14 de maio de 2013

Morte e Vida Severina

Charge do Correio da Paraíba, João Pessoa. 7/11/95
“- Essa cova em que estás
com palmo medida,
é a conta menor que tiveste em vida.
( . . . )
- Não é cova grande
é cova medida,
é a terra que querias
ver dividida
( . . . )
- Aí ficarás para sempre,
livre do sol e da chuva,
criando tuas saúvas
- Agora trabalharás
só para ti, não a meia,
como antes em terra alheia
( . . . )
- Esse chão te é bem conhecido
(bebeu teu suor vendido)...

- É uma cova grande
para tua carne pouca,
mas a terra dada
não se abre a boca. (...)”

João Cabral de Melo Neto (1920-1999)

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