30 de abril de 2010

Minh'alma é como o rochedo
Donde o abutre e o corvo tredo
Motejam dos vendavais;
Coberto de astros matizes,
Do raio, nos temporais!
Nem uma luz de esperança
Nem um sopro de bonança
Na fronte sinto passar!
Os invernos me despiram,
E as ilusões me fugiram
Nunca mais hão de voltar!

Fagundes Varela (1841-1875)

Nacos de nuvens

Donna McGinnis - Tomorrow's May
No céu flutuavam trapos
De nuvem - quatro farrapos:
do primeiro ao terceiro - gente;
o quarto - um camelo errante.

A ele, levado pelo instinto,
no caminho junta-se um quinto.
do seio azul do céu, pé ante pé,
se desgarra um elefante.

Um sexto salta - parece.
susto: o grupo desaparece.
E em seu rasto agora se estafa
o sol - amarela girafa.

Vladimir Maiakovski (1893-1930)
Tradução: Augusto de Campos
Vi esta matéria no Boletim Mineiro de História e resolvi colocá-la aqui: Boletim Mineiro de História
Olha só essas duas capas:
Leia com detalhes aqui: Observatórioda Imprensa

29 de abril de 2010

Chalaça - O Mito não aproveitado

Francisco Gomes da Silva – Chalaça
(Lisboa, 22 de setembro de 1791 - Lisboa, 30 de dezembro de 1852).
Retrato de Francisco Gomes da Silva, o "Chalaça"
Foto de Simplício Rodrigues de Sá
Se o Brasil fosse mesmo um país sério, digno de pertencer ao tal Primeiro Mundo, deveria assumir como um de seus patronos o comendador Francisco Gomes da Silva, mais conhecido por aquilo que antigamente chamavam de ""alcunha": o Chalaça. É uma personalidade fascinante, que contamina um tempo, é dessas figuras extraordinárias que só os países produtores de história conseguem colocar no palco dos acontecimentos que realmente importam.
Apesar de português pelo nascimento e, tal como dom João 6º, um carioca padrão, amante de sombra e água fresca, Chalaça foi um personagem tipicamente brasileiro. Mais ainda: um tipo carioca, até mesmo um pouco anedótico, desses que aproveitam o velório da mulher para, como viúvo recente, namorar a vizinha.
Nele estão misturados os elementos que fizeram o brasileiro Macunaíma sem nenhum caráter e o carioca Leonardo, sargento de milícias, imortalizado por Manuel Antonio de Almeida.
Em termos tropicais e dedicando-lhe um pouco de boa vontade, seria um Disraeli. Do outro lado da corda, no pântano da intriga, quase chegou à altura de um Fouché. Não foi estadista como o primeiro, que soube aproveitar as circunstâncias políticas da Inglaterra vitoriana. E, como Fouché, especializou-se nos movimentos de claro-escuro, nas sombras -e assim manobrou o poder. De resto, nunca tivemos uma rainha Vitória. E o primeiro imperador do Brasil não chegou a ser um Napoleão, apesar de ter sido seu parente após o casamento com uma princesa austríaca.
Chalaça é nome associado ao Primeiro Império. Foi companheiro de farras de dom Pedro 1º antes e durante o seu apogeu no trono do Brasil. Considerá-lo um vulgar aproveitador é simplificar a história do Brasil. Ele soube gerenciar sua proximidade com o poder a tal ponto que se tornou, ele próprio, expressão do poder.
Livrou-se de José Bonifácio num lance de intriga palaciana que faria Rasputin, Disraeli e o próprio Fouché morrerem de inveja. Depois da independência proclamada por dom Pedro, tudo continuou como antes na antiga e ingênua colônia. O partido dos portugueses era o mais influente, dom Pedro afinal era um português. Do lado brasileiro, a figura mais importante era José Bonifácio, tutor do próprio dom Pedro e patriarca do movimento que desaguara no Sete de Setembro.
Para se livrar de José Bonifácio, o comendador Francisco Gomes da Silva usou genialmente os ressentimentos de uma brasileira, a marquesa de Santos -por ironia, o título de Domitila de Castro Canto e Mello provinha da cidade natal do patriarca e de todo o clã dos Andradas. E, ao falar na marquesa, associando-a ao Chalaça, temos a dupla que clandestinamente mais influiu no poder e na queda do Primeiro Império.
Chalaça não era apenas um gozador. Era que nem o Palhares -aquele personagem do Nelson Rodrigues que não respeitava nem mesmo as cunhadas. Ele deu em cima da amante do seu melhor amigo e, por pouco, muito pouco mesmo, ia conseguindo cornear o imperador.
Houve o dia, inevitável para os Palhares da vida, em que Chalaça apertou a marquesa num corredor e foi repelido. O personagem rodriguiano chegou a dar um chupão na nuca da cunhada. Chalaça não chegou a tanto, mas a agarrou para valer.
Teria dito na ocasião: "Marquesa, ao me recusar, a senhora recusou o trono do Brasil!". Dito e feito. Tal como Chalaça, que quase chegou a ela, a marquesa também quase chegou ao trono, mas foi desbancada pela princesa Amélia de Leuchtenberg, que se casaria com dom Pedro após uma conspiração palaciana.
Até hoje, acho que os historiadores não chegaram a uma conclusão de como as coisas realmente se passaram, mas o fato incontestável é que, na certidão de casamento de Pedro Orleans e Bragança com Amélia de Leuchtenberg, realizado por procuração, em Munique, o marquês de Barbacena -que articulou e representou dom Pedro na cerimônia- trouxe a advertência da nova princesa: topava casar-se com aquele imperador devasso de um país perdido no fundo do poço, mas com a condição de que a marquesa fosse devolvida a São Paulo e Chalaça nunca mais pisasse em palácio.
Derrotado, o comendador separou-se em prantos do seu amigo e protetor e foi para Londres como embaixador. Apesar das intrigas e falcatruas cometidas, dom Pedro sempre o amou, recomendou-lhe que usasse ceroulas de flanela, o frio em Londres era mais cruel do que em Portugal.
Com a abdicação de dom Pedro, que regressou a Portugal, Chalaça também voltou para lá, mas a situação era diferente. Não conseguiu ser a sombra do que fora em São Cristóvão e na praça 15. Como se sabe, dom Pedro morreu logo, no mesmo quarto em que nascera, muito moço ainda, e Chalaça, não se sabe se por fidelidade à sua memória ou apenas por vingança de macho contrariado, tornou-se amante da viúva Amélia ele que não conseguira ser amante da marquesa de Santos. O que não conseguira com a plebeia Domitila conseguiu com a princesa austríaca, parenta de Napoleão. Foi um personagem além da realidade, além da história. Núcleo de uma prática do poder muito comum entre nós, mas que o Brasil nunca teve a coragem de assumir.
Carlos Heitor Cony

A. Andrew Gonzalez
“É errado pensar que o amor vem do companheirismo
de longo tempo ou do cortejo perseverante.
O amor é filho da afinidade espiritual e a menos que
esta afinidade seja criada em um instante, ela não será
criada em anos, ou mesmo em gerações”.

Khalil Gibran (1893-1931)

Gonzaguinha

Em 29 de abril de 1991 morreu em um acidente de carro Gonzaguinha (cantor e compositor).
O acidente aconteceu na rodovia que liga as cidades de Renascença e Marmeleiro, enquanto dirigia rumo à Foz do Iguaçu.
No acidente fatal, o Monza, placa AOM-8373, teve seus cintos de segurança arrebentados no impacto. Tratava-se de um veículo novo, ano de fabricação 1991, adquirido em fevereiro pelo produtor de shows.
Gonzaguinha participou do MAU - Movimento Artístico Universitário, com Aldir Blanc, Ivan Lins, que teve importante papel na música popular do Brasil nos anos 70 e que em 1971 resultou no programa na TV Globo Som livre exportação.
Característico por sua postura de crítica à ditadura, submeteu-se ao DOPS.
Suas composições são hoje vivas, nas vozes de diversos intérpretes como Maria Bethânia, Fagner, Simone e outros.
O Que É, O Que É
E a vida?
E a vida o que é, diga lá, meu irmão?
Ela é a batida de um coração?
Ela é uma doce ilusão?
Mas e a vida?
Ela é maravilha ou é sofrimento?
Ela é alegria ou lamento?
O que é, o que é, meu irmão?
Há quem fale que a vida da gente
É uma nada no mundo
É uma gota, é um tempo
Que nem dá um segundo
Há quem fale que é um divino mistério profundo
É o sopro do criador numa atitude repleta de amor
Você diz que é luta e prazer
Ela diz que a vida é viver
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é e o verbo é sofrer
Eu só sei que confio na moça
E na moça eu boto a força da fé
Somos nós que fazemos a vida
Como der ou puder ou quiser
Sempre desejada, por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte, só saúde e sorte
E a pergunta roda e a cabeça agita
Fico com a pureza da resposta das crianças
É a vida, é bonita e é bonita
Viver e não ter a vergonha de ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser um eterno aprendiz
Eu sei que a vida devia ser bem melhor e será
Mas isto não impede que eu repita
É bonita, é bonita e é bonita.

(Luiz Gonzaga Jr - Gonzaguinha) (1945 - 1991)

26 de abril de 2010

Quando eu, senhora, em vós os olhos ponho

Pierre Auguste Cot
Quando eu, senhora, em vós os olhos ponho,
e vejo o que não vi nunca, nem cri
que houvesse cá, recolhe-se a alma a si
e vou tresvaliando, como em sonho.

Isto passado, quando me desponho,
e me quero afirmar se foi assi,
pasmado e duvidoso do que vi,
m'espanto às vezes, outras m'avergonho.

Que, tornando ante vós, senhora, tal,
Quando m'era mister tant' outr' ajuda,
de que me valerei, se alma não val?

Esperando por ela que me acuda,
e não me acode, e está cuidando em al,
afronta o coração, a língua é muda

Francisco Sá de Miranda (1481-1558)

Guernica

Guernica – Picasso
Subsiste, Guernica, o exemplo macho,
Subsiste para sempre a honra castiça,
A jovem e antiga tradição do carvalho
Que descerra o pálio de diamante.

A força do teu coração desencadeado
Contactou os subterrâneos de Espanha.
E o mundo da lucidez a recebeu:
O ar voa incorporando-se teu nome.

Sem a beleza do rito castigado,
Aumentando a comarca da fome,
O touro de armas blindadas
Investiu contra a razão:

Eis que já Picasso o fixou,
Destruindo a desordem bárbara,
Com duro rigor espanhol,
Na arquitetura do quadro.

Murilo Mendes (1901-1975)

Guernica

Guernica – Picasso
Foi um dia fatídico, sangrento,
o vinte e seis de abril de trinta e sete,
quando a aviação nazista arremete
sobre Guernica, em cruel bombardeamento,

sob as ordens de Franco. Há quem objete
a exatidão desse acontecimento
- fatos históricos, nalgum momento,
sempre aparece alguém que os conteste.

Seja qual for a verdade que encerra
esse episódio (questão eu não faço
de compreender detalhes de uma guerra),

o fato é que houve dor, selvageria,
e aí esta a “Guernica” de Picasso,
para lembrar o horror daquele dia.

Eloah Borda
26/04/1937 - O ataque a Guernica
Em 1937, a Espanha esteve dividida em uma delicada guerra civil que colocou nacionalistas e republicanos no front. Os nacionalistas, de inspiração totalitária e comandados pelo militar conservador Francisco Franco, tiveram grandes dificuldades para derrubar o governo por meio das armas. Setores de esquerda e outros defensores da legalidade impediram que uma tentativa de golpe tomasse o país por meio da conquista da capital Madri.
Acuados, mas não vencidos, os nacionalistas decidiram reconfigurar sua estratégia de ataque por meio da conquista de locais menos protegidos do território hispânico. Dessa forma, acharam melhor iniciar suas novas campanhas militares com a organização de ataques à região norte do país. Com isso, a cidade de Guernica, núcleo urbano basco que concentrava seis mil habitantes e nenhuma proteção oficial, acabou escolhida para um dos mais temíveis ataques aéreos do século XX.
Historicamente, essa pequena cidade foi grande referência dos acontecimentos históricos e políticos que salientavam a diferenciação entre os bascos e os espanhóis. Em 1936, quando os conflitos da Guerra Civil Espanhola tomavam seus primeiros passos, o próprio governo espanhol decidiu oficializar a completa autonomia política dos bascos. Com isso, os nacionalistas passaram a considerar a região basca como um foco de traidores da causa capitaneada pelo general Franco.
Inicialmente, estarrecidos pela brutalidade do evento, alguns jornais chegaram a divulgar um contingente de 1600 vítimas fatais. Contudo, pesquisas recentes revisionaram as estatísticas do conflito, e hoje trabalham com um número aproximado de 200 mortos. Evidentemente, a divulgação do episódio e a tela homônima do afamado pintor Pablo Picasso foram responsáveis pela popularização do incidente em Guernica, que durante a ditadura espanhola não podia ser relembrado por nenhum cidadão.

Rainer Sousa - Brasil Escola

25 de abril de 2010

Minguante
A lua em quarto
Penetra meu quarto
Onde guardo retratos
de tudo que foi...

Jaak Bosmans
A noite reúne a casa e o seu silêncio
Desde o alicerce desde o fundamento
Até à flor imóvel
Apenas se houve bater o relógio do tempo
A noite reúne a casa a seu destino
Nada agora se dispensa se divide
Tudo está como o cripreste atento
O vazio caminha em seus espaços vivos.

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004)
Dei-te a solidão do dia inteiro.
Na praia deserta, brincando com a areia,
No silêncio que apenas quebrava a maré cheia
A gritar o seu eterno insulto,
Longamente esperei que o teu vulto
Rompesse o nevoeiro.

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004)
Revolução dos Cravos
Foi o movimento que derrubou o regime salazarista em Portugal, em 1974, de forma a estabelecer as liberdades democráticas promovendo transformações sociais no país. Após o golpe militar de 1926, foi estabelecida uma ditadura no país. No ano de 1932, Antônio de Oliveira Salazar tornou-se primeiro-ministro das finanças e virtual ditador. Salazar instalou um regime inspirado no fascismo italiano. As liberdades de reunião, de organização e de expressão foram suprimidas com a Constituição de 1933.
Portugal manteve-se neutro durante a Segunda Guerra Mundial. A recusa em conceder independência às colônias africanas estimulou movimentos guerrilheiros de libertação em Moçambique, Guiné-Bissau e Angola. Em 1968 Salazar sofreu um derrame cerebral e foi substituído por seu ex-ministro Marcelo Caetano, que prosseguiu com sua política. A decadência econômica e o desgaste com a guerra colonial provocaram descontentamento na população e nas forças armadas. Isso favoreceu a aparição de um movimento contra a ditadura.
No dia 25 de abril de 1974, explode a revolução. A senha para o início do movimento foi dada à meia-noite através de uma emissora de rádio, a senha era uma música proibida pela censura, Grândula Vila Morena, de Zeca Afonso. Os militares fizeram com que Marcelo Caetano fosse deposto, o que resultou na sua fuga para o Brasil. A presidência de Portugal foi assumida pelo general António de Spínola. A população saiu às ruas para comemorar o fim da ditadura e distribuiu cravos, a flor nacional, aos soldados rebeldes em forma de agradecimento.

24 de abril de 2010

“Os homens inventaram as palavras
para esconder melhor o que pensam.”

(Anatole France)
René Magritte
“Heroísmo no comando,
violência sem sentido
e toda a detestável idiotice
que é chamada de patriotismo
– eu odeio tudo isso de coração”.

Albert Einstein (1879-1955)
“Aconteceu algumas vezes que os deuses ou os mortais visitaram o reino das sombras e encontraram o caminho de regresso. Mas os habitantes do Inferno sabem que quem comeu dos frutos desse reino lhes pertence para sempre”.
Thomas Mann (1875-1955),
“A Montanha Mágica”.
SP: Ato comemora saída de
Gilmar Mendes da Presidência do STF
Membros do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo realizaram uma manifestação nesta sexta-feira, em frente à sede da TV Globo, na zona sul de São Paulo. Com "Já vai tarde" escrito em cartazes, o grupo comemorou a saída do ministro Gilmar Mendes da presidência do Supremo Tribunal Federal (STF).
O sindicato criticou a atuação do ministro enquanto líder do Supremo, principalmente em relação à sua decisão de acabar com a exigência de diploma de ensino superior para a profissão de jornalista. A proposta, da qual Gilmar Mendes foi relator, foi aprovada no ano passado. De acordo com o presidente do sindicato, José Augusto Camargo, o fim da exigência de diploma para jornalistas trouxe "uma grande confusão" na concessão de registro para os profissionais.
Vade retro !

22 de abril de 2010

O Cântico da Terra
Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor...

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranquila ao teu esforço.

Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranquilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.

Cora Coralina (1889-1985)
Ysaolda Cabral - Alma Retirante
Aqui na terra a fome continua
A miséria e o luto
A miséria e o luto e outra vez a fome
Acendemos cigarros em fogos de napalm
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizemos de ti a prova da riqueza,
Ou talvez da pobreza, e da fome outra vez.
E pusemos em ti nem eu sei que desejos
De mais alto que nós, de melhor e mais puro.
No jornal soletramos de olhos tensos
Maravilhas de espaço e de vertigem.
Salgados oceanos que circundam
Ilhas mortas de sede onde não chove.
Mas a terra, astronauta, é boa mesa
(E as bombas de napalm são brinquedos)
Onde come brincando só a fome
Só a fome astronauta, só a fome.

José Saramago (1922-2010)
22 de Abril – Dia da Terra
O Dia da Terra foi criado em 1970 quando o Senador norte-americano Gaylord Nelson convocou o primeiro protesto nacional contra a poluição. É festejado em 22 de abril e a partir de 1990, outros países passaram a celebrar a data.
Sabe-se que a Terra tem em torno de 4,5 bilhões de anos e existem várias teorias para o “nascimento” do planeta. A Terra é o terceiro planeta do Sistema Solar, tendo a Lua como seu único satélite natural.
A atmosfera terrestre vai até cerca de 1.000 km de altura, sendo composta basicamente de nitrogênio, oxigênio, argônio e outros gases.
O relevo da Terra é influenciado pela ação de vários agentes (vulcanismo), abalos sísmicos, ventos, chuvas, marés, ação do homem) que são responsáveis pela sua formação, desgaste e modelagem.
Muitos dos problemas com que nos confrontamos resultam da falta de espírito coletivo que, pressupostamente, deveria ser uma consequência direta do desenvolvimento. Não é! Ao contrário, a sociedade globalizada de que nos reclamamos parte integrante estimula e instiga o liberalismo desenfreado e o egoísmo sem limites. Em absoluto desrespeito pela nossa e pelas gerações futuras, esquecendo-se que a estas pertencem os nossos próprios filhos. Como vão distantes as ideias humanistas da década de sessenta do século passado!

20 de abril de 2010


“Libertas quae sera tamen" - Liberdade ainda que tardia.
(Movimento foi resposta ao excesso de impostos).
História de Brasília
1823
José Bonifácio apresenta projeto para mudança da capital e sugere o nome "Brasília" para a nova cidade.
1883
Dom Bosco tem seu famoso sonho.
1892
Nomeação da Comissão Exploradora do Planalto Central, a Missão Cruls, que dois anos depois demarca uma área de 14.400 km² considerada adequada para a futura capital. Esta área ficou conhecida como o "Quadrilátero Cruls".
7/9/1922
Colocada a pedra fundamental "da futura Capital Federal dos Estados Unidos do Brasil", perto da cidade de Planaltina, no perímetro do atual Distrito Federal.
4/4/1955
Em um comício na pequena cidade de Jataí - GO, o candidato à presidência da república Juscelino Kubitschek, respondendo à pergunta de um eleitor, faz a promessa de que, se eleito, irá transferir a capital para o Planalto Central.
15/4/1955
A Comissão de Localização da Nova Capital Federal (que havia sido criada em 1953) escolhe o local definitivo onde será construída Brasília - o "Sítio Castanho".
18/4/1956
Juscelino encaminha ao Congresso a Mensagem de Anápolis, propondo, entre outras medidas, a criação da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (a futura NOVACAP) e o nome de Brasília para a nova capital.
19/9/1956
O Congresso aprova por unanimidade o projeto, que se converte na Lei nº 2.874. Lançado o edital do Concurso do Plano Piloto. O edital foi publicado no Diário Oficial de 30/9/56.
22/10/1956
Iniciam-se as obras de construção da residência presidencial provisória, o futuro Catetinho, que foi concluído em 31/10/56. O projeto de Lúcio Costa, é que se inicia em 1957. A ideia original era que a Cidade Livre, criada em 1956, deixasse de existir após a inauguração de Brasília. Portanto, a mais antiga satélite criada como tal é Taguatinga, porém, as três satélites mais antigas são: o Núcleo Bandeirante, antiga Cidade Livre, Planaltina e Brazlândia. Essas últimas, apesar de estabelecidas bem antes de Brasília são de 1859 e de 1932, respectivamente, acabaram se tornando popularmente cidades-satélites, hoje Regiões Administrativas. Data da criação de algumas cidades importantes: Sobradinho foi criada em 13/5/60, o Gama em outubro de 1960 e o Guará foi inaugurado em 21/4/69. A Ceilândia, cujo nome vem de CEI - Campanha de Erradicação de Invasões e é do ano de 1971.
15/3/1957
O projeto de Lúcio Costa foi escolhido vencedor. Observe-se que, nesta data, construções como a do primeiro aeroporto e a do Palácio do Alvorada já haviam sido iniciadas. Ou seja, a construção de Brasília se inicia em 1956.
5/8/1958
Iniciado o primeiro asfaltamento.
5/6/1958
Foi fundada Taguatinga, atualmente a mais importante Região Administrativa do Distrito Federal. Obs.: embora Taguatinga tenha sido criada como "a 1ª cidade-satélite", já existia na época a "Cidade Livre", atual Núcleo Bandeirante.
28/6/1958
Inaugurada a Igrejinha de Fátima, por Dom Fernando, Arcebispo de Goiânia. O projeto é do arquiteto Oscar Niemayer, que a pedido da então, primeira-dama, Sarah Kubitschek ao ver sua filha Márcia Kubitschek doente, fez uma promessa a Nossa Senhora de Fátima, prometendo-a que se sua filha ficasse curada lhe dedicaria a 1º Igreja de Brasília.
1959
O então Presidente Juscelino Kubitschek determinou ao Presidente da Novacap, Ernesto Silva que construísse o Clube Social da Unidade de Vizinhança nº 1 para atender as Super Quadras Sul: 108, 109, 308 e 309.
21/4/1960
Brasília foi inaugurada. As festividades da inauguração já haviam se iniciado às 16h do dia 20 de abril e às 9h30 do dia 21 de abril, os Três Poderes da República se instalaram simultaneamente em Brasília.
11/4/1961
Inaugurado o Clube Social da Unidade de Vizinhança nº 1, com 207 (duzentos e sete sócios). Foi construído um salão que serviria de biblioteca, uma piscina adulta e outra infantil para atender a vizinhança das quadras 108, 109, 308 e 309 Sul. Com o passar do tempo perceberam que apenas esses sócios não conseguiam pagar a manutenção do Clube e por isso, estendeu-se a outras pessoas.
1961 a 1964
Durante os Governos de Jânio Quadros e de João Goulart, a construção da cidade e a transferência de órgãos da antiga capital, Rio de Janeiro, fica quase estagnada. A partir de 1964, Castelo Branco e os demais presidentes militares que o sucederam consolidam Brasília como a capital de fato do País.
1965
Os desenhos originais da Torre de TV, construída a partir de 1965, são de autoria do próprio Lúcio Costa, sendo a Torre, portanto, um dos poucos edifícios importantes que não foram desenhados por Niemeyer. Ainda que a Torre tenha sido inaugurada oficialmente em 9/3/1967, o Mirante já havia sido inaugurado em 21/4/1965, quando a Torre, ainda em construção, já tinha alcançado 140 metros de altura. (a altura total é de 224 metros) Algumas fontes citam incorretamente 1967 como o ano da inauguração da Catedral.
21/4/1962
Inaugurada oficialmente a Universidade de Brasília - UnB, tendo como primeiro reitor, Darcy Ribeiro. É de 1961 a lei que autorizou a criação da Fundação Universidade de Brasília. Por esse motivo, em algumas fontes se fala que a UnB foi criada "em 1961", apesar dela só ter sido inaugurada em 1962.
9/3/1967
Inaugurada oficialmente a Torre de TV. O mirante da Torre já funcionava desde 21/4/1965.
31/5/1970
Após mais de dez anos de construção, é inaugurada a Catedral de Brasília.
21/11/1971
Inaugurada a 1ª etapa do Conjunto Nacional, o 1º Shopping Center da cidade. As datas de inaugurações das 1ª, 2ª e 3ª etapas do Conjunto Nacional são respectivamente 21/11/1971, 24/4/1975 e 19/9/1977.
11/10/1978
Inaugurado o Parque da Cidade.
8/11/1983
Inaugurado o maior Shopping de Brasília, o Park Shopping.
1986
Os cidadãos de Brasília elegem seus primeiros representantes no Congresso Nacional, Senadores e Deputados Federais e representantes na Câmara Legislativa do Distrito Federal, Deputados Distritais.
7/12/1987
A cidade é tombada pela UNESCO e registrada como Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade.
1989
A Catedral passou por uma significativa reforma, em que uma pintura branca cobriu o concreto aparente, e os vidros incolores foram substituídos por vitrais nas cores branca, verde e azul.
15/10/1990
Os cidadãos de Brasília elegem seu primeiro Governador, primeiros Deputados Federais e Distritais e Senadores.
15/12/2002
Inaugurada a Ponte Juscelino Kubitschek.A população total do Distrito Federal supera dois milhões de habitantes.
15/12/2006
Inaugurado o Conjunto Cultural da República, a mais recente obra de Oscar Niemeyer em Brasília.
21/4/2008
Entre tantas estações foi inaugurada a Estação do Metrô da 108/109 Sul.
21/4/2010
Em meio há vários escândalos Brasília faz 50 anos.
Oscar Niemeyer com 103 anos participa da festa.

18 de abril de 2010

Poema dos Inocentes Tamoios

Poema dos Inocentes Tamoios
Andávamos bem correndo
por nossas matas ...
Ficávamos bem pescando
em nossas águas ...
Flechávamos bem de longe
a nossa caça...
Corriam bem pelas ondas
nossas igaras...
Furávamos bem por gosto
a nossa cara...
Com a pele preta e vermelha
mui bem pintada ...
Fazíamos bem de penas
roupas de gala ...
Soavam bem pelos ares
nossos maracás ...
Bebíamos bem do vinho
que fermentava ...
Dormíamos bem nas redes
das nossas tabas ...
Bem tratávamos o amigo
que nos buscava ...
Mas os nossos inimigos
que bem matávamos!
Canoas altas e enormes
aqui pararam.
Homens como nunca vimos
nos acenaram.
Traziam roupas bonitas
em muitas caixas ...
Davam-nos pentes e espelhos
que rebrilhavam :
pediam-nos pau vermelho
que lhes cortávamos.
Traziam gorros, tesouras,
panos e facas:
Pediam peixes e frutas,
saguis e araras.
Já estávamos mal dormindo
em nossas tabas:
partiam os estrangeiros,
outros voltavam.
Andávamos mal correndo
em nossas matas:
longe, as canoas nas águas
logo estrondavam.
As moças dentro das ondas
mal se banhavam;
borboletas, passarinhos
já se assustavam.
Pelas brenhas e lagoas
fugia a caça.
Mal corriam nossas flechas,
lentas e fracas,
pois vimos flechas de fogo
muito mais bravas,
com os novos homens que vieram
e nos contaram
histórias de sua terra,
extraordinárias,
e à nossa terra subiram
e andar-andaram.
Nossos bens e nossas vidas
se misturaram;
e, dentro das nossas mortes,
o sangue e as raças,
como a água doce dos rios
e a água salgada ...
Ai, meus avós, que este mundo
é coisa rara:
tudo começa de novo
quando se acaba !
Cecília Meireles (1901-1964)