29 de fevereiro de 2012

Antônia

Guilherme de Faria
Amei Antônia de maneira insensata.
Antônia morava numa casa que para mim
não era casa, era um empireo.
Mas os anos foram passando.
Os anos são inexoráveis.
Antônia morreu.
A casa em que Antônia morava foi posta abaixo.

Eu mesmo já não sou aquele que amou
Antônia e que Antônia não amou.
Aliás, previno, muito humildemente,
que isto não é crônica nem poema.
É apenas
Uma nova versão, a mais recente, do tema "ubi sunt",
Que dedico, ofereço e consagro
A meu dileto amigo Augusto Meyer.

Manuel Bandeira (1886-1968)

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