31 de outubro de 2010

Parabéns Dilma.

Serra tem ódio, coitado!
E termina com o último verso do nosso hino: "Verás que um filho teu não foge à luta", em tom de reza.
Até na saída, é pequeno.
2010 é o "Ano do Tigre", característíca do "Tigre" é
derrubar máscaras. Foi o que acontreceu com José Serra.
Ele não agradeceu a Deus no seu discurso de saída. Cadê a religiosidade fervorosa da campanha???
Dilma (PT) teve 55.752.508 = 56,05 %
José Serra (PSDB) 43.711.350 = 43,95 %
Diferença de 12 .041.158 votos.

“Prefiro um ateu que ama o próximo
a um devoto que o oprime”.

Frei Betto
Você se foi...
Mas tua marca ficou.
A dor que me abate
Na negritude da noite
Faz rolar por minha face
Lágrimas de paixão e amor.

Carlúcio Bicudo

30 de outubro de 2010

Momento Fofoca ...
Notícia que a Mônica Bergamo NÃO daria: O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e a Ministra Ellen Gracie, do Supremo Tribunal Federal, foram vistos, de mãos dadas a passear pelo Shopping Higienópolis.
Se este potin (como diria o FHC) se confirmar, estamos diante de fato político de relevância Suprema.
Claro que o amor é livre e, por isso, sublime. As pessoas, podem ir e vir e até, no ritmo frenético da cópula. Sagrado direito.
No entanto, a liturgia do cargo, no caso da Magistrada Gracie, não. Não com Ele, agente de tantas transformações, alguns avanços e tantos retrocessos, esses, questionados no STF e ora, julgados pela parceira.

Tempo-será

Sergio Blatto
A Eternidade está longe
(Menos longe que o estirão
Que existe entre o meu desejo
E a palma de minha mão).

Um dia serei feliz?
Sim, mas não há de ser já:
A Eternidade está longe,
Brinca de tempo-será.

Manuel Bandeira (1886-1968)

Canção da Garoa

Em cima do telhado
Pirulin lulin lulin,
Um anjo, todo molhado,
Soluça no seu flautim.

O relógio vai bater:
As molas rangem sem fim.
O retrato na parede
Fica olhando para mim.

E chove sem saber porquê
E tudo foi sempre assim!
Parece que vou sofrer:
Pirulin lulin lulin...

Mario Quintana (1906-1994)
“O macaco é um animal demasiado simpático
para que o homem descenda dele.”

Friedrich Nietzsche (1844-1900)

29 de outubro de 2010

Artefato nipônico

“A borboleta pousada
ou é Deus
ou é nada”.

Adélia Prado
A rádio CBN entrevistou nesta quinta (28) duas personalidades renomadas da cultura brasileira sobre suas opções no segundo turno das eleições presidenciais. Um deles é o poeta Ferreira Gullar, eleitor de Serra. O outro é Fernando Morais, jornalista, escritor e ex-secretário de Cultura de São Paulo (no governo Quércia, quando criou a Universidade Livre de Música).
Gullar, que em tempos já idos foi um homem de esquerda, justificou sua preferência alegando conhecer José Serra desde os anos 1960 e
elogiando supostas realizações do tucano contestadas por especialistas, como a viabilização dos genéricos, apresentada como resultado de uma luta contra as multinacionais do remédio, o que não corresponde à verdade, segundo o físico Rogério Cézar de Cerqueira Leite.
No mesmo tom da campanha demo-tucana, o poeta e ex-comunista disse que não vota em Dilma porque não a conhece e não confia em sua capacidade, um argumento pífio e de fundo machista, que exala ignorância em vez de sabedoria.
Já Fernando Morais, disse “Eu voto na Dilma porque é a pessoa mais qualificada para dar continuidade ao período que é seguramente
o período mais importante na história do Brasil nos últimos 50 anos. Desde Getúlio Vargas nenhum presidente promoveu transformações tão profundas quanto o Lula.
“Vou pegar dois exemplos, em primeiro lugar o feito que foi
tirar da miséria absoluta 30 milhões de pessoas, como a população inteira sabe. Isto significa 10 vezes a população do Uruguai , seis vezes a população da Dinamarca e não é esmola como dizem seus adversários. O Bolsa Família é um projeto de integração, de inclusão social, provavelmente um dos maiores já realizados no mundo.

28 de outubro de 2010

Tropicalismo

O Tropicalismo foi um movimento de ruptura que sacudiu o ambiente da música popular e da cultura brasileira entre 1967 e 1968. Seus participantes formaram um grande coletivo, cujos destaques foram os cantores compositores Caetano Veloso e Gilberto Gil, além das participações da cantora Gal Costa e do cantor compositor Tom Zé, da banda Mutantes, e do maestro Rogério Duprat. Os letristas José Carlos Capinan e Torquato Neto completaram o grupo, que teve também o artista gráfico, compositor e poeta Rogério Duarte como um de seus principais mentores intelectuais.
Apesar de ter se revelado tão explosiva quanto breve, com pouco mais de um ano de vida oficial, a Tropicália seguiu influenciando grande parte da música popular produzida no país pelas gerações seguintes. Até mesmo em trabalhos posteriores de medalhões da MPB mais tradicional, como Chico Buarque e Elis Regina, pode-se encontrar efeitos do "som universal" tropicalista. Descendentes diretos ou indiretos do movimento continuaram surgindo em décadas posteriores, como o cantor Ney Matogrosso e a vanguarda paulistana do final dos anos 70, que incluía Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção e o Grupo Rumo. Ou, já nos anos 90, o compositor pernambucano Chico Science, um dos líderes do movimento Mangue Bit, que misturou pop eletrônico com ritmos folclóricos locais.
O movimento, libertário por excelência, durou pouco mais de um ano e acabou reprimido pelo governo militar. Seu fim começou com a prisão de Gil e Caetano, em dezembro de 1968. A cultura do País, porém, já estava marcada para sempre pela descoberta da modernidade e dos trópicos.
Caetano e Gil até hoje são sucesso, mas um nome dessa época está envolto em mistério – Torquato Neto.
Chamado de "ideólogo do movimento tropicalista". Torquato Neto foi talento arrebatador, sensível, louco, inclassificável nos seus interesses. Como letrista sua faceta mais conhecida, emprestou palavras para melodias de Edu Lobo ("Pra Dizer Adeus"), Gilberto Gil ("Louvação"), Caetano Veloso ("Nenhuma Dor") e parceria póstuma com Sérgio Brito, gravada pelos Titãs ("Go Back"), entre dezenas de outras. Como jornalista, escreveu em periódicos como "Correio da Manhã" e "Última Hora", onde manteve por muitos anos coluna de intensa agitação cultural. Como poeta, teve obra esparsa, rascunhada, apenas organizada postumamente. Nasceu no Piauí em 1944, filho de um promotor público e de uma professora primária. Mudou-se para Salvador aos 16 anos e trabalhou como assistente no filme Barravento, de Gláuber Rocha.
Ali conheceu Gil, Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia. Em 1962, mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar jornalismo na universidade, mas nunca chegou a se formar.
No final da década de 1960, com o AI-5 e o exílio dos amigos e parceiros Gil e Caetano, viajou pela Europa e Estados Unidos com a mulher Ana Maria e morou em Londres por um breve período. De volta ao Brasil, no início dos anos 1970, Torquato começou a se isolar, sentindo-se alienado tanto pelo regime militar quanto pela "patrulha ideológica" de esquerda. Passou por uma série de internações para tratar do alcoolismo, e rompeu diversas amizades. Em julho de 1971, escreveu a Hélio Oiticica: "O chato, Hélio, aqui, é que ninguém mais tem opinião sobre coisa alguma... Tudo parado, odeio."
Em 10 de novembro de 1972, com 28 anos após chegar de uma festa escreveu um bilhete suicida dizia: "Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega! Não sacudam demais o Thiago, que ele pode acordar". Thiago era o seu filho de dois anos de idade.
Depois, trancou-se no banheiro e abriu o gás. Sua mulher dormia em outro aposento da casa. O escritor foi encontrado na manhã seguinte pela empregada da família.
De lá pra cá muito se falou a seu respeito, principalmente, de que era apaixonado por Caetano Veloso e não era correspondido. Nana Caymmi, em entrevista, comentou: "Pra mim, ficou claro que era uma paixão pelo Caetano. Todos ali falavam disso".

27 de outubro de 2010

Com o tempo,
uma imprensa cínica,
mercenária, demagógica
e corrupta formará um público
tão vil como ela mesma.

Joseph Pulitzer (1847-1911)

26 de outubro de 2010

Sou o pensamento.
O vento soprando forte.
O barco da sorte.
O sorriso da alegria.
A força da magia.
A dor do fraco.
O segredo do forte.
O medo da vida.

Guimarães Rosa (1908-1967)

25 de outubro de 2010

Personalidades HIstóricas:

Hoje - 35 Anos da morte de Vladimir Herzog
Vlado Herzog (1937-1975). Jornalista, professor da USP (Universidade de São Paulo) e teatrólogo, Vlado Herzog nasceu em 1937 na cidade de Osijsk, Iugoslávia. Filho de Zigmund Herzog e Zora Herzog, imigrou com os pais para o Brasil em 1942. A família saiu da Europa fugindo do nazismo.
Vlado foi criado em São Paulo e se naturalizou brasileiro. Fez Filosofia na USP e tornou-se jornalista do jornal O Estado de S. Paulo em 1959.
Nesta época, Vlado achava que o nome soava exótico nos trópicos e resolveu passar a assinar Vladimir. No início da década de 60, casou-se com Clarice. Com o golpe militar de 1964, o casal resolveu passar uma temporada em Inglaterra e Vladimir conseguiu trabalho na BBC de Londres. Lá, tiveram dois filhos, Ivo e André. Em 1968, a família voltou ao Brasil. Vlado trabalhou um ano em publicidade, depois na editoria de cultura da revista Visão. Em 1975, foi escolhido pelo Secretário de Cultura de SP, José Mindlin, para dirigir o jornalismo da TV Cultura.
Na noite do dia 24 de outubro de 1975, o jornalista apresentou-se na sede do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações/ Centro de Operações de Defesa Interna), em São Paulo, para prestar esclarecimentos sobre suas ligações com o PCB (Partido Comunista Brasileiro). No dia seguinte, foi morto aos 38 anos.
Segundo a versão oficial da época, ele teria se enforcado com o cinto do macacão de presidiário. Porém, de acordo com os testemunhos de Jorge Benigno Jathay Duque Estrada e Rodolfo Konder, jornalistas presos na mesma época no DOI/CODI, Vladimir foi assassinado sob torturas.
Como Herzog era judeu, o Shevra Kadish (comitê funerário judaico) recebeu o corpo e, ao prepará-lo para o funeral, o rabino percebeu que havia marcas de tortura no corpo do jornalista, prova de que o suicídio tinha sido forjado.
Hoje, dia em que se completam 35 anos da morte do jornalista Vladimir Herzog, segunda-feira (25), o Jornal da Cultura leva ao ar uma reportagem especial sobre o ex-diretor de jornalismo da TV Cultura, que foi vítima da ditadura militar.
Serão mostrados fatos marcantes da vida profissional de Vlado e o reflexo de sua morte no processo de redemocratização do País. O telejornal terá depoimentos de personalidades que estiveram ligadas ao episódio, como o cineasta João Batista de Andrade, que dirigiu o documentário Vlado – 30 anos depois, e o desembargador Márcio José de Moraes, que em 1978, como juiz federal, condenou a União pela morte de Herzog.
O Jornal da TV Cultura vai ao ar às 20h50.
Finalmente...
entramos nos últimos dias de Campanha à Presidência.
O cantor e compositor Chico Buarque da apoio explicito à candidata Dilma Rousseff: "Vim reiterar meu apoio a essa mulher de fibra, que já passou por tudo, e não tem medo de nada. Vai herdar um governo que não corteja os poderosos de sempre. O Brasil é um país que é ouvido em toda parte porque fala de igual para igual com todos. Não fala fino com Washington, nem fala grosso com a Bolívia e o Paraguai".
Entre as falas de apoio uma chama atenção pela contundência.
A de Fernando Morais: "Voto na Dilma porque conheço José Serra há 30 anos e sei o mal que ele pode causar a este país".
Bem... A Bolinha de papel, que a Globo e o próprio Serra disse que foi algo mais pesado, embora não deixou marcas, mesmo sendo ele careca, não colou e seus marqueteiros mudam estratégia para o programa televisivo do tucano: agora é o Serra das "propostas". Hum... Aquelas que ele não aplicou aqui em São Paulo.

24 de outubro de 2010

Como se eu pedisse uma simples Esmola,
e na minha mão maravilhada um Estrangeiro
depusesse um reino, e eu ficasse de boca aberta
- Como se perguntasse ao Oriente
se tem uma Manhã para me dar
- e ele abrindo os seus Diques de púrpura,
me despedaçasse com a Madrugada!

Emily Dickinson (1830-1886)
EUA realizaram 17 testes médicos na Guatemala sem autorização.
O vice-presidente da Guatemala, Rafael Espada, denuncia os Estados Unidos por realizar 17 tipos de experimentos médicos, sem autorização, na década de 40.
Os testes foram feitos em pessoas portadoras de doenças mentais, prostitutas, prisioneiros e soldados guatemaltecos. Documentos americanos serão usados na investigação, a cargo de uma comissão especial para descobrir o que ocorreu no país, entre 1946 e 1948.
Os experimentos foram divulgados no começo do mês, em relatórios encontrados no arquivo de um médico, que morreu em 2003. O governo de Washington já pediu desculpa.

Os EUA não são uma gracinha?? Apenas um pedido de desculpas. Que meigo!
Pois é…, não foi a Hilary que na ONU, disse que os EUA jamais cometeram torturas, isso após o Ahmadinejad acusar os Estados Unidos dessa pratica ?
Leia reportagem completa: Direito Público


23 de outubro de 2010

Há casas...

Há casas de papel, casas de madeira,
casas de palha e de barro;
casas que trepam pelo céu,
casas que cheiram a jasmim do Cabo;
há casas só para dormir, parecidas com um sudário.
Eugénio de Andrade (1923-2005)
Soldados americanos na Província de Diyala, no Iraque
EUA ignoraram tortura e mais de 100 mil morreram na guerra do Iraque, revelam documentos.
Cerca de 400 mil documentos confidenciais divulgados nesta sexta-feira (22/10) pelo site WikiLeaks apontam que forças dos Estados Unidos e seus aliados cometeram abusos, execuções sumárias e ignoraram repetidos atos de tortura no Iraque.
Ainda de acordo com os dados secretos, cerca 109 mil pessoas morreram no país -- 66 mil delas civis. Segundo os documentos, mais de 15 mil das vítimas civis morreram em incidentes que não haviam sido previamente divulgados. Autoridades americanas e britânicas insistem que não existe um número oficial de vítimas no conflito.
O site da TV Al Jazeera relata que soldados americanos denunciaram a seus superiores as alegações de tortura em ao menos 1.300 ocasiões: "o detento estava vendado"; "apanhou nos braços e pernas com um objeto duro"; "socado no rosto e na cabeça"; "eletricidade foi usada em seus pés e genitais"; "foi sodomizado com uma garrafa d'água".
Um dos relatos apresentados pela Al Jazeera é de uma denúncia de que "um detento foi espancado com uma chave de fenda, golpeado com cabos e mangueiras nos braços, costas e pernas, eletrecutado e sodomizado com uma mangueira".
Mais cedo nesta sexta-feira, antes da divulgação dos documentos, o Pentágono disse que não esperava grandes surpresas, mas alertou que soldados americanos e iraquianos podem ser colocados em risco pelo vazamento das informações.
A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, afirmou nesta sexta-feira que condena o vazamento de qualquer documento que possa vir a colocar os americanos em perigo.

Pois é…, não foi a Hilary que na ONU, disse que os EUA jamais cometeram torturas, isso após o Ahmadinejad acusar os Estados Unidos dessa pratica ?
Leia reportagem completa: Folha de São Paulo


22 de outubro de 2010

Chove uma grossa chuva inesperada
que a tarde não pediu, mas agradece.
Chove na rua, já de si molhada
duma vida que é chuva e não parece.
Chove grossa e constante,
uma paz que há de ser.
Uma gota invisível e distante
na janela, a escorrer.

Miguel Torga (1907-1995)

Bullying

Rafal Olbinski
O termo bullying, palavra de origem inglesa, sem tradução para o português, tem como raiz a palavra bully, que significa brigão.
O termo Bullying é novo, mas o problema é antigo. Os noticiários globais e a mídia, de uma forma geral, andam explorando cada vez mais o tema, principalmente quando este ocorre no ambiente escolar, porém isso acontece em qualquer contexto no qual seres humanos interajam, como por exemplo, a Família.
Antes da internet fazer parte do nosso cotidiano não tínhamos tanta informação, na verdade, agora o tema foi colocado em pauta.
Bullying se caracteriza todas as formas de atitudes agressivas intencionais e recorrentes praticadas onde há um desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas, causando dor, humilhação, angustia podendo levar a depressão, e diminuição de sua autoestima pelo resto de suas vidas.
Qualquer que seja a situação, a estrutura de poder é tipicamente evidente entre o agressor (bully) e a vítima. Para aqueles fora do relacionamento, parece que o poder do agressor depende somente da percepção da vítima, que parece estar a mais intimidada para oferecer alguma resistência. Todavia, a vítima geralmente tem motivos para temer o agressor, devido às ameaças ou concretizações de violência física/sexual, ou perda dos meios de subsistência.
Deixar filha sem almoço, bater nela com cinta e cordão de ferro, chama-la de “bicho”, são exemplos de bullying e tortura familiar.
Hoje fala-se muito do bullying nas escolas, bullying na internet, mas a meu ver, o que causa mais danos é sem dúvida, o bullying familiar. Aquele praticado por irmãos, pai e mãe.
“As famílias felizes são semelhantes,
e toda família infeliz é infeliz ao seu próprio modo.”

Leon Tolstoi (1828-1910)

21 de outubro de 2010

Fetichismo

Picasso - The Kiss
Homem, da vida as sombras inclementes
Interrogas em vão: - Que céus habita Deus?
Onde essa região de luz bendita,
Paraíso dos justos e dos crentes?

Em vão tateiam tuas mãos trementes
As entranhas da noite erma, infinita,
Onde a dúvida atroz blasfema e grita,
E onde há só queixas e ranger de dentes...

A essa abóbada escura, em vão elevas
Os braços para o Deus sonhado, e lutas
Por abarcá-lo; é tudo em torno trevas...

Somente o vácuo estreitas em teus braços;
E apenas, pávido, um ruído escutas
Que é o ruído dos teus próprios passos!...

Olavo Bilac (1865-1918)
Tu, único sol, vem!
Sem Ti as flores murcham, vem!
Sem Ti o mundo não é senão pó e cinza.
Este banquete e esta alegria, sem Ti,
são totalmente vazios, vem!

Jalaludin Rumi (1207-1273)

20 de outubro de 2010

A Dança dos Deuses


Maxfield Parrish - Lute Players
“Pus toda a minha alma numa canção
que cantei para os homens. E os homens riram!
Tomei meu alaúde, fui sentar-me no
topo de uma montanha
E cantei para os deuses a canção que os homens
não tinham entendido.
O sol baixava. Ao ritmo da minha canção,
os Deuses dançaram
nas nuvens encarnadas que flutuavam no céu”.

Li Bai (701-762) - poeta chinês
Tradução: Cecília Meireles (1901-1964)

‘Micro História’
A micro história é um gênero historiográfico surgido com a publicação, na Itália, da coleção "Microstorie", sob a direção de Carlo Ginzburg e Giovanni Levi, pela editora Einaudi, entre 1981 e 1988. Vem sendo praticada por historiadores italianos, franceses, ingleses e estadunidenses, com ênfase no papel desempenhado pelos primeiros, na importância da revista "Quaderni Storici" e no sucesso da referida coleção "Microstorie".
A sua proposição de análise histórica defende uma delimitação temática extremamente específica por parte do historiador, inclusive em termos de espacialidade e de temporalidade.
Numa escala de observação reduzida, a análise desenvolve-se a partir de uma exploração exaustiva das fontes, envolvendo a descrição etnográfica e tendo preocupação com uma narrativa literária. Contempla temáticas ligadas ao cotidiano de comunidades específicas — geográfica ou sociologicamente —, às situações-limite e às biografias ligadas à reconstituição de micro contextos ou dedicadas a personagens extremos, geralmente figuras anônimas, que passariam despercebidas na multidão.
Surgida a partir dos debates relacionados com os rumos que a chamada Escola dos Annales deveria tomar, esta nova corrente historiográfica foi mal compreendida, ora tomada como história cultural, ora confundida com a história das mentalidades e com a história do cotidiano. Segundo o historiador brasileiro Ronaldo Vainfas, também foi percebida como a expressão típica de uma história descritiva, de viés marcadamente antropológico, que renunciou ao estatuto científico da disciplina e invadiu o território da literatura, rompendo de vez as fronteiras da narrativa histórica com o ficcional.
Giovanni Levi chama a atenção de que tais análises estão equivocadas, pois apesar de produzirem resultados interessantes, o recorte em micro história deve ser temático e, mesmo assim, relacionado com um assunto mais amplo, O autor refere que a micro história deveria servir como um "zoom" em uma fotografia. O pesquisador observa um pequeno espaço bastante ampliado, mas, ao mesmo tempo, tendo em conta o restante da paisagem, apesar de não estar ampliada.
A corrente tem sido duramente criticada, acusada de constituir-se em uma história menor, principalmente pelos defensores dos modelos macrossociais de análise. Um dos fatores da antipatia de seus críticos deveu-se ao fato de que boa parte dos micro historiadores serem marxistas, e após uma crise de identidade gerada quando da divulgação dos crimes cometidos por Stálin na antiga URSS (Stéphane Courtois, O livro negro do comunismo, 1997). Enquanto que alguns historiadores optaram por fazer uma abordagem pós-moderna, outros, como Eric Hobsbawm, Perry Anderson e Edward Palmer Thompson, optaram por romper com a ideologia propagada no período e construir as suas próprias interpretações do pensamento marxista.

Entre os autores que se dedicaram à produção da micro história citamos:
  • Carlo Ginzburg - O queijo e os vermes
  • Giovannni Levi - A herança imaterial: trajetória de um exorcista no Piemonte do século XVII
  • Judith Brown - Atos impuros
  • Natalie Zemon Davis - O retorno de Martin Guerre

19 de outubro de 2010

Se Omar chegasse

Se Omar chegasse
esta manhã,
como veria a tua face

Omar Khayyam,
tu, que és de vinho
e de romã,
e, por orvalho e por espinho,
aço de espada e Aldebarã?

Se Omar te visse
esta manhã,
talvez sorvesse com meiguice
teu cheiro de mel e maçã.
Talvez em suas mãos morenas
te tomasse, e dissesse apenas:
"É curta a vida, minha irmã".

Mas por onde anda a sombra antiga
do âmago astrônomo do Irã?

Por isso, deixo esta cantiga
- tempo de mim, asa de abelha -
na tua carne eterna e vã,
rosa vermelha!

Para que vivas, porque és linda,
e contigo respire ainda

Omar Khayyám (1048-1131)
Cecília Meireles (1901-1964)

18 de outubro de 2010

Se você odeia alguém,
é porque odeia alguma coisa nele
que faz parte de você.
O que não faz parte de nós, não nos perturba.

Hermann Hesse (1877-1962)

17 de outubro de 2010

Você pensa que em algum lugar
podemos não ser Natureza,
que somos diferentes da Natureza?
Não, nós estamos na Natureza e,
pensamos exatamente como ela.

Carl Gustav Jung (1875-1961)

16 de outubro de 2010

A hipocrisia nas sacristias paulistas.
Gráfica da Igreja imprime panfletos contra Dilma
Uma gráfica no bairro do Cambuci, região sudeste da capital paulista, estava imprimindo, na manhã deste sábado, panfletos com um texto de um
braço da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) contra o PT e a presidenciável Dilma Rousseff.
Como fica o bispo de Guarulhos nessa história toda?
De onde saiu o dinheiro para imprimir um milhão de prospectos no primeiro turno e mais um milhão no segundo turno, como revela o contador da gráfica (que aliás recusou parte da encomenda por não ter capacidade para atender o pedido no prazo exigido pelo bispo)?
Resultado da contribuição de fiéis para obras sociais, ou outras da Igreja, ou das igrejas sob a responsabilidade de D. Luís Gonzaga?
Por que de tal atitude se a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – em nota reiterada em diversas oportunidades condenou esse tipo de decisão?
Seria equivocado chamar o bispo de mentiroso? De cínico? De partidário? De usar o dinheiro de sua diocese para fins outros que não os anunciados? Nesse caso o bispo é honesto?
É claro que não. Nem o candidato José FHC Serra, nem sua mulher Mônica Serra, muito menos o bispo D. Luís Gonzaga.
Mentem, são hipócritas ao usar a religião e a fé do povo como instrumentos para alcançar objetivos eleitorais, ludibriam, enganam.
Qual o propósito do bispo de Guarulhos? Consciente, não é um idiota, que está mentindo, está enganando fiéis?
Usando a Igreja como disfarce para atividades no mínimo equivocadas, na verdade, criminosa.

O que há por trás de todo esse revoltante cinismo?
Quais interesses o bispo representa? Por que o candidato José FHC Serra é apoiado por um bispo num tema em que ilude a boa fé das pessoas? Por que Mônica Serra usou de um expediente tão baixo quando disse no Rio que Dilma “mata criancinhas”.
E ela?
Há algo mais que hipocrisia nas sacristias paulistas. Há corrupção. Há fascismo. Há um sórdido e mentiroso complô que nada tem a ver com fé, mas com interesses subalternos, mesquinhos, criminosos, tanto do bispo, como do candidato e sua mulher.

Não basta uma nota da CNBB sobre o assunto. Há um bispo mentiroso, usando a Igreja para fins outros que não os que lhe dão sentido.
E os padres pedófilos? Por que a Igreja não cuida disso?

Há cerca de trinta anos existe um processo de desmonte da Igreja na ação de bispos como esses.

Saem figuras grandiosas como Hélder Câmara, Leonardo Boff, D. Demétrio, tantos que tombaram vítimas da brutalidade da ditadura militar, entram bispos destituídos de honra e respeito (pedófilos) que com certeza não têm nada a ver com a cruz de Cristo.
Carregam a mentira e em seus bolsos o dinheiro de fiéis ludibriados em sua fé. Se não existir outro dinheiro, o do caixa dois do engenheiro Paulo, o tal do apartamento de milhões que comprou por trezentos mil.
Gandhi quando perguntado sobre Cristo respondeu assim – “aceito o Cristo de vocês, mas não o cristianismo que praticam”.


Esses bispos...
É caso de Polícia.
Tu
Olhas ora para mim
Ora para as nuvens

Sinto que
Estás tão longe quando olhas para mim
E tão perto quando olhas para as nuvens.

Gu Cheng (1956-1993)

Gu Cheng foi um famoso poeta chinês moderno, ensaísta e romancista. Ele era um proeminente membro da "Misty Poetas", um grupo de chineses poetas modernistas.
No final dos anos 70 ele se tornou uma celebridade internacional e viajou ao redor do mundo acompanhado de sua esposa, Xie Ye. Os dois se estabeleceram na Nova Zelândia , em 1987, onde ensinou Cheng lecionou chinês na Universidade de Auckland.
Em outubro de 1993, Gu Cheng atacou sua esposa com um machado antes de se enforcar. Ela morreu uns dias depois em um hospital.