30 de março de 2011

Bailado Russo

A mão firme e ligeira
puxou com força a fieira:
e o pião
fez uma eclipse tonta
no ar e fincou a ponta
no chão.
É um pião som sete listas
de cores imprevistas;
porém,
nas suas voltas doidas,
não mostra as cores todas
que tem:
– fica todo cinzento,
no ardente movimento...
E até
parece estar parado,
teso , paralisado,
de pé.
Mas gira. Até que, aos poucos,
em torvelins tão loucos
assim,
já tonto, bamboleia
e, bambo, cambaleia...
Enfim,
tomba. E, como uma cobra,
corre mole e desdobra
então,
em parábolas lentas,
sete cores violentas
no chão.

Guilherme de Almeida (1860-1969)

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