14 de julho de 2013

Campinas, 239 anos de muita História

Praça Bento Quirino, Ontem e Hoje - Campinas
Diversidade étnica, produtividade e modernismo: saiba como se desenvolveu o maior polo tecnológico da América Latina.
Campinas, cidade formada originalmente de um pouso nas trilhas da Estrada dos Goiases, carrega em sua história uma longa trajetória de abastecimento e produção de açúcar e café, atividades que somadas à indústria, serviços e geração de tecnologia, permitiram à cidade desempenhar um papel estratégico no desenvolvimento de uma ampla região do Estado.
Sua diversidade étnica, produtiva e tecnológica, presente em um variado leque de atrativos turísticos, urbanos e rurais, permitem-nos descobrir um intenso e rico território cultural, em permanente transformação.
A área em que hoje se acha instalada a cidade de Campinas surgiu como um bairro rural da Vila de Jundiaí. Território ocupado por matas fechadas e campos, foi com a abertura da Estrada dos Goiases, em 1722, que se formou um núcleo mais adensado de povoamento, constituído por um pouso de tropeiros, pelas primeiras sesmarias e por um número progressivo de lavouras de subsistência. O crescimento do comércio, somado à presença de terras férteis promoveu, no final do século XVIII, a instalação de engenhos de açúcar e lavouras de cana transformando-se o antigo bairro rural em freguesia de Nossa Senhora da Conceição (1774) e, em poucas décadas, na Vila de São Carlos (1797).
Caracterizada pela produção açucareira e pelas atividades de comércio, a Vila de São Carlos viu-se transformar na cidade de Campinas (1842) na proporção em que os cafezais substituíram as lavouras de cana, ampliando-se a riqueza do município com o crescimento e complexificação da economia cafeeira.
Conhecida como “princesa do oeste” em alusão à marcha cafeeira pela porção oeste da Província de São Paulo, a cidade de Campinas experimentou uma importante modernização entre as últimas décadas do século XIX e as primeiras décadas do século XX, constituindo-se nesta ocasião as bases infraestruturas do município nos campos de energia, saneamento, transporte, comunicações, saúde pública, indústria e educação.
Com a crise da economia cafeeira, no curso dos anos 1930, Campinas assumiu uma fisionomia mais industrial e de serviços, procurando conferir às estruturas herdadas do passado, novas perspectivas e caminhos de desenvolvimento. No plano econômico, a cidade buscou aliar a abertura/ampliação de novas frentes agroindustriais às tradições centenárias de comércio e serviços, somando-se no curso dos anos 1960, novos centros de educação, pesquisa e tecnologia, entre eles, a Universidade Estadual de Campinas (1966), o Instituto de Tecnologia de Alimentos (1969) e o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (1976). Nos anos 1980, já na posição de segundo polo industrial do país em valor de produção (após a Região Metropolitana de São Paulo), Campinas viveria a instalação do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (1982), do Laboratório Nacional de Luz Síncontron (1984) e da Embrapa Informática Agropecuária e Embrapa Monitoramento por Satélites (1989), instituições que fortaleceram uma nova modalidade de desenvolvimento industrial nos campos de informática e telecomunicações.
No plano urbanístico, o crescimento e diversificação produtiva somados a um progressivo fluxo migratório permitiram à cidade crescer 15 vezes em território e 5 vezes em população no curso de quatro décadas (1950/1990); processos que na atualidade se traduzem numa malha urbana de 800 km² e numa população de pouco mais de 1 milhão de habitantes, distribuída por quatro distritos (Joaquim Egídio, Sousas, Barão Geraldo, e Nova Aparecida) e centenas de bairros.
A cidade de Campinas, maior polo tecnológico da América Latina, alia na atualidade diferentes competências e dinâmicas: cidade de serviços, de comércio tradicional, de produção agrícola, de geração de ciência e tecnologia, seu vigor social e econômico conferem-lhe seu destacado lugar político: o de capital da Região Metropolitana de Campinas (com 19 municípios e uma população de 2,8 milhões de habitantes) e também da Região Administrativa de Campinas (com 90 municípios e uma população de 6,2 milhões de habitantes).
Na sua porção rural, a cidade guarda também importantes processos e testemunhos de desenvolvimento, entre eles, áreas agrícolas remanescentes, populações e tradições centenárias, processos tecnológicos, saberes e fazeres únicos, num conjunto patrimonial surpreendente e rico.

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