29 de julho de 2013

Soneto CXLV

Nadia Alamri
Quando se vir com água o fogo arder
e misturar com dia a noite escura,
e a terra se vir naquela altura
em que se veem os Céus prevalecer;

O Amor por Razão mandado ser,
e a todos ser igual nossa ventura,
com tal mudança, vossa formosura
então a poderei deixar de ver.

Porém não sendo vista esta mudança
no mundo (como claro está não ver-se),
não se espere de mim deixar de ver-vos.

Que basta estar em vós minha esperança,
o ganho de minh' alma e o perder-se,
para não deixar nunca de querer-vos.

Luís Vaz de Camões (1524-1589)

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