21 de novembro de 2012

Ode ao primeiro poeta

Paul Gauguin
Quando os homens desceram, um dia, dos montes, e se
detiveram trêmulos,
diante da planície imensa,
eu te vi erguendo a tua voz forte, límpida e viva.
Eras jovem e tinhas a alegria de quem está descobrindo
o mundo.

Foi a tua palavra que modelou a primeira paisagem, deu
ritmo aos ventos e imaginou a beleza ingênua dos
primeiros e únicos símbolos que se perpetuaram.

Eras criatura e criador.

Estavas no gesto maravilhado que armava as primeiras
tendas e na mão indecisa que traçava o desenho
mágico dos caminhos que se improvisavam;
na imagem da vida em que se embebeu o primeiro
surto livre do espírito;

estavas em ti mesmo e fora de ti,
quando os homens desceram, um dia, dos montes e se
detiveram, trêmulos,
diante da planície imensa...

Emílio Moura (1902-1971)

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