11 de julho de 2013

O carroção de feno

Jules Breton
Nenhuma estrela no céu
e poucas árvores na terra
esquecida a doce língua materna
(quem se lembra em mim?)

Taciturnos pensadores de queixo alteado
olham a ceifa do mundo
com advertências tardias e letras vencidas
dos senhores do dia.
Prosperam ratos. E a alegria?
Raptada ou foragida foi levada ou foi-se
por sonho
ou enfado.

Passa um carroção puxado a cavalos:
ontem? hoje? amanhã? quando?
O Poder passa decrépito escarrando
os últimos decretos
à rosa do amanhã.

Dora Ferreira da Silva (1918-2006)

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