31 de agosto de 2011

Frank Dicey
Leite, leitura

letras, literatura,
tudo o que passa,
tudo o que dura
tudo o que duramente passa
tudo o que passageiramente dura
tudo,tudo,tudo
não passa de caricatura
de você, minha amargura
de ver que viver não tem cura.

Paulo Leminski (1944-1989)
O ex-estranho. São Paulo: Iluminuras, 1996.

Eterno Drama

Cícero Dias
Por que esse desencontro tão constante?
Por que tão raro o amor completo, inteiro?
Sempre uma alma a se dar toda, exultante,
e um frio coração por companheiro.

Sempre um a querer mais, a cada instante,
o desejo a queimar como braseiro;
e o outro apenas seguindo, ao lado, e adiante,
quase como um estranho caminheiro.

Um, tranquilo, confiante, satisfeito;
o outro, o ciúme a levar no coração
como um cão a rosnar dentro do peito;

eis, a toda hora, o drama que desponta:
- há sempre um que ama, escravo da paixão,
e o que se deixa amar... sem se dar conta.

JG de Araujo Jorge (1914-1987)
A Sociologia e a miséria humana
Hubert von Herkome
"Levar à consciência os mecanismos que tornam a vida dolorosa, inviável até, não é neutralizá-los; explicar as contradições não é resolvê-las. Mas, por mais cético que se possa ser sobre a eficácia social da mensagem sociológica, não se pode anular o efeito que ela pode exercer ao permitir aos que sofrem que descubram a possibilidade de atribuir seu sofrimento a causas sociais e assim se sentirem desculpados; e fazendo conhecer amplamente a origem social, coletivamente oculta, da infelicidade sob todas as suas formas, inclusive as mais íntimas e as mais secretas."
BORDIEU, Pierre. (A miséria do mundo. Petrópolis: Vozes, 1997.)

30 de agosto de 2011

Nós

Mas não passou sem nuvem de tristeza
esse amor que era toda a tua vida,
em que eu tinha a existência resumida
e a viva chama de minha alma, acesa.

Nem lemos sem vislumbre de incerteza
a página do amor, lida e relida,
mas pouquíssimas vezes entendida,
sempre cheia de engano e de surpresa,

Não. Quantas vezes ocultei a minha
dor num sorriso! Quanta vez sentiste
parar, medroso, o coração de gelo!

- É que nossa alma às vezes adivinha
que perder um amor não é tão triste
como pensar que havemos de perdê-lo.

Guilherme de Almeida (1860-1969)

Para o sexo a espirar

Serge Marshennikov
Para o sexo a espirar, eu me volto, expirante.
Raiz de minha vida, em ti me enredo e afundo.
Amor, amor, amor - o braseiro radiante
que me dá, pelo orgasmo, a explicação do mundo.

Pobre carne senil, vibrando insatisfeita,
a minha se rebela ante a morte anunciada.
Quero sempre invadir essa vereda estreita
onde o gozo maior me propicia a amada.

Amanhã, nunca mais. Hoje mesmo, quem sabe?
enregela-se o nervo, esvai-se-me o prazer
antes que deliciosa, a exploração acabe.

Pois que o espasmo coroe o instante do meu termo,
e assim possa eu partir, em plenitude o ser,
de sêmen aljofrando o irreparável ermo.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

29 de agosto de 2011

Dia Nacional do Combate do Fumo

29 de Agosto:
≡ Dia Nacional do Combate do Fumo ≡
O tabagismo é uma das principais causas de morte no Brasil e no mundo. Estima-se que no país ocorram 200 mil falecimentos por ano, em consequência do cigarro.
Os males causados pelo hábito de fumar incluem câncer de pulmão, doença coronariana, doença pulmonar obstrutiva crônica, e doença cérebro-vascular. Outras doenças que também estão relacionadas ao uso do cigarro são aneurisma arterial, trombose vascular, úlcera do aparelho digestivo, infecções respiratórias e impotência sexual no homem.
Mesmo assim, o consumo tem se mantido estável. Isto porque o cigarro causa dependência química, o que torna difícil para o fumante abandonar o hábito. No cigarro, assim como em todos os outros derivados do tabaco, a nicotina faz o papel de vilã. Esta droga é uma substância psicoativa, ou seja, produz sensação de prazer, o que pode induzir o abuso e a dependência. O aumento no consumo agrava a dependência, o que aumenta as possibilidades de se contrair doenças debilitantes, que podem levar à invalidez e à morte.
A indústria do tabaco usa aditivos com aromas e sabores para enganar você. Mas o que ela vende mesmo é dependência química, câncer e uma série de outras doenças. Não caia nessa! Fuja das armadilhas do fumo.

28 de agosto de 2011

Van Gohg
Só Van Gogh pinta o vento
e fixa os movimentos
de cada vento que passa
verde azul e verde azul
e
verde azul
ou azulverde
e desvenda
pensamentos
das pessoas que retrata
tudo é curvo sem ser torto
em abandono ou pose
nos rostos o tortuoso
dos trigais
ácido glutâmico ácido
o que ativa
e das papoulas
(o ópio que não provamos)
e um artista precisa ?
não…
ele auto fabrica e expande
e constrange
escandaliza
nem tudo que é torto…
é curvo
pode apenas ser quebrado
pra se fazer um mosaico
onde
não se fixa o vento
(é de retas esse elemento)
os movimentos
são feitos
pelo pó vermelho ou ocre
por verdes azuis azuis verdes
amarelos+azuis=verdes
das faces
e palidez
de Van Gogh.

Helena Armond

A rua é um livro aberto

A rua é um livro aberto.
O olho minúsculo de um pássaro
é um livro aberto.
A porta fechada de um quarto
é um livro deserto.
Tenho escrito palavras
de muitos livros refeitos
que, surdos e quietos,
tecem límpidos e claros
os seus herméticos enredos.
Na rua leio o que soletro.
No minúsculo olho de um pássaro
não leio o que vejo,
embora pássaros e ruas
me ensinem o que percebo.
Me ensinam, por exemplo,
o desterro aberto e refeito
de todo livro relido,
se atrás da porta fechada,
refaço o seu silêncio desfeito,
releio o meu silêncio perdido.

Mário Chamie (1933-2011)
≡ O Palácio da Ventura ≡
Picasso
Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busca anelante
O palácio encantado da Ventura!

Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura...
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!

Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
Abri-vos, portas d'ouro, ante meus ais!

Abrem-se as portas d'ouro, com fragor...
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão - e nada mais!

Antero de Quental (1842-1891)
Guilherme de Faria, o abraço
Assumamos o corpo e o
prazer, bebamos no elmo
de bronze o vinho e os
cheiros do fogo.

E o desejo de amar e o desejo de mar
no seu mais belo canto Safo cantava.
Oh, quanto no meu coração tarda
o que o seu canto louvava.

Se contigo ardo, Safo,
se todas as coisas provêm
da noite, seremos a chama
da eterna beleza.

Como funda gota de cera no flanco
do lesto gamo,
sequestra-me, Safo, no teu rijo seio.

Ser a pomba ou o cavalo no bosque
de macieiras onde espera e anoitece
O teu terso corpo de deusa rara.

Oh, apagar-me no teu peito suavemente
enquanto nos teus olhos leio
a respiração do tigre.

Nada é glorioso, nem a solidão
absurda. Só a memória permanece,
para, em cada carícia,
ser outra.

Orlando Neves (1935-2005)


27 de agosto de 2011

Floriram os ipês ali da praça
e, quando a gente passa,
-porque o vento as derruba em profusão –
vai esmagando flores pelo chão.

Como ciclópica oficina
pulsa, ao redor, a vida citadina.
Arranha-céus fugindo para o alto
numa arquitetura funcional;
automóveis rodando sobre o asfalto
e, de fundas angústias carregada,
a multidão correndo, alucinada,
vazia de Ideal.

Babélica, apressada,
toda essa gente não repara em nada:
não vê, em cima, a loira floração,
nem vê que pisa em flores pelo chão.

Os ipês se enfloraram, mas em vão . . .
Sua mensagem clara, colorida,
-um hino de louvor ao Belo e à Vida –
fica rolando, inútil, pelo chão,
fica, inútil, rolando pelo ar,
pois os homens não sabem mais sonhar.

Graciette Salmon


Bill Brauer
Em mil novecentos e oitenta e sempre,
ah, que tempos aqueles,
dançamos ao luar, ao som da valsa
A Perfeição do Amor Através da Dor e da Renúncia,
nome, confesso, um pouco longo,
mas os tempos, aquele tempo,
ah, não se faz mais tempo
como antigamente
Aquilo sim é que eram horas,
dias enormes, semanas anos, minutos milênios,
e toda aquela fortuna em tempo
a gente gastava em bobagens,
amar, sonhar, dançar ao som da valsa,
aquelas falsas valsas de tão imenso nome lento
que a gente dançava em algum setembro
daqueles mil novecentos e oitenta e sempre.

Paulo Leminski (1944-1989)

26 de agosto de 2011

William Turner
Que somos nós? Navios que passam um pelo outro na noite,
Cada um a vida das linhas das vigias iluminada
E cada um sabendo do outro só que há vida lá dentro e mais nada.
Navios que se afastam ponteados de luz na treva,
Cada um indeciso diminuindo para cada lado do negro
Tudo mais é a noite calada e o frio que sobe do mar.

Álvaro de Campos
Fernando Pessoa (1888-1935)

Este cavalheiro

Este cavalheiro
cresce e cresce
auspiciosamente:
aprenda com ele
e tu sempre florescerás.

Otagaki Rengetsu (1791-1875) )

25 de agosto de 2011

Mesmo Tema

Helene Beland (Canada 12 dezembro 1949)
John William Godward (Inglaterra 1861-1922)
Eugene de Blaas (Itália 1843-1932)
Anita Malfatti-Paisagem de Santo Amaro
Entre a chuva de ouro das carambolas
e o veludo polido das jabuticabas,
sobre o gramado morno,
onde voam borboletas e besouros,
sobre o gramado lustroso
onde pulam gafanhotos de asas verdes e vermelhas,

Salta uma ronda de crianças!
O ar é todo perfume,
perfume tépido de ervas, raízes e folhagens.

O ar cheira a mel de abelhas...

Ronald de Carvalho (1893-1935)
Portinari
Fazenda velha. Noite e dia
Bate-pilão.

Negro passa a vida ouvindo
Bate-pilão.

Relógio triste o da fazenda.
Bate-pilão.

Negro deita. Negro acorda.
Bate-pilão.

Quebra-se a tarde. Ave-Maria.
Bate-pilão.

Chega a noite. Toda a noite
Bate-pilão.

Quando há velório de negro
Bate-pilão.

Negro levado pra cova
Bate-pilão.

Raul Bopp (1898-1984)

24 de agosto de 2011

Marsha Hammel
Entrou na sala e ficou em pé tocando piano,
Sua mão pequena batia no teclado duramente.

Lembro que estava de vermelho
Lembro que tinha nas tranças finas uma fita preta
Lembro que era de tarde
E entrava pelas janelas abertas o vento do mar.

Não lembro se tinha flores perto dela
Mas nascia um perfume do seu corpo.

Que amor o meu!

Augusto Frederico Schmidt (1906-1965)

A arapuca da "faxina"

O último que empunhou a vassoura teve um mandato bem curto.
Em menos de oito meses, quatro ministros demitidos. E não quaisquer ministros. Os mais importantes. Sim, porque há muito tempo a Fazenda deixou de ser uma área de instabilidade no Brasil. Dilma Rousseff perdeu os chefes da Casa Civil, dos Transportes, da Defesa e, agora, da Agricultura. Um cuidava da articulação de todo o governo, outro das principais obras do PAC, o terceiro do reaparelhamento das Forças Armadas, enquanto o quarto respondia pelo setor que hoje garante 100% do saldo comercial brasileiro. Eis a dimensão das quedas de Antônio Palocci, Alfredo Nascimento, Nelson Jobim e Wagner Rossi.
Visto de fora, portanto, o governo Dilma é marcado pela crise permanente. Ainda assim, sua gestão, de acordo com pesquisas recentes, tem uma aprovação popular maior do que a de Lula e de FHC nos últimos quatro mandatos presidenciais. Como entender o paradoxo? Simples. A população adora a “faxina”. Dilma, ao contrário de Lula, teria tolerância zero diante da corrupção, e quem vê de fora aplaude.
Essa aprovação inicial pode até parecer sedutora para a presidente, mas representa uma grande arapuca. A “faxina”, na verdade, atende mais aos interesses das forças derrotadas na última eleição presidencial do que aos de Dilma. Um partido, o PR, já ameaça pular fora da base aliada.
E o objetivo real dos últimos dois escândalos – na Agricultura e no Turismo – era dinamitar a aliança entre PT e PMDB. Uma coalizão que, efetivamente, desloca o eixo de poder no Brasil. E por muito tempo.
Não custa lembrar que o último faxineiro a exercer a Presidência foi Jânio Quadros, que chegou ao poder empunhando a sua vassourinha ética. Sem apoio do Congresso, acabou renunciando diante de terríveis “forças ocultas”. É tanta crise simultânea, no Congresso, na caserna e em outros setores da sociedade, que já há quem sinta um cheiro estranho no ar, como em 1964.
Aparentemente, já caiu a ficha de Dilma. Na crise da Agricultura, ela teve um comportamento bem diferente do que foi adotado na “faxina” dos Transportes. Antes, ela lavou as mãos. Agora, não apenas tentou segurar Rossi como, de fato, delegou a escolha do sucessor ao PMDB, seu principal partido aliado.
Dilma precisa do Congresso tanto quanto o Brasil necessita do combate à corrupção. Mas os surtos de indignação ética não podem ser seletivos. Se o Brasil quer limpar o setor público, que comece então a discutir uma reforma política profunda, com temas como o próprio financiamento público de campanha. “Faxinas” pautadas pela hipocrisia não levarão a lugar algum.
Leonardo Attuch
Jornalista da Revista "Isto É"

23 de agosto de 2011

Quero ficar só

Emile Eisman-Semenowsky

Quero ficar só,
para respirar a estrela.
Deixar a noite escorrer a mágoa,
dissolvê-la em enxurrada.
Não deixar nada a comprimir o peito.
Quero a madrugada de tal jeito,
que a alma possa flanar sem pouso certo
e sugar o primeiro brilho esperto
de uma gota.
Beijar a pétala rota
pelo mau jeito de um espinho,
degludir devagarinho
o mel do espasmo nascente.
Quero o orgasmo
do polén, da semente;
eu quero o sumo.
Para recompor a vida,
pra renascer o afeto,
pra retomar o rumo.

Flora Figueiredo

22 de agosto de 2011

Federico Andreotti
Amor, ventura,
não tenho.
Mas dor obscura
e tempo.

Deus encoberto
não vejo,
mas perto e certo
o entendo.

Vive, não vivo:
contemplo
meu sonho ativo
e isento.

Que mundo existe,
suspenso,
depois de um triste
degredo?

Não quero o acaso!
E penso:
lavra o meu prazo
que vento?

Cecília Meireles
(1901-1964)

Neste aziago mês de agosto, hoje dia 22, completa 30 anos da morte prematura do grande cineasta baiano Glauber Rocha. Nascido em Vitória da Conquista (interior da Bahia) em 14 de março de 1939, Glauber veio a falecer com apenas 42 anos de idade.
Exilado em Portugal desde o início da década de 70, Glauber Rocha, o maior cineasta que o Brasil já teve, voltou a seu país para morrer. Transferido já doente de Lisboa para uma clínica no Rio de Janeiro, com septicemia e choque bacteriano, Glauber resistiu três dias até que a morte o levasse de vez. “Um dos mais extraordinários, lúcidos e honestos intelectuais desse país”, escreveu o médico no atestado de óbito do Homem.
Controvertido, polêmico, considerado dos mais geniais cineastas brasileiros, Glauber foi, em seu funeral, protagonista também de um filme. Ele que procurou fazer da morte de Di Cavalcanti uma obra de arte, que revolucionou o cinema brasileiro, seria desta vez o tema de uma homenagem, registro indispensável decidido por cineastas e representantes da Embrafilme.
Gênio, louco, radical, apocalíptico, caótico, santo guerreiro ou dragão da maldade, Glauber parece ter sido um produto de suas contradições. Foi o mais importante nome da história do nosso cinema e reconhecia isso. Desde que Fritz Lang (Metrópolis, 1927) e Luis Buñuel (O cão Andaluz, 1928) reconheceram em Deus e o Diabo na Terra do Sol (1963) uma obra-prima ao nível das melhores já produzidas no mundo, nunca mais teve dúvidas de sua genialidade. Com Deus e o Diabo ganhou prêmio de melhor diretor em Cannes, no ano seguinte, por unanimidade.

21 de agosto de 2011

Stanislavas Sugintas
Era um rosto
na noite larga
de altas insônias
iluminada.

Serás um dia
vago retrato
de quem se diga:
“o antepassado”.

Eras um poema
cujas palavras
cresciam dentre
mistério e lagrimas.

Serás silencio,
tempo sem rastro,
de esquecimentos
atravessado.

Disso é que sofre
a amargurada
flor da memória
que ao vento fala.

Cecília Meireles (1901-1964)

Contracanto

Rembrandt
Aqui, longe do sol, que mais farei
Senão cantar o bafo que me aquece?
Como um prazer cansado que adormece
Ou preso conformado com a lei.

Mas neste débil canto há outra voz
Que tenta libertar-se da surdina,
Como rosa-cristal em funda mina
Ou promessa de pão que vem nas mós.

Outro sol mais aberto me dará
Aos acentos do canto outra harmonia,
E na sombra direi que se anuncia
A toalha de luz por onde vá.

José Saramago (1922-2010)

20 de agosto de 2011

Os Trabalhadores do Mundo

Winslow Homer
Bate, coração do Mundo,
Bem escuto o teu ritmo,
Os saltos do sangue humano correndo pelas artérias
Do doloroso corpo mapa-múndi.

Os pés em marcha, as máquinas gesticulando,
A terra em seu labor de guerra eterna.

Ímpeto de lutar
Por qualquer coisa que ainda há de acontecer.
Pelo que outrora os sinos repicaram,
Pelo que agora os apitos gritam desesperadamente,
Pela explosão de um sol
Brilhando no aço das lanças e dos cascos
Dos cavaleiros com penachos, sob bandeiras,
Ao lado a procissão misteriosa das sombras no chão,

Marcha de heróis ou leva de prisioneiros?

Dante Milano (1899-1991)