale com a minha voz
e busque no meu sangue algum calor.

Talvez lá fora esteja um mensageiro
chegando cada vez mais junto a mim:
talvez eu me veja de novo em casa
ainda antes que este dia chegue ao fim.

Hermann Hesse (1877-1962)
Tradução: Geir Campos

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