23 de julho de 2013

Amo as horas Noturnas

George Oze
Amo as horas noturnas do meu ser
em que se me aprofundam os sentidos;
nelas fui eu achar, como em caras velhíssimas,
já vivida a vida dos meus dias
e como lenda longínqua e superada.

Delas eu aprendi que tenho espaço
para uma segunda vida, vasta e sem tempo.

E por vezes me sinto como a árvore
que, madura e rumorosa, sobre uma campa
realiza o sonho que o menino foi
(em volta do qual apertam suas raízes quentes)
e perdeu em tristezas e canções.

Rainer Maria Rilke (1875-1926)

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