14 de novembro de 2010

14 de Novembro - Dia dos Bandeirantes

Família guarani capturada por Bandeirante
Tela de Jean Baptiste Debret 1830.
No dia 14 de novembro se faz homenagem aos bandeirantes, expedicionários que saíam em caminhada para desbravar e descobrir as riquezas do Brasil, além de escravizar os índios, que aqui viviam, obrigando-os a fazerem os trabalhos pesados.
Desde a sua descoberta, o Brasil sempre foi visto como um país de grandes riquezas. Dessa forma, os colonizadores acreditavam que o Brasil era um país cheio de ouro e pedras preciosas, motivo pelo qual organizavam grupos para encontrar metais e pedras preciosas. A essas expedições recebiam o nome de bandeiras.
As bandeiras eram jornadas muito difíceis, pois o grupo de desbravadores caminhava milhares de quilômetros a pé, corriam perigo de serem atacados por animais e índios, percorriam vales e montes fazendo suas buscas. Suas roupas eram de tecidos grossos, usavam calça, camisa e um colete de proteção feito de pele de anta, muito resistente.
Na historiografia brasileira temos vários temas controversos, sendo que o bandeirismo é um deles.
Há quem afirme que os bandeirantes foram heróis, desbravadores do sertão, homens que permitiram ao Brasil ter o grande território que tem hoje. De fato a ação dos bandeirantes, percorrendo as terras americanas para muito além do Tratado de Tordesilhas redefiniu o traçado territorial colonial e foi decisivo para a configuração estabelecida pelo Tratado de Madrid de 1750.
Em contrapartida, há os que os apresentam como mercenários, genocidas, homens cruéis e violentos, que teriam sido os grandes responsáveis pela dizimação de milhares de índios, além de capturarem escravos fugitivos e exterminar com o Quilombo dos Palmares.
No entanto, não podemos deixar de considerar o contexto no qual viviam. Era uma época de extrema pobreza, onde a sobrevivência era difícil. Nem bandidos nem heróis, os bandeirantes eram homens rudes, em sua grande maioria pobres, que já não falavam o português, misturavam-no com dialetos indígenas e que incentivados pela Coroa portuguesa abasteceram as regiões com mão-de-obra e descobriram novas riquezas num momento de crise.

E você? O que acha?
A lei nº. 337, de 10 de julho de 1974, revoga o artigo 3º da Lei n. 9854 de 2 de outubro de 1967, e institui, como letra do Hino Oficial do Estado de São Paulo, o poema "Hino dos Bandeirantes" de Guilherme de Almeida.
Paulista, para um só instante
Dos teus quatro séculos ante
A tua terra sem fronteiras,
O teu São Paulo das "bandeiras"!
Deixa atrás o presente:
Olha o passado à frente!
Vem com Martim Afonso a São Vicente!
Galga a Serra do Mar! Além, lá no alto,
Bartira sonha sossegadamente
Na sua rede virgem do Planalto.
Espreita-a entre a folhagem de esmeralda;
Beija-lhe a Cruz de Estrelas da grinalda!
Agora, escuta! Aí vem, moendo o cascalho,
Botas-de-nove-léguas, João Ramalho.
Serra acima, dos baixos da restinga,
Vem subindo a roupeta
De Nóbrega e de Anchieta.
Contempla os Campos de Piratininga!
Este é o Colégio. Adiante está o sertão.
Vai! Segue a entrada! Enfrenta!
Avança! Investe!
Norte - Sul - Este - Oeste,
Em "bandeira" ou "monção",
Doma os índios bravios.
Rompe a selva, abre minas, vara rios;
No leito da jazida
Acorda a pedraria adormecida;
Retorce os braços rijos
E tira o ouro dos seus esconderijos!
Bateia, escorre a ganga,
Lavra, planta, povoa.
Depois volta à garoa!
E adivinha através dessa cortina,
Na tardinha enfeitada de miçanga,
A sagrada Colina
Ao Grito do Ipiranga!
Entreabre agora os véus!
Do cafezal, Senhor dos Horizontes,
Verás fluir por plainos, vales, montes,
Usinas, gares, silos, cais, arranha-céus!

Autor: Guilherme de Almeida (1890-1969)

Nenhum comentário: