31 de agosto de 2010

A chuva

A chuva, outra vez sobre as oliveiras.
Não sei por que voltou esta tarde
Se minha mãe já se foi embora,
Já não vem à varanda para a ver cair,
Já não levanta os olhos da costura
Para perguntar: Ouves?
Oiço, mãe, é outra vez a chuva,
A chuva sobre o teu rosto.

Eugénio de Andrade (1923-2005)

30 de agosto de 2010

Soneto do breve momento

Klimt
Plumas de ninhos em teus seios; urnas
De rubras flores em teu ventre; flores
Por todo corpo teu, terso das dores
De primaveras loucas e noturnas.

Pântanos vegetais em tuas pernas
A fremir de serpentes e de sáurios
Itinerantes pelos multivários
Rios de águas estáticas e eternas.

Feras bramindo nas estepes frias
De tuas brancas nádegas vazias
Como um deserto transmudado em neve.

E em meio a essa inumana fauna e flora
Eu, nu e só, a ouvir o Homem que chora
A vida e a morte no momento breve.

Vinícius de Moraes (1913-1980)
“Corinthians - 100 Anos de Paixão”
O Sport Club Corinthians Paulista é um clube desportivo brasileiro. Foi fundado como uma equipe de futebol no dia 1º de setembro de 1910 por um grupo de operários do bairro do Bom Retiro, na cidade de São Paulo. O nome foi inspirado no Corinthian FC de Londres, que excursionava pelo Brasil.
A ideia inicial era de fundar um novo time de futebol para jogar no futebol de várzea, já que o Liga Paulista era disputada apenas por equipes da elite. Graças a uma dissidência entre os clubes aristocráticos da Liga Paulista de Foot-Bal, o Corinthians disputou uma seletiva classificatória para o torneio dessa entidade. Assim, em 1913 o clube jogaria pela primeira vez o Campeonato Paulista. A origem humilde do Corinthians refletiu-se em alguns de seus apelidos, como clube dos operários, time do povo, ou timão. Foi o primeiro clube de São Paulo a abrir espaço para jogadores pobres. Foi também o segundo clube do futebol brasileiro (o primeiro foi o Bangu) e o primeiro do futebol paulista a aceitar atletas negros no time.
Agora, no centenário deste grande clube brasileiro, seu passado e presente cheios de glórias são homenageados em todo o Brasil.
O Corinthians está construindo em Itaquera (zona leste da cidade de São Paulo), um Estádio com capacidade para 75 mil pessoas em média e será o palco da abertura da Copa do Mundo de 2014.

29 de agosto de 2010

Lua cheia

Solitária a lua cheia suspensa
sobre uma casa na margem do rio
Debaixo da ponte corre a água noturna
Está vivo o oiro derramado no rio
O meu cobertor brilha mais que seda preciosa
As montanhas silenciosas sem ninguém
O círculo sem mácula – a lua
gira entre as constelações
Floresce uma árvore
A mesma glória banha dez mil léguas.

Li Bai (701-762) poeta chinês
Tradução: Cândido Viveiros

Para Érico Veríssimo

O dia abriu seu pára-sol bordado
De nuvens e de verde ramaria.
E estava até um fumo, que subia,
Mi-nu-ci-o-sa-men-te desenhado.

Depois surgiu, no céu azul arqueado,
A Lua - a Lua! - em pleno meio-dia.
Na rua, um menininho que seguia
Parou, ficou a olhá-la admirado...

Pus meus sapatos na janela alta,
Sobre o rebordo... Céu é que lhes falta
Pra suportarem a existência rude!

E eles sonham, imóveis, deslumbrados,
Que são dois velhos barcos, encalhados
Sobre a margem tranqüila de um açude...

Mario Quintana (1906-1994)
[A Rua dos Cataventos]

28 de agosto de 2010

Falta de amor

A inteligência sem amor, te faz perverso.
A justiça sem amor, te faz implacável.
A diplomacia sem amor, te faz hipócrita.
O êxito sem amor, te faz arrogante.
A riqueza sem amor, te faz avaro.
A docilidade sem amor, te faz servil.
A pobreza sem amor, te faz orgulhoso.
A beleza sem amor, te faz fútil.
A autoridade sem amor, te faz tirano.
O trabalho sem amor, te faz escravo.
A simplicidade sem amor, te deprecia.
A oração sem amor, te faz introvertido e sem propósito.
A lei sem amor, te escraviza.
A política sem amor, te deixa egoísta.
A fé sem amor, te deixa fanático.
A cruz sem amor se converte em tortura.
A vida sem amor... não tem sentido!

Lao-Tsé
(1324 a.C. - 1408 a.C.)

27 de agosto de 2010

Árias Pequenas. Para Bandolim

Antes que o mundo acabe, Túlio,
Deita-te e prova
Esse milagre do gosto
Que se fez na minha boca
Enquanto o mundo grita
Belicoso. E ao meu lado
Te fazes árabe, me faço israelita
E nos cobrimos de beijos
E de flores
Antes que o mundo se acabe
Antes que acabe em nós
Nosso desejo.

Hilda Hilst (1930-2004)

26 de agosto de 2010

Sophie Gengembre Anderson
Buscando a face de Deus
em todas as coisas,
em todas as pessoas,
em todos os lugares,
durante todo o tempo,
e vendo a Sua Mão
em cada acontecimento -
isso é Contemplação
no coração do mundo.

Madre Teresa de Calcutá (1910-1997)
Hoje Madre Teresa, faria 100 anos.

Trenzinho do Caipira

Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade e noite a girar

Lá vai o trem sem destino
Pro dia novo encontrar
Correndo vai pela terra
Vai pela serra, vai pelo mar

Cantando pela serra ao luar
Correndo entre as estrelas a voar
Luar, no ar, no ar, no ar.

Música: Vila Lobos
Letra: Ferreira Gullar

25 de agosto de 2010

Mergulhar no silêncio bruto da noite
Onde as palavras não ferem,
não medem, e onde o certo
é distante – ali onde as estrelas,
só as estrelas, são diamantes
que me sabem ,
ah, são almas de um gigante.

Fernando Campanella

Mulher ao cair da tarde

Ó Deus, não me castigue se falo
minha vida foi tão bonita!
Somos humanos,
nossos verbos têm tempos,
não são como o Vosso, eterno.


Adélia Prado

24 de agosto de 2010

Sir John Everett Millais
Esmagar sempre o próximo
não acaba por cansar?
Invejar provoca um esforço
que inchas as veias da fronte.
A mão que se estende naturalmente
dá e recebe com a mesma facilidade.
Mas a mão que agarra com avidez
rapidamente endurece.
Ah! que delicioso é dar!
Ser generoso que bela tentação!
Uma boa palavra brota suavemente
como um suspiro de felicidade!

Bertolt Brechet (1898-1956)

Personalidades HIstóricas:

56 anos da morte de Getúlio Vargas
Getúlio Vargas (São Borja, 19 de abril de 1882 - Rio de Janeiro, 24 de agosto de 1954) foi um advogado e político brasileiro, chefe civil da Revolução de 1930, que pôs fim à República Velha depondo seu 13º e último presidente da república Washington Luís.
Após a Revolução de 30, Getúlio Vargas tornou-se presidente de 1930 a 1945, em fases distintas:
  • de 1930 a 1934, governo provisório;
  • de 1934 a 1937, governo constitucional;
  • de 1937 a 1945, Estado Novo.


  • Getúlio foi um ditador de 1930 a 1934 e de 1937 até 1945.
    Em 1951 foi eleito e começou um governo democrático, mas Vargas entra em constantes atritos com empresas estrangeiras acusadas de enviar excessivas remessas de lucro ao exterior.
    Em 1953 nomeia João Goulart, importante líder do PTB, para o Ministério do Trabalho, com o objetivo de criar uma política trabalhista aproximando os trabalhadores do governo, mas João Goulart, causava profundo descontentamento entre os militares que em 8 de fevereiro de 1954 entregaram um manifesto ao Ministério da Guerra (Manifesto dos Coronéis). Getúlio pressionado e buscando a conciliação, opta por afastar João Goulart.
    Lacerda lidera um poderosa, diabólica e brilhante campanha difamatória contra Getúlio Vargas com vistas a afastá-lo para tornar mais simples a entrega das riquezas brasileiras ao grande capital estadunidense, o que contrariava frontalmente os interesses do povo brasileiro. Levanta os ânimos contra o presidente e ele procura mais do que nunca amparar-se nos trabalhadores. A 1º de maio de 1954 concede finalmente o prometido aumento de 100% no Salário Mínimo. A oposição no congresso entra com um pedido de impeachment, mas Getúlio tem maioria.
    A pressão da oposição tornou-se mais intensa, no Congresso e nos meio militares e Vargas se suicida com um tiro no coração na madrugada de 24 de agosto de 1954. Antes de suicidar-se escreveu uma Carta-Testamento, na realidade seu testamento político. Eis um trecho:

    "Mais uma vez, a forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.
    Sigo o destino que me é imposto...
    ...Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.
    E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e
    saio da vida para entrar na História."

    (Rio de Janeiro, 23/08/54 - Getúlio Vargas)

    23 de agosto de 2010

    “O homem realmente culto
    não se envergonha de fazer perguntas
    também aos menos instruídos”.

    Lao-Tsé
    (1324 a.C. - 1408 a.C.)

    Menotti del Picchia

    “Desde que nasceste, não és mais
    que um voo no tempo”.

    Menotti Del Picchia
    Menotti del Picchia (São Paulo, 20 de março de 1892 — São Paulo, 23 de agosto de 1988) foi um poeta, jornalista, tabelião, advogado, político, romancista, cronista, pintor e ensaísta brasileiro.
    Participante ativo da Semana de Arte Moderna de 1922. Viveu seus 96 anos intensamente.
    Amor...
    Receios, desejos,
    promessas de paraísos.
    Depois sonhos, depois risos,
    depois beijos!
    Depois...
    E depois, amada?
    Depois dores, sem remédio,
    depois pranto, depois tédio,
    depois... nada!

    Menotti del Picchia
    (Trecho de Juca Mulato)

    21 de agosto de 2010

    Excelência da misericórdia nunca é maculada,
    Como a delicada chuva, vinda do céu
    Sobre a aldeia abaixo: duplamente abençoada,
    Abençoa aquele que a dá e aquele que a recebe...

    Da personagem Pórcia em
    O Mercador de Veneza,
    William Shakespeare (1584-1616)

    20 de agosto de 2010

    Ulisses

    Michael Parkes
    Estou sempre voltando para casa.
    Cada ideia vivida, cada gesto
    é uma viagem que faço de regresso.
    Dentro em mim há distâncias suficientes
    para ausências enormes, nos caminhos
    que percorro sem me sentir eu mesmo.
    Retorno agora, ontem, aqui, assim,
    de modo singular, desprevenido.
    A tal ponto me ausento regressando
    que sou como Ulisses navegando
    pelas águas febris de um mar sem nome.
    Talvez um dia eu volte para sempre
    e as distâncias talvez desapareçam.
    Então meu pensamento estará morto.

    Fernando Py
    Vladimir Volegov
    Antes de eu pronunciar o nome
    ele não era
    mais que um simples gesto

    Quando eu lhe pronunciei o nome
    ele veio a mim
    e se tornou uma flor

    Assim como chamei-lhe o nome
    Alguém me chama o nome
    Que combine com o meu nariz e o meu perfume

    Também quero ir até ele
    e tornar-me a sua flor
    Todos nós queremos ser algo
    Eu para você, você para mim
    Queremos ser
    um inesquecível
    significado.

    Kim Tchun-su, (poeta coreana)
    Tradução da professora Yun Jung Im Park

    19 de agosto de 2010

    A lua foi ao cinema,
    passava um filme engraçado,
    a história de uma estrela
    que não tinha namorado.
    Não tinha porque era apenas
    uma estrela bem pequena,
    dessas que, quando apagam,
    ninguém vai dizer, que pena!

    Era uma estrela sozinha,
    ninguém olhava pra ela,
    e toda luz que ela tinha
    cabia numa janela.
    A lua ficou tão triste
    com aquela história de amor
    que até hoje a lua insiste:
    - Amanheça, por favor!

    Paulo Leminski (1944-1989)
    19 de Agosto 1961
    O Presidente Jânio Quadros condecorou com a Grã Cruz da ordem Nacional do Cruzeiro do Sul Ernesto Che Guevara, o guerrilheiro argentino e abre crise política: vários militares devolvem suas condecorações em protesto. Conservador em todos os sentidos, o governo Jânio reserva para a política externa posturas de desafio aos EUA e à reação.
    Decisão do presidente Jânio Quadros surpreende meio político, gera reação de Carlos Lacerda e abre caminho para a renúncia.

    18 de agosto de 2010

    Duas Flautas

    Uma noite em que eu respirava o perfume das flores
    à beira do rio,
    o vento trouxe-me a canção de uma flauta distante.
    Para responder-lhe, cortei um ramo de salgueiro
    e a canção da minha flauta embalou a noite encantada.

    Desde então, todos os dias,
    à hora em que o campo adormece,
    os pássaros ouvem a conversa
    de dois pássaros desconhecidos,
    cuja linguagem, no entanto, compreendem.

    Li Bai (701-762)- poeta chinês
    Tradução: Cecília Meireles

    17 de agosto de 2010

    Hoje faz 23 anos que morreu Carlos Drummond de Andrade
    Enfeite-se com margaridas e ternuras
    E escove a alma com flores
    Com leves fricções de esperança
    De alma escovada e coração acelerado
    Saia do quintal de si mesmo
    E descubra o próprio jardim.

    Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

    Família

    Tarsila do Amaral
    Três meninos e duas meninas,
    sendo uma ainda de colo.
    A cozinheira preta, a copeira mulata,
    o papagaio, o gato, o cachorro,
    as galinhas gordas no palmo de horta
    e a mulher que trata de tudo.

    A espreguiçadeira, a cama, a gangorra,
    o cigarro, o trabalho, a reza,
    a goiabada na sobremesa de domingo,
    o palito nos dentes contentes,
    o gramofone rouco toda a noite
    e a mulher que trata de tudo.

    O agiota, o leiteiro, o turco,
    o médico uma vez por mês,
    o bilhete todas as semanas
    branco! mas a esperança sempre verde.
    A mulher que trata de tudo
    e a felicidade.

    Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

    15 de agosto de 2010

    Euclides da Cunha

    Hoje faz 101 anos que morreu Euclides da Cunha
    Dilermando Cândido de Assis, aspirante do exército e irmão de Dinorah, jogador do Botafogo Football Club que viria a ser campeão carioca em 1910, perdeu-se de amores em 1905, com apenas 17 anos de idade, por Anna Sólon da Cunha, então com 34 anos, filha do general Sólon Ribeiro e esposa de Euclides da Cunha, engenheiro militar e famoso escritor autor da obra ‘Os Sertões’.
    Dilermando e Anna tornaram-se amantes, tendo-lhe ela indicado um quarto na Pensão Monat, porque Dilermando era órfão e morava na Escola Militar. Os amantes encontravam-se na pensão durante as longas ausências de Euclides, sempre em viagem e, mais tarde, alugaram uma casa na Rua Humaitá, onde passavam longos períodos juntos.
    Dilermando era descrito como belo, alto e loiro e, mesmo continuando casada, Anna teve dois filhos de Dilermando, registrados como Cunha: Mauro, em 1906, morrendo com apenas sete dias, e Luís, em 1907.
    Após o retorno de Euclides, Dilermando transfere-se para a Escola Militar de Porto Alegre, em 1906, mantendo correspondência com a amante. Em 1908 conclui o curso, é promovido a tenente e passa a morar no Rio, com o irmão Dinorah, no bairro da Piedade. Anna foge para casa do amante, mas o marido traído descobriu-os e entrou em sua casa de arma em punho para os matar. Foi aí que Dilermando maculou para sempre a sua imagem ao protagonizar o trágico episódio que vitimou mortalmente Euclides e feriu o irmão Dinorah, que mais tarde se tornou inválido.
    Quando Euclides chegou de arma em punho, Dinorah atendeu-o e Dilermando, apercebendo-se da situação, foi vestir o seu uniforme militar. O escritor grita que ali fora para “matar ou morrer” e Dilermando é atingido na virilha e no peito ao descer as escadas. Dinorah também recebeu uma bala na nuca ao socorrer o irmão. Então, Dilermando descarregou a arma em cima de Euclides e matou-o, tendo sido absolvido a 5 de Maio de 1911, casando-se com Anna sete dias depois, a 12 de Maio. O casal teve quatro filhos, mas o relacionamento dura apenas catorze anos. Dilermando viveu em muitas cidades ao serviço do Exército e foi promovido até ao posto de General.
    Entretanto, os irmãos escaparam, mas a bala de Dinorah só foi extraída quatro anos mais tarde. Porém, Dinorah fez questão de entrar em campo sete dias após ter sido baleado por quatro balas, para jogar contra o Fluminense em 1909. E jogou todo o campeonato de 1910, sagrando-se campeão carioca, ainda com uma bala alojada na coluna vertebral, perto dos pulmões. Porém, as sequelas da quarta bala, encravada numa vértebra cervical, tornaram-no gradualmente hemiplégico. Então, Dinorah mudou-se para Porto Alegre, sua terra natal, e após sete anos de doenças e bebedeiras pos termo à vida em 1921, afogando-se no Rio Guaíba, em Porto Alegre aos 31 anos de idade.
    Entretanto, Sólon, filho mais velho de Anna e Euclides, delegado no Acre, foi assassinado numa tocaia, na floresta em 1914. Dois anos após este acontecimento, Quidinho (Euclides da Cunha Filho), aspirante da Marinha, encontrou-se a 4 de Julho de 1916 no Cartório do 2º Ofício da 1ª Vara de Órfãos, no Rio de Janeiro, com o responsável pela morte de seu pai. Puxou a arma e feriu Dilermando de Assis. Logo após este novo atentado, Dilermando reagiu ali mesmo e matou o filho da amante com três tiros. Novo escândalo, nova absolvição, mas Dilermando fica para sempre com um rasto de sangue atrás de si.

    Dilermando abandonou Anna em 1926, com cinco filhos. Ela estava com 50 anos, ele com 36. Anna e Dilermando morreram no Rio de Janeiro, em 1951: ela no mês de Maio, câncer, aos 80 anos, e ele de ataque cardíaco, em Novembro, aos 63 anos de idade.

    Este triste episódio deu origem à mini-série “Desejo”, encenada pela Rede Globo, em 1990.

    Fontes principais:
    Castro, Alceu Mendes de Oliveira (1951),
    O Futebol no Botafogo (1904-1950), Rio de Janeiro: Gráfica Milone.

    14 de agosto de 2010

    Minha canção te envolverá com sua música,
    como os abraços sublimes do amor.
    Tocará o teu rosto como um beijo de graças.

    Quando estiveres só, se sentará ao teu lado
    e te falará ao ouvido.
    Minha canção será como asas para os teus sonhos
    e elevará teu coração até o infinito.

    Quando a noite escurecer o teu caminho,
    minha canção brilhará sobre ti como estrela fiel.
    Se fixará nos teus lindos olhos e
    guiará teu olhar até a alma das coisas.

    Quando minha voz se calar para sempre,
    minha canção te seguirá em teus pensamentos.

    Rabindranath Tagore (1861-1941)

    13 de agosto de 2010

    O Analfabeto Político
    O pior analfabeto
    É o analfabeto político,
    Ele não ouve, não ...fala,
    Nem participa dos acontecimentos políticos.
    Ele não sabe o custo da vida,
    O preço do feijão, do peixe, da farinha,
    Do aluguel, do sapato e do remédio
    Dependem das decisões políticas.
    O analfabeto político
    É tão burro que se orgulha
    E estufa o peito dizendo
    Que odeia a política.
    Não sabe o imbecil que,
    da sua ignorância política
    Nasce a prostituta, o menor abandonado,
    E o pior de todos os bandidos,
    Que é o político vigarista,
    Pilantra, corrupto e lacaio
    Das empresas nacionais e multinacionais.

    Bertolt Brecht (1898-1956)

    12 de agosto de 2010

    “Tenho medo de revelar de quanto preciso
    e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre.
    Só tenho um corpo e uma alma.
    E preciso mais do que isso”.

    Clarice Lispector (1920-1977)

    11 de agosto de 2010

    A canção da vida…

    Renoir-Boating the Seine
    A vida é louca
    a vida é uma sarabanda
    é um corrupio...
    A vida múltipla dá-se as mãos como um bando
    de raparigas em flor
    e está cantando
    em torno a ti:
    Como eu sou bela
    amor!
    Entra em mim, como em uma tela
    de Renoir
    enquanto é primavera,
    enquanto o mundo
    não poluir
    o azul do ar!
    Não vás ficar
    não vás ficar
    aí...
    como um salso chorando
    na beira do rio...
    (Como a vida é bela! como a vida é louca!)

    Mario Quintana (1906-1994)

    10 de agosto de 2010

    “A gente não sabe o lugar certo onde colocar o desejo
    Todo beijo, todo medo, todo corpo em movimento
    está cheio de inferno e céu
    Todo santo, todo canto, todo pranto,
    todo manto está cheio de inferno e céu”.

    Caetano Veloso

    9 de agosto de 2010

    Sir Edward John Poynter - Horae Serenae
    A utopia está lá no horizonte.
    Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos.
    Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos.
    Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei.
    Para que serve a utopia?
    Serve para isso:
    para que eu não deixe de caminhar.

    Eduardo Galeano