30 de abril de 2013

Santo Agostinho estava à frente de seu tempo

El Greco - Saint Augustine
“Que é, pois, o tempo?
Se ninguém me pergunta,
eu o sei; se desejo explicar
a quem o pergunta, não o sei”.

Santo Agostinho (354-430)

Santo Agostinho é considerado o último dos pensadores antigos, já que cronologicamente e tematicamente se situa no contexto do pensamento antigo, e o primeiro dos medievais, já que sua obra, de grande originalidade influencia fortemente os rumos que tomaria o pensamento medieval em seus primeiros séculos.
Santo Agostinho foi um homem entre dois tempos. Entre um tempo romano que desmoronava e o tempo medieval em formação. O jeito romano de olhar para o mundo cedia lugar ao olhar cristão medieval.
Dos escombros de Roma os cristãos construiriam uma nova sociedade. Em 410, Roma, absolutamente fragilizada, foi saqueada pelos godos. Os pagãos - nome com que a Igreja designa os não cristãos - atribuíram a invasão ao fato de os romanos terem abandonado os deuses antigos. De acordo com eles, enquanto fora adorado, Júpiter protegera a cidade; ao ser "trocado" pelo cristianismo, deixara de fazê-lo.
Entre 412 e 427, Santo Agostinho escreveu "A Cidade de Deus", um livro cuja base era a filosofia grega e que exerceria forte influência nos tempos medievais. Nele respondeu a tais acusações, argumentando que coisas piores haviam ocorrido em tempos pré-cristãos. Que os deuses pagãos eram perversos. Ele não negava a existência de entidades como Baco, Netuno e Júpiter, considerados demônios.
Demônios que ordenavam aos homens, por exemplo, que criassem peças teatrais, definidas por Santo Agostinho como "espetáculos da imundície". Em razão desses deuses, Roma sempre fora perversa e pecaminosa.
Com o cristianismo, ela se salvaria. E, se a cidade dos homens fora invadida, pouco importava, já que o objetivo maior dos homens era a salvação por meio da bondade para atingir a cidade de Deus, a sociedade dos eleitos.
A busca central não era a cidadania na sociedade dos homens, mas a salvação no reino de Deus.
Para falar sobre o mal que habitaria os homens, Santo Agostinho relatou, em suas "Confissões" - história apaixonada de sua descoberta de Deus -, que na infância roubara peras da árvore de um vizinho, embora não estivesse com fome e na casa de seus pais houvesse melhores. Fizera-o por maldade e considerava tal ato um de seus maiores pecados. O pecado para ele habitava todos os homens.
E, se os bebês são inocentes, não é porque lhes falte o desejo de fazerem o mal, mas por carecerem de força.
A Cidade de Deus foi escrita por Agostinho para tratar do confronto que a Cristandade enfrentava com a História. Escrita entre 413 a 426 é a interpretação do mundo à luz da fé cristã. Trata-se da primeira teologia e filosofia da História.

Nenhum comentário: