31 de janeiro de 2010

“Reexamine tudo o que te foi ensinado
e descarte aquilo que insulta tua alma”.

Walt Whitman (1819-1892)

Haikai

Cathy Delanssay
Entre teu céu
e o meu
leve sussurro de asas.

Olga Savary

Limão

Atirei um limão doce
Na janela de meu bem:
Quando as mulheres não amam,
Que sono as mulheres têm!

("Trova", Manuel Bandeira)
O colonizador português tentou reproduzir, na terra a que primeiro chamou de Vera Cruz, os ambientes do além-mar. Com ele trouxe curral, horta e quintal – quase tudo que não havia por aqui. No curral colocou bode, boi, carneiro, ganso, pato, pombo e porco domesticado. Mais galinha, para nossos índios o mais estranho dos animais. E cão, aquele que mais disputavam. Na horta plantaram acelga, agrião, alface, berinjela, cebolinha, cenoura, chicória, coentro, couve, espinafre, funcho, hortelã, manjericão, mostarda, nabo, pepino, salsa. No quintal, em volta das casas, nasceram fruteiras novas, todas elas desconhecidas de nossos índios – laranja, limão, melão, melancia, maçã, carambola, jambo, romã, jaca, figo, uva.
O limão (Citrus limonum Risso) vem da Índia. Limah, assim era conhecido por lá. Por árabes, que o consideravam afrodisíaco e fortificante, foi levado à Europa. No Brasil, chegou por volta do séc. XVI. Mas começaram a ser cultivados, em larga escala, na Europa e Américas, só por volta do séc. XIX. São muitas as variedades: limão-cravo, limão-doce, limão-francês, limão-galego, limão-siciliano (que não se desenvolve nos trópicos). E limão-taiti, que recebeu este nome por ter sido levado do Taiti para a Califórnia, em 1875, com frutos de poucos caroços e árvore diferente de todos os outros limoeiros, sem espinhos nas hastes.
Na culinária, limão é usado como condimento, sobretudo no tempero. Substitui o vinagre nos molhos de salada. Do sumo se faz refresco, sorvete, suco. Também se usa para evitar que frutas descascadas escureçam. A casca, em pedaços ou em raspas, é utilizada em biscoitos, bolos, caldas, compotas, cremes, doces, geléias, massas, pudins, recheios, suspiros, tortas.
Sem esquecer que acabou ingrediente de uma invenção bem brasileira, um coquetel em que o limão é cortado em pedaços, socado com açúcar e misturado com cachaça - a famosa e popular "caipirinha".
Clarice Lispector descartou
influência de Virginia Woolf e Sartre
“Clarice,” (Cosacnaify, 648 páginas), de Benjamin Moser, é uma biografia muito interessante. Clarice Lispector, a mulher e a escritora, sai com a estatura devida. Uma das vantagens da biografia é que Moser recolhe as melhores interpretações da obra da autora e oferece ao leitor as próprias leituras, quase sempre pertinentes e originais. Ele vai fundo na vida e, paralelamente, a obra. Muitas vezes, o envolvimento com a obra é muito superior à apreensão da vida de Clarice.
Em 1919, quando tentava escapar das perseguições dos comunistas na Ucrânia, a mãe de Clarice, a judia Mania Lispector, foi estuprada e contraiu sífilis. Aparentemente para tentar se curar, ficou grávida e, na fuga pelo território ucraniano, nasceu Chaya Pinkhasovna Lispector, em 10 de dezembro de 1920 (na época, pensava-se que uma mulher doente, com certas doenças, poderia se curar se ficasse grávida. Recentemente, em busca de informações sobre a família Lispector, Moser visitou a Ucrânia e descobriu que a crença persiste entre as mulheres do povo). Chaya significa “vida” em hebraico. No Brasil, o nome foi trocado para Clarice. Os pais, Pinkhas (mudou o nome para Pedro) e Mania (virou Marieta), chegaram ao Brasil, em 1922, com as três filhas, Elisa (o nome era Leah), Tânia e Clarice. Moraram em Maceió, Recife (paixão de Clarice) e Rio de Janeiro.
Moser relata que “A irmã de Shakespeare”, texto de Clarice, é uma “reelaboração de um conto de Virginia Woolf sobre a hipotética Judith Shakespeare. ‘Quem’, Clarice citava a célebre frase de Woolf, ‘poderá calcular o calor e a violência de um coração de poeta quando preso no corpo de uma mulher?’”.
Clarice também rejeitava a comparação com a literatura de Jean-Paul Sartre, o de “A Náusea”. “Minha náusea é diferente da náusea de Sartre, porque quando eu era pequena não suportava leite, e quase vomitava o que tinha que beber. Pingavam limão na minha boca. Quer dizer, eu sei o que é a náusea no corpo todo, na alma toda. Não é sartriana”, frisou a autora de “O Lustre”. Ao comentar este romance, Moser escreve: “... o mundo exterior, para Virgínia [personagem do livro], não existe. A propósito, essa é outra razão pela qual as comparações de Clarice Lispector com Sartre são tão descabidas: o mundo da política, do ‘novo homem’, da revolução e da ideologia, é totalmente alheio a ela. (...) A liberdade de Virgínia vem somente de dentro.” Clarice, por sua própria história, não era, não tinha como ser stalinista ou engajada. Seu engajamento era mais literário, embora não fosse afeita a correntes estéticas. Não era missionária. Ou, se era, integrava uma “igreja” de um único membro. Era uma rebelde cuja causa era sua literatura.
Daniel Garnett - Rap do Bóris

30 de janeiro de 2010

João Batista da Costa
O rio pesado
corre sob a ponte
lua de chumbo.

Rogério Martins
Os 10 mandamentos da Apple
1- Amar a Apple acima de todas as coisas.
2- Aceitarás que a Apple nunca comete erros. Caso tenha um problema, você que o gerou.
3- Nunca aceitarás o nome da Apple em vão. Matar quem o fizer.
4- Guardarás o sábado como o dia santo para romaria até a Apple Store mais próxima.
5- Honrar Jobs como seu único deus e salvador.
6- Nunca comprarás um Zune HD. Matar quem o fizer.
7- Nunca adulterarás seu Apple. Ele tem que ser usado como veio de fábrica. Nada de hacks
8- Pagarás o MobileMe para achar seu iPhone furtado.
9- Nunca farás maus reviews. Matar quem o fizer.
10- Nunca cobiçaras nenhum PC, mesmo que você sinta falta de muitas coisas que seu Mac não provê. Matar quem o fizer.
Saramago relança "A Jangada de Pedra"
para ajudar Haiti
O Nobel de Literatura (1998) José Saramago lançará na sexta-feira uma nova edição do livro "A Jangada de Pedra", que terá toda a sua renda revertida para as vítimas do terremoto no Haiti.
O relançamento da obra é resultado da campanha "Uma jangada de pedra a caminho do Haiti", que doará "integralmente os 15 euros que custará o livro (na União Europeia) ao fundo de emergência da Cruz Vermelha para ajudar este país, que acaba de sofrer uma grande desgraça", disseram hoje à Agência Efe fontes da Fundação Saramago.
Segundo informações, a Alfaguara, a editora de Saramago na Espanha e na América Latina, prepara uma campanha de solidariedade semelhante para ajudar os sobreviventes do terremoto que devastou o Haiti no último dia 12.
Em Portugal, a nova edição de "A Jangada de Pedra" chegará às lojas em 28 de fevereiro.
Em nota, Saramago explicou que a iniciativa é da sua fundação e só foi possível graças à "pronta generosidade das entidades envolvidas na edição do livro".
"Se chegássemos a 1 milhão de exemplares vendidos, seriam 15 milhões de euros de ajuda", destacou o prêmio Nobel, segundo quem, "diante da calamidade que atingiu o Haiti, (esta soma) não seria mais que uma gota d'água".
O romance "A Jangada de Pedra" começa quando uma falha separa a Península Ibérica do resto da Europa e a transforma em uma enorme balsa de pedra à deriva no Atlântico.

Fonte: Portal IG

29 de janeiro de 2010

“Elas têm o poder de ir lá no fundo da alma
Onde moram os esquecimentos
E quando um desses esquecimentos acorda
A gente sente um estremeção no corpo
Essa é a missão da poesia:
Recuperar os pedaços perdidos de nós”.

Rubem Alves

Finitude

O que é finitude
E o que perdura?
Unir numa só fonte
O que soube ser vale
Sendo altura.

Hilda Hilst (1930-2004)

Cansa ser

Konstantin Andreevic Somov
Cansa ser, sentir dói, pensar destruí,
Alheia a nós, em nós e fora,
Rui a hora, e tudo nela rui.
Infelizmente a alma o chora.

De que serve? O que é que tem que servir?
Pálido esboço leve
Do sol de inverno sobre meu leito a sorrir...
Vago sussurro breve.

Das pequenas vozes com que a manhã acorda,
Da fútil promessa do dia,
Morta ao nascer, na 'esperança longínqua e absurda
Em que a alma se fia.

Fernando Pessoa (1888-1935)
História Viva
A guerra no Afeganistão
Tribo afegã promete combater talibãs em troca de ajuda dos E.U.
“Anciãos Shinwari Unidos contra os talibãs na quarta-feira um pacto de conjunto em Jalalabad, no Afeganistão. Os líderes de uma das maiores tribos pashtun em um reduto do Taliban, disse quarta-feira (27/01) que havia concordado em apoiar os americanos. Objetivo é queimar a casa de um afegão que abrigou guerrilheiros talibãs.
Anciãos da tribo Shinwari, o que representa cerca de 400.000 pessoas no leste do Afeganistão, também se comprometeram a enviar pelo menos um homem em idade militar, em cada família para o Exército afegão ou da polícia no caso de um ataque talibã.
Em troca de seu apoio, os comandantes americanos concordaram em dar $ 1 milhão em projetos de desenvolvimento diretamente para os líderes tribais e ignorar o governo local afegão, que é amplamente visto como corrupto”.
Adam Ferguson para o The New York Times
Pois é… o famoso jogo de interesses, vale tudo pelo interesse. É assim entre os homens do mundo.

28 de janeiro de 2010

Para Sempre...
( ...o que mais quero é... )

"Olhar estrelas devagar"...
( Renata Pallotini )
A ideologia do Pitaco
Pitaco é aquela cereja por cima do bolo da notícia. Significa que a matéria jornalística foi confeccionada de modo “isento” e , portanto, há espaço para o pitaco, que é fruto do “convite à reflexão”, como se reflexão precisasse de convite. É diferente do jornalismo opinativo, que toma posição. O pitaco é a opinião ligeira que pretende ter a última palavra, assenhorando-se tanto da reportagem quanto do editorial. Para que reine, é imprescindível que a redação esteja totalmente submetida aos seus desígnios. Traduzindo: que fique de boca calada sobre o que realmente interessa.
É óbvio que o raciocínio está imbricado na reportagem, senão seria impossível concretizá-la. Só que essa produção de pensamento foi mascarada e jogada numa espécie de limbo. Visto de perto, esse limbo, esse não-lugar da razão impura, é uma agonia do real, é o Falso Bem num baile de máscaras promovido pela ideologia.
O que é uma reportagem? É o resultado de uma pesquisa, de uma abordagem dos fatos, encadeados por uma lógica, para que sejam percebidos, entendidos, digeridos, consumidos. Não se jogam dados aleatoriamente numa reportagem. Há uma confecção, uma espinha dorsal, um começo, meio e fim. Há, portanto, exercício da razão, o que implica reflexão.
É impossível trabalhar cegamente em jornalismo, servir de burro de carga das versões dos fatos e das fontes, se amparar em muletas de expressões recorrentes. Para fazer sentido, a reportagem precisa mergulhar na lógica do que aborda, pois cada detalhe tem também sua porção racional. A não ser que o repórter caia no vício de implantar falas nos entrevistados, como vemos a toda hora na televisão, fazendo com que o interlocutor repita o que foi sugerido pelo jornalista.
O trabalho jornalístico sofre todas as cargas possíveis de ideologia, fruto do encaminhamento da pauta, das posições dos chefes, da conhecida “filosofia da empresa”, além das orientações rígidas dos manuais. Se por acaso houver um deslize, ou seja, se algum pingo de oposição salpicar na vidraça colorida da ideologia, existe o limpa pára-brisas, o flanelinha, o vapor providencial. Pronto, tudo está claro agora?
Assim embalada, a reportagem chega ao telespectador com todo o seu peso tendencioso, mas precisa ser apresentada como algo isento, ou seja, que faça parte do destino natural das coisas. Para isso existe a figura do Outro Lado, que é uma espécie de assombração no sinistro castelo da manipulação dos fatos. O Outro Lado é o álibi perfeito que abre as comportas para o pitaco. Já que você, em tese, deu voz a quem seria prejudicado pela matéria, então você entra com a reflexão pós-parto, para mascarar a dor gerada pelo fórceps.
É por isso que vemos a repetição monótona de jargões, que serve apenas para acumular o capital simbólico do pitaqueiro, mas não fede nem cheira na massa gigantesca e hegemônica de ideologia embutida nas reportagens. O que manobra com a opinião pública é o que vem antes do pitaco. Este, serve apenas para dourar a pílula. Vemos isso a toda hora: a cara de boi compungido dos arautos da moral e dos bons costumes, os eternos conscientes democratas que pontificam em tom didático sobre a culpa que todos carregam de não serem tão conscientes quanto eles.

O “isto é uma vergonha”, já desmoralizado, é a marca notória do pitaco.

27 de janeiro de 2010

“Quanto maior o número de leis,
tanto maior o número de ladrões”.

(Lao-Tsé)

Haikai

Pompeo Massani
Solidão no inverno
o velho aquece as mãos
com as próprias mãos.

Eunice Arruda

Drauzio Varella

25 de janeiro de 2010

“A palavra "progresso" não terá
qualquer sentido enquanto
houver crianças infelizes”.

Albert Einstein (1879-1955)

O Enterrado Vivo

George Henry Boughton
É sempre no passado aquele orgasmo,
é sempre no presente aquele duplo,
é sempre no futuro aquele pânico.

É sempre no meu peito aquela garra.
É sempre no meu tédio aquele aceno.
É sempre no meu sono aquela guerra.

É sempre no meu trato o amplo distrato.
Sempre na minha firma a antiga fúria.
Sempre no mesmo engano outro retrato.

É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre nos meus lábios a estampilha.
É sempre no meu não aquele trauma.

Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim meu inimigo.
E sempre no meu sempre a mesma ausência.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
Alguns centenários brasileiros famosos:
Claudionor Viana Teles Velloso (Dona Canô), BA (16/09/1907 103 anos
Oscar Niemeyer – RJ (115/12/1907)
103 anos
Filomena Matarazzo Suplicy - São Paulo (24/09/1908)
102 anos
Maria Amélia Alvim Buarque de Holanda – RJ (25/01/1910)
100 anos
456 anos de São Paulo
Como diz Caetano Veloso na musica Sampa: “Da força da grana que ergue e destrói coisas belas”, pois bem, cada vez fica mais claro que muito pouco se pode fazer contra interesses de poderosos endinheirados.
São 456 anos de muita luta, muito esforço e crescimento!
A luta é de todos, nativos da terra e migrantes e imigrantes.
Existem sim atitudes isoladas em prol da melhoria de vida na metrópole, mas enquanto forem atitudes isoladas, pouca eficácia terão!
Quem tem medo da verdade?
Numa atitude cafajeste, alguns setores da sociedade brasileira apresentam a “proposta” de – ao se instituir uma Comissão de Verdade sobre a ditadura – investigar-se “os dois lados”.
Não faz o menor sentido.
É como se, ao fim do nazismo, alguém propusesse: “Ok, vamos investigar os carrascos, mas é preciso levar ao banco dos réus também os judeus que resistiram ao legítimo regime nazista”.
Estou a exagerar? Não creio.
Os militantes de esquerda já foram punidos: alguns julgados, muitos presos e torturados, vários executados, encarcerados.
Falar em “investigar os dois lados” é torturar de novo os que sobreviveram, é torturar a memória dos que se foram.
Isso é cafajestagem. Não há outro nome.

24 de janeiro de 2010

“A arte é uma série de objetos que provocam emoções poéticas”.
(Le Corbusier)

Cem anos da mãe do Chico

Cem anos da mãe do Chico
Maria Amélia Alvim Buarque de Holanda (25/01/1910), viúva do historiador Sérgio Buarque de Holanda, mãe de sete filhos:
1. Heloísa Maria Buarque de Hollanda (RJ, 30 de novembro de 1937), mais conhecida como Miúcha, cantora e compositora.
2. Sérgio Buarque de Hollanda Filho, museólogo.
3. Álvaro Buarque de Hollanda (03/01/1942), produtor de cinema.
4. Francisco Buarque de Hollanda, conhecido como
Chico Buarque (RJ, 19 de junho de 1944), cantor, escritor, compositor.
5. Anna Maria Buarque de Hollanda (12/8/1948) São Paulo, SP, cantora.
6. Maria do Carmo Buarque de Holanda.
7. Maria Cristina Buarque de Holanda (São Paulo, 23 de dezembro de 1950), cantora.
38 anos atrás, em 24 de janeiro de 1972,
dois moradores de Guam encontraram Shoichi Yokoi,
um soldado japonês que ficou escondido na selva por 28 anos.
Shoichi Yokoi, preparando-se para retornar à civilização.
Quando descoberto, Shoichi Yokoi estava com 56 anos, estava muito magro, mas saudável, vestido com um uniforme de tecido feito por ele a partir de fibras de hibisco e ele estava mantendo um registro preciso de tempo. Ele atacou os dois moradores, com uma rede de pesca, mas não conseguiu capturá-los e o levaram para a delegacia.
Sua história se tornou famosa em todo o mundo e ele se tornou uma das pessoas mais famosas do Japão.
Quando ele foi convocado para o Exército Imperial Japonês, em 1941, Shoichi Yokoi estava se preparando para se tornar um alfaiate. No início ele fazia parte da 29ª Divisão de Infantaria da Manchúria e em 1943 ele chegou em Guam, com a patente de sargento, parte do corpo de Abastecimento.
Em 21 de julho de 1944, na batalha que se seguiu ao desembarque das tropas americanas em Guam, a unidade de Shoichi Yokoi foi aniquilada. Ele conseguiu sobreviver, mas ele se recusou a se render e se refugiou na selva. Quando ele voltou para casa, ele explicou:"Nós soldados japoneses dissemos que preferimos a morte à vergonha de ser capturado vivo". Ele foi oficialmente listado como morto em setembro de 1944.
Ele tinha o conhecimento necessário e a força incrível para viver na selva há 28 anos, aguardando o retorno do exército japonês.
Ele viveu em um buraco que cavou no chão, feito com paredes de bambu.
A entrada do esconderijo de Shoichi Yokoi em Guam, imagem via Wikipedia
Depois de vários meses, porque a comida estava acabando, os dois outros soldados se mudaram, mas eles permaneceram em contato, visitando uns aos outros. No entanto, após 8 anos, Shoichi Yokoi encontrou os dois mortos, provavelmente de fome ...
Em 1952, Shoichi Yokoi encontrou folhetos e jornais e leu que a guerra tinha acabado, mas ele pensou que era só propaganda americana de guerra e permaneceu escondido na selva.
Shoichi Yokoi não era o único que viveu há muitos anos na selva. Em 1960, outros dois soldados japoneses, Minagawa e Ito, foram encontrados e repatriados para o Japão.
Depois que foi repatriado, Shoichi Yokoi se tornou um herói nacional no Japão, e quando ele foi visitar a sua aldeia natal, sua visita foi televisionada e milhares de japoneses o acolheu ao longo da estrada.
Shoichi Yokoi casou-se após vários meses de seu retorno, escreveu um livro sobre suas experiências em Guam, aparecia regularmente na televisão e em 1974 ele ainda entrou para o Parlamento.
Em 1981, seu sonho tornou-se realidade e foi concedida uma audiência com o Imperador Hirohito. A reunião foi a maior honra de sua vida e ele declarou ao Imperador: "Sua Majestade, eu voltei para casa. Lamento profundamente que eu não pude atendê-lo bem. O mundo mudou muito, mas a minha determinação de servir você nunca vai mudar".
Ele viveu uma vida simples, em um momento em que declara: "Eu não consigo entender por que as cidades devem queimar o lixo. Minha família não produz lixo. Nós comemos todos os alimentos até o último pedaço. Partes de alimentos que não são comestíveis são utilizados como fertilizante em meu jardim".
Shoichi Yokoi morreu de um ataque de coração em 1997, com a idade de 82 anos.
É uma história incrivelmente dramática sobre a sobrevivência. Mas ainda mais impressionante do que a história em si é a sua forma de pensar:"Eu continuei a viver por causa do imperador e da crença no Imperador e do espírito japonês".

23 de janeiro de 2010

“Quem olha para fora, sonha;
quem olha para dentro, desperta”.

Carl Young

“A vista é o que nos faz adquirir mais conhecimentos, nos faz descobrir mais diferenças”. O texto é de Aristóteles na abertura da Metafísica. O olhar deseja sempre mais do que o que lhe é dado ver. Todos os filósofos falaram sobre o olhar. “A vista – escreveu Giordano Brunoé o mais espiritual de todos os sentidos”. O olhar antigo captou o movimento sob as aparências da matéria corpuscular. O olhar científico procura descrever a energia. No olhar da Renascença, o olho do pintor convive harmoniosamente com o olho do sábio. Leonardo da Vinci, pintor-cientista, dá ao olho o poder de captar a “prima verità” de todas as coisas. “O olho, janela da alma, é o principal órgão pela qual o entendimento pode obter a mais completa e magnífica visão dos trabalhos infinitos da natureza”.

“Quanto mais eu fecho os olhos, melhor vejo”.
Shakespeare