31 de outubro de 2009

Consumo

“Todos comem e bebem;
são poucos os que sabem
distinguir os sabores”.

Confúcio (551 a.C. - 479 a.C.)

Joaquin Sorolla y Bastida
“Se a Beleza sonhada é maior que a vivente,
dizei-me: não quereis ou não sabeis ser sonho?
Eu sou essa pessoa a quem o vento rasga.
Pelos mundos do vento em meus cílios guardadas
vão as medidas que separam os abraços.
Eu sou essa pessoa a quem o vento ensina:
Agora és livre, se ainda recordas...”.

Cecília Meireles (1901-1964)
O artista é aquele que escolheu como profissão e estilo de vida, o estar em contato constante com sua bem-aventurança. Por isso, aconteça o que acontecer, siga a sua bem-aventurança, e não deixe que ninguém o desvie dela. Há uma voz dentro de nós que diz sempre se estamos na direção certa ou fora dela. E se abandonarmos essa direção para ganhar dinheiro, você perdeu sua vida. Se estiver no centro e não conseguir dinheiro, você ainda tem a sua bem-aventurança.
Joseph John Campbell (1904-1987)
Xi Pan
Em sonho, à noite, cidades
e gentes, castelos no ar,
monstros - tudo, bem o sabes,
do escuro da alma a brotar,
tudo é imagem e obra tua,
és tu próprio, em teu sonhar.

Vai à cidade, de dia,
olha as ruas, rostos, nuvens,
e hás de ver maravilhado
que é tudo teu: és o autor!
Tudo que ante os teus sentidos
avulta e vive cem vezes
é bem teu, fundo em ti cala,
sonho que tua alma embala.

Andando sempre em ti mesmo,
ora a estreitar-te, ora a abrir-te,
és o que fala e o que escuta,
o que cria e o que destrói.
Velha e esquecida magia
sagradas miragens fia,
e o mundo com seu portento
vive pelo teu alento.

Hermann Hesse (1877-1962)
O homem é corda estendida
entre o animal e o Super homem:
uma corda sobre um abismo;
perigosa travessia,
perigoso caminhar;
perigoso olhar para trás,
perigoso tremer e parar.

Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900)
Nossa vida é um campo de batalha, da hora de nascermos à hora da morte; é agonia, desespero, sentimento de "culpa", medo, competição incessante, comparação de nós mesmos com outros, esforço para sermos mais e cada vez mais, esforço para controlar-nos, libertar-nos, alcançar novos alvos, conservar o que conquistamos. Nossa vida diária, a cotidiana rotina de nossa existência, é competição, brutalidade, agonia, desespero; solidão; uma constante aflição que não conseguimos resolver, afastar de nós. Tal é o fato, o que realmente é, e nunca fomos capazes de transcendê-lo. Temos uma verdadeira rede de "vias de fuga": campo de futebol, igrejas, religião organizada, museus e concertos e, naturalmente, também a investigação intelectual, que não leva a parte alguma. Tal é a nossa vida, mas isso, evidentemente, não é viver. O viver implica um estado mental inteiramente livre de conflito; livre de todo e qualquer conflito - viver!.
Krishnamurti (1895-1986)

30 de outubro de 2009

Rapsódia de uma noite de vento

René Magritte
Doze horas.
Pelos caminhos da rua
Preso em síntese lunar
A sussurrar encantos lunares
Dissolvem-se os assoalhos da memória
E suas relações claras
Divisões e precisões,
Todo poste que passo
Bate como um tambor fatalista,
E pelos espaços do escuro
A meia-noite chacoalha a memória
Como um louco chacoalha um gerânio morto.

Uma e meia,
A luz do poste gagueja,
A luz do poste rumoreja,
A luz do poste diz, “Veja aquela mulher
Que hesita na tua direção à luz da porta
Que se abre a ela como uma bocarra.
Vê-se que a barra do vestido
Está rota e suja de areia,
E que o canto do olho dela
Se retorce como um alfinete”.

A memória vomita alta e seca
Uma turba de coisas tortas;
Um galho retorcido sobre a praia
Carcomido, liso, polido
Como se o mundo entregasse
O segredo de seu esqueleto
Branco e rijo.
Uma mola quebrada numa fábrica,
Ferrugem que se prende à forma que a força abandonara
Dura e tesa e prestes a estourar.

Duas e meia,
A luz do poste diz,
“Note o gato à sarjeta, como se aconchega,
Vi olhos na rua
Tentando espiar pelas cortinas acesas,
E um siri à tarde numa poça,
Um siri velho com cracas nas costas;
Prendendo a ponta do graveto que estendi pra ele.
Mostra a língua
E devora um rançoso naco de manteiga”.
Então a mão da criança, automática,
Saiu e embolsou um brinquedo que corria pela pedreira.
Não pude ver nada por trás do olhar daquela criança.

Três e meia,
A luz do poste gagueja,
A luz do poste rumoreja no escuro.

A luz entoou:
“Veja a lua,
La lune ne garde aucune rancune,
Ela pisca um olho flébil
Ela sorri nas esquinas.
Alisa o cabelo da relva
A lua perdeu a memória.
Uma varíola lavada racha-lhe o rosto,
Sua mão retorce uma rosa de papel,
Com cheiro d’água de colônia velha e pó
Ela está só
Com todos os cheiros noturnos
Que cruzam e cruzam os cruzamentos de seu cérebro.
A reminiscência vem
De gerânios secos sem sol
E poeira nos cantos,
Cheiros de castanhas nas ruas,
E cheiros de mulher em quartos cortinados,
E cigarros nos corredores
E cheiros de coquetéis nos bares”.

A luz diz,
“Quatro horas, Eis o número na porta.
Memória!
Você tem a chave,
A luz espalha um círculo na escada,
Suba.
A cama aberta; a escova de dente pendurada,
Sapato à porta, durma, a vida o aguarda”.

A torção final da facada.

T. S Eliot (1888-1965)
Tradução: Adriano Scandolara

"Redige tua Vida no Indicativo e no Imperativo.
Nada se faz no Condicional."

Charles Duplessy
Só no seu íntimo existe
aquela outra realidade pela qual você anseia.
Não posso dar-lhe nada que não exista dentro de você.
Não posso abrir-lhe outra galeria
de quadros além da sua própria alma.

Hermann Hesse, em - O Lobo da Estepe (1877-1962)

Passeio em sonhos

Claude Théberge
Cansado
Passeio em sonhos
Pelas brancas cabeleiras das ondas
Que se estilhaçam
como ínfimos cristais aquáticos
Obedecendo aos ventos e às correntes

Avançando ligeiro, de encontro à areia.
E retornando a si mesmas,
Deslizam, num súbito encaracolar
Como uma reverência profunda, infinita
Prontas para uma nova impulsão

Um novo ciclo
Mares, rios, oceanos
Quantos mistérios e nuances
Quanta majestade
Em teu silencioso murmurar.

Tereza Kawall
Sequestrou e entregou a justiça assassino da filha
Dieter Krombach (assassino) e Kalinka (vítima)
Cansado de tentar, por 27 anos, que a Alemanha extraditasse para a França o responsável pela morte da sua filha menor, pai sequestrou o criminoso e o abandonou amarrado junto ao tribunal da cidade francesa de Mulhouse. Agora autoridades alemãs querem condenar o pai sequestrador e libertar o assassino: criou-se um incidente diplomático entre os dois países.
Ao ser encontrado pelas autoridades francesas, alertados por um telefonema anônimo, foi levado inicialmente para um hospital sob custódia policial e depois transferido para prisão, à disposição da justiça, por estar condenado pelo assassinado e violação da jovem francesa, Kalinka Bamberski, de 14 anos em 1982.
Desde 1995 a França emitiu um mandato internacional de captura para Krombach, mas as autoridades alemãs recusaram-se a entregá-lo porque ele já tinha sido julgado num tribunal alemão e declarado inocente por falta de provas.
O pai da vítima, André Bamberski, 72 anos, também encontra-se preso, por ter sido o autor do sequestro, identificado como autor do telefonema anônimo.
André Bamberski, o pai da jovem sempre acusou o médico de a ter drogado e violado e acionou os tribunais alegando que quem fez a autópsia foram médicos alemães amigos do cardiologista que ocultaram a violação.
Krombach continuou a viver e a exercer cardiologia na Alemanha sem ser molestado pela lei, no que se refere ao caso.
Dando ainda mais suporte a versão do pai de Kalinka, o alemão, mais tarde, foi condenado, noutro processo na Alemanha, 1997, por abusar sexualmente de uma paciente de 16 anos, depois de anestesiá-la para uma cirurgia, mas a pena foi reduzida a liberdade condicional. Em 2007 foi novamente condenado a dois anos e quatro meses de prisão por burla, noutro processo.
Agora o seu advogado tenta soltá-lo da prisão francesa, sob o argumento de que o assassino foi entregue à França através de método ilegal.
O governo alemão se recusa a aceitar que um cidadão considerado inocente, no seu país, seja raptado e levado através da fronteira com a França e preso como condenado em território francês.
Especialista em direito internacional, mostram que a Alemanha tem poucas opções para assegurar a libertação Krombach.
O Ministério Público francês, que vêm tentando impor a condenação contra o médico há 14 anos, não está disposto a deixar o prisioneiro escapar do cumprimento da pena. Por outro lado, o Ministério Público alemão anunciou que emitiu um mandado de detenção europeu contra o francês Andre Bamberski, pelo crime de seqüestro. As negociações diplomáticas levará meses, e o resultado está longe de lhe ser favorável.
André Bamberski, o pai que nunca desistiu da promessa que fez no túmulo de sua filha, que o seu assassino seria pego, acha que atingiu parte dos seus objetivos, e não importa o que vai lhe acontecer, mas o que vai acontecer ao responsável pela morte de Kalinka.

Fonte: http://thepassiranews.blogspot.com

29 de outubro de 2009

A Embriaguez também é Necessária

Nicolas Lancret
Às vezes também é preciso chegar até a embriaguez, não para que ela nos trague, mas para que nos acalme: pois ela dissipa as preocupações, revolve até o mais fundo da alma e a cura da tristeza assim como de certas enfermidades. E Líber foi chamado o inventor do vinho não porque solta a língua, mas sim porque liberta a alma da escravidão das inquietações; restabelece-a, fortalece-a e fá-la mais audaz para todos os esforços. Mas, como na liberdade, também no vinho é salutar a moderação. Crê-se que Sólon e Arcésilas eram dados ao vinho; a Catão, reprovou-se-lhe a embriaguez: mais facilmente se fará honesto esse crime do que Catão desonroso.
Sêneca (4 a.C - 65 d.C),
in 'A Traquilidade da Alma'
Um trecho do Tao Te King, um livro escrito há 2.500 anos, e que nos fala do caminho perfeito:
“Os raios convergem para o centro da roda,
mas é o espaço vazio entre eles que permite o veículo andar.
O oleiro modela o barro para fazer um copo,
mas é o espaço vazio no centro que faz com que um copo seja útil.
Uma casa é construída de madeira sólida e dura,
mas é o espaço vazio dentro dela que nos permite habitá-la”.

King Tse comenta este trecho:“Deus não julgará o copo, mas o que colocamos lá dentro. Não julgará as paredes da casa, mas a harmonia que colocamos em seu interior”.
Imagem da Folha de SP
Ativistas da organização não governamental (ONG) Greenpeace realizaram esta semana uma manifestação ao lado do Palácio Itamaraty. Os manifestantes entraram no espelho d'água em frente à sede do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e estenderam uma faixa de 15 metros de comprimento, na qual estavam expostas 108 petições com a bandeira de cada um dos estados brasileiros. Sinceramente acho que perderam a noção de ridículo. Eles só querem que o Lula salve o planeta. Só isso.
Oh! Jesus tentou isso e não conseguiu, por que Lula poderia fazer isso?
Drogas – Bebidas
Picasso - The Absinthe Drinker
Por que as pessoas bebem tanto? E por que consomem tantas drogas?
Dizer que o problema está na educação não é verdade porque há inúmeros drogados e bêbados que são da classe média e com diplomas.
Nunca os balcões de bar e as reuniões dos Alcoólicos Anônimos receberam tantas pessoas; o que está por trás dessa sede toda?
Será porque existe muita infelicidade devido a não se alcançar tanto dinheiro?
Porque a felicidade não se conquista tão facilmente?
Porque não temos segurança familiar muito mais que a segurança pública, pois é aí que se espera mais apoio?
O vazio que eles tentam preencher com a bebida ou droga não será encontrado na Escola e nem nos policiais e sim na família que está esfacelada.
Não seria o caso de se refletir sobre isso?

27 de outubro de 2009

Os Homens são como as Crianças

Christoffer Wilhelm Eckersberg
A atitude que nós temos para com as crianças é a atitude que o sábio tem para com todos os homens, que são pueris mesmo após a idade madura e os cabelos brancos. O que terão progredido estes homens, cujos males da sua alma apenas se tornaram em maiores males, que em forma e grandeza corporais tanto diferem das crianças, mas que em tudo o resto não são menos ligeiros e inconstantes, correndo atrás dos desejos sem refletirem, agitados e que quando se aquietam é por medo, não por engenho seu?
Diria que aquilo que distingue as crianças dos homens é que a avidez das crianças é por dados, nozes e pequenas moedas de ouro, enquanto que a dos homens é pelo ouro e pela prata das cidades; uns imaginam magistrados entre eles mesmos e imitam a toga, o facho e o tribunal, os outros jogam os mesmos jogos, mas a sério, no Campo de Marte, no Fórum e na Cúria; uns, amontoando areia à beira-mar, constroem simulacros de casas, os outros, como quem executa uma grande obra, trabalhando a pedra na construção de paredes e tetos, fazem aquilo que os devia abrigar um verdadeiro perigo. Por isso, entre crianças e homens-feitos o erro é igual, diferindo apenas o objeto e a importância.
Assim sendo, não é por acaso que o sábio recebe as ofensas dos homens como brincadeiras e, de vez em quando, os admoesta e castiga, não porque tenha sofrido a injúria, mas sim porque a cometeram e para que não a repitam. É também com a vergasta que domamos os animais, e não nos iramos com eles quando eles recusam ser montados, mas reprimimo-los, para que a dor vença a sua teimosia. Vês assim resolvida aquela objecção que nos fazem: se o sábio não sofre a injúria nem a ofensa, porque pune os que as cometeram? De facto, ele não se vinga, ele emenda-os. >
Sêneca (4 a.C - 65 d.C),
in 'Da Constância do Sábio’. )

Que o CANTO dos pássaros,
chegue ao seu OUVIDO,
e cante a mesma CANÇÃO
que canta em meu CORAÇÃO!

Rose Costa

Alma Livre

Henri Lebasque
Dizes-me difícil
Por não compactuar com maniqueísmos
Por defender meus direitos.
Dizes-me difícil
Quando discuto e me altero
Não abaixando a cabeça.
É que não tenho receio
Enfrento as situações sem medo.

Entenda, é a minha realidade.
Tenho minha alma livre
Meus sonhos compostos
Meus ideais definidos
Não sou peça de jogo
Do qual já conheço as regras
Sou gente, eu penso... Eu vivo
Não permito que me digas
Que fique quieta no meu canto
Não tenho dono
Tampouco conseguirás
Que eu seja submissa!
Tenho minha alma livre!

MJSpeglich

Metade pássaro

Gustav Klimt
A mulher do fim do mundo
Dá de comer às roseiras,
Dá de beber às estátuas,
Dá de sonhar aos poetas.

A mulher do fim do mundo
Chama a luz com assobio,
Faz a virgem virar pedra,
Cura a tempestade,
Desvia o curso dos sonhos,
Escreve cartas aos rios,
Me puxa do sono eterno
Para os seus braços que cantam.

Murilo Mendes (1901-1975)

26 de outubro de 2009

Se caíres
levanta.
saiba que
ao levantar
que cairás de novo.
Não desespere
Pois cada levantar
A um novo nível
Te levará
E mais perto do TODO
Te sentirás.
Até que um dia
NELE permanecerás.

Pierre Well (1924-2008)
“Algum dia...
Quando tivermos dominado os ventos,
as ondas, as marés e a gravidade
utilizaremos as energias do amor!
Então, pela segunda vez
na história do mundo,
o homem descobrirá o Fogo!”

Teilhard de Chardin (1881-1955)

Chupeta, uma invenção alemã, completou 60 anos
Criada em 1949 pelos alemães Adolf Müller e Wilhelm Balters, a chupeta acalma os bebês e dá sossego aos pais. Escavações na Itália, no Chipre e na Grécia sugerem que, há mais de 3 mil anos, a humanidade já buscava alternativas para tranquilizar as crianças, mantendo-as ocupadas com algo que pudessem sugar enquanto o peito da mãe não estivesse disponível.
No Antigo Egito, os objetos dados aos pequenos da época eram simples figuras de animais feitas com barro e adoçadas com mel. Mais tarde, tornou-se comum mergulhar linho grosso em mel, leite, extrato de papoulas, conhaque ou em láudano, um medicamento feito à base de ópio, antes de levá-los à boca das criancinhas. Como se nota, a ideia da chupeta já é antiga, mas o conceito do formato atual, com bico, escudo e argola, surgiu apenas no século 19, acabando, então, com o risco de que bebês engasgassem ou mesmo engolissem esses objetos.
Apesar da grande evolução por que passou o produto, o substituto para o peito materno ainda estava longe do ideal. Feito à base de borracha, o bico ainda era muito duro e também podia ser tóxico. Mães e profissionais da área de saúde seguiram, portanto, debatendo as vantagens e desvantagens do hábito de sucção desses materiais.
A invenção alemã faz sucesso há seis décadas, mas o professor de Fonoaudiologia Heinrich Pfaar diz que nem tudo é motivo de festa. Um dos problemas vistos por ele é o antigo costume de dar sabor ao objeto de sucção. "Ainda hoje, algumas pessoas frequentemente mergulham a chupeta no mel ou passam um pouco de geléia ou alguma outra coisa nela, o que leva ao surgimento de cáries", explica o professor.
Má formação dentária também é associada à chupeta. Por isso, Heinrich Pfaar sugere que crianças não usem mais chupetas a partir dos 2 anos de idade. Pais e mães do mundo todo sabem que isso não é fácil. Na Alemanha, um método considerado duro é o de passar mostarda no bico até a criança ficar com aversão do objeto.
Muitos pais preferem adotar medidas menos drásticas, como chamar a "Fada da Chupeta" para que, em uma visita misteriosa, ela leve o objeto embora e deixe um presente como substituto.

Fonte: www.DW-WORLD.DE/brasil
Em tempo: Conheci uma pessoa que chupava bico (aqueles bicos de mamadeira) até 8 anos e ainda colocava a mão no meio do bico e ficava sugando.
Que coisa! Minha mãe me disse que eu nunca aceitei chupeta.

25 de outubro de 2009

Soneto 43

Giorgione - Le Concert Champetre
Meus olhos veem melhor se os vou fechando.
Viram coisas de dia e foi em vão,
mas quando durmo, em sonhos te fitando,
são escura luz que luz na escuridão.
Tu cuja sombra faz a sombra clara,
como em forma de sombras assombravas
ledo o claro dia em luz mais rara,
se em sombra a olhos sem visão brilhavas!
Que bênção a meus olhos fora feita
vendo-te à viva luz do dia bem,
se tua sombra em trevas imperfeita
a olhos sem visão no sono vem!
Vejo os dias quais noites não te vendo,
e as noites dias claros sonhos tendo.

William Shakespeare (1564-1616)

Solucionando

Van Gohg
Van Gogh cortou a própria orelha e
a deu para uma
prostituta
que com
nojo
extremo
atirou-a ao vento.
Van, putas não querem
orelhas
elas querem
dinheiro.
Acho que agora sei por que
você foi um grande
pintor: você
não compreendia
as outras coisas da vida.

Charles Bukowski (1920-1994)
(...) Sou salva pela metáfora, a única realidade.
A ciência não salva, porque insiste em chamar
as coisas por seus nomes e quem suporta isto?
O amor é a mais fantástica metáfora, a realidade mais incrível.
Pedro ama em mim o que serei quando for.

Adélia Prado
Olho,
à janela,
o tempo
que passa
e não espera
ninguém.

Tempo ingrato
Tempo que marca
a vida,
tempo perdido
no tempo,
tempo alegre,
tempo bom.

O tempo
é como o rio:
transporta
a vida
na barquinha
das recordações...

Delores Pires

24 de outubro de 2009

“A liberdade
tem o tamanho
de nossa responsabilidade.
Quanto mais somos livres,
mais responsáveis”.

Emmanuel