31 de março de 2009

Bayazid de Bistam, um dos pais fundadores do sufismo, foi procurado por um visitante. O visitante, não o encontrando, esperou no jardim, depois passou a revistar a casa de ponta a ponta; finalmente encontrou-o num canto e começou a xingá-lo: “Já faz trinta minutos que eu te procurava, e só agora te encontro!” Bayazid lhe responde: “Você teve é muita sorte! Faz trinta anos que eu me procuro, e ainda não me encontrei!”.
Do livro: Meditação e Cura Psicossomática
Autor: Dr. Jacques Vigne

Jânio Quadros

Jânio da Silva Quadros (Campo Grande, 25 de janeiro de 1917 - São Paulo, 16 de fevereiro de 1992) foi um político e o vigésimo segundo presidente do Brasil; entre 31 de janeiro de 1961 e 25 de agosto de 1961 - data em que renunciou, alegando que "forças ocultas" o obrigavam a esse ato. Em 1985 elegeu-se prefeito de São Paulo pelo PTB.
Jânio Quadros estava na tênue fronteira entre o pitoresco e o ridículo.
Seu discurso, para presidente, como é praxe de todo político, era o de acabar com a corrupção no Brasil. Para isto usou como mote da campanha um jingle assim: "varre, varre vassourinha, varre a corrupção, / varre, varre a bandalheira / que o povo já ta cansado / de sofrer dessa maneira”.
Pois bem, conseguiu convencer o povo primeiro como presidente e depois como prefeito, onde dizia que seria “O Prefeito”!
Costumava dar respostas bem atravessada e dizia-se que bebia muito. Quando questionado a razão de beber tanto ele respondeu: “Bebo porque é líquido, fosse sólido, comê-lo-ia”.
Em suas últimas aparições estava esvaído, inerme, sendo levado de um lado a outro de cadeira de rodas. Sua filha Dulce o criticava e já naquela época dizia-se que ele tinha contas no exterior – Suíça.
Agora na semana passada com a Operação “Castelo de Areia” da Polícia Federal descobriu-se que o doleiro indiciado na operação trabalhou para descobrir as contas de Jânio a pedido de seu neto que também chama-se Jânio.
O problema é que Jânio havia esquecido os números das contas e também com sua doença não se lembrava onde havia guardado tais números e a família está louca atrás desse dinheiro.
É claro que você sabe de onde veio este dinheiro. Na verdade ele é nosso, mas jamais iremos receber.
Pra vocês verem que esse discurso de acabar com a corrupção é apenas discurso, na verdade todos pegam dinheiro por fora.

‘O Humanismo Renascentista’


O Renascimento (séc. XIV-séc. XVII)
Michelângelo Buonarotti - A Criação de Adão.
Principais Características:
Fatos Históricos:
Escultura
- Realismo,
- Influência Gótica,
- Racionalidade,
- Rigor Científico.
- início da Pintura à óleo,
- Joana D’Arc é queimada,
- Invenção do Relógio e do Telescópio,
- Michelângelo (Pietá),
- Verocchio (Davi),
Pintura
Arquitetura
Influência no Brasil
- Perspectiva com princípios de matemática e geometria,
- Luz e sombra,
- Boticelli, Da Vinci, Raphael
- Proporcionalidade de espaços,
- Filippo Brunelleschi,
- Catedral de Florença.
- Descobrimento do Brasil
- Primeiros escravos,
- Franceses chegam ao Brasil.
A história humana se constrói a partir de um movimento de mudança. Mudar implica rompimento com aquilo que já está estabelecido como parâmetro de verdade, para se estabelecer um novo jeito de pensar e de agir. As grandes revoluções não só são feitas por armas, mas, sobretudo com as ideias. Acredito que o século XVI pode ser caracterizado como o século de uma grande revolução, que tinha como única arma a razão humana. Neste palco medieval ela é exaltada, honrada, como aquilo que há de mais especial no ser humano. A razão é vista como a luz que clareia um espaço medieval envolvido pela sombra das trevas. Ela agora ocupa um espaço livre rompendo com o dogmatismo da instituição religiosa, que determinava o que era verdadeiro ou falso.
No século das luzes os homens são instigados a pensar de um jeito novo, diferente, revolucionário. O homem renascentista ressuscita em si mesmo o desejo de realizar grandes transformações. Ele quer ser protagonista, sujeito de uma história nova, moldada pela liberdade. O homem se descobre como um ser especial e autônomo. Ele se descobre como o co-criador do universo. O homem renascentista passa a ter uma concepção de mundo diferente do homem medieval. O homem do medievo olhava o mundo e a natureza sempre tendo com expoente de referência Deus. A natureza era vista como algo misterioso e temido. Tudo era atribuído a um ser transcendental. Todo fenômeno da natureza tinha uma ligação direta com Deus. O homem renascentista diferente do homem medieval, não só se propõe a desvendar os mistérios da natureza, mais se utiliza da mesma para realizar suas experimentações.
O pensamento renascentista é perpassado por mudanças na esfera religiosa. No universo religioso destacam-se duas figuras importantes: Erasmo de Roterdã e Martinho Lutero. Erasmo se utilizou das ideias renascentistas para contribuir com uma reforma religiosa sem romper com a Igreja. Lutero, ao contrário, se utilizou do pensamento renascentista rompendo definitivamente com a Igreja.
A Reforma Protestante iniciada por Lutero e posteriormente continuada por Calvino e tantos outros líderes religiosos, veio questionar as estruturas organizacionais da Igreja, suas doutrinas, seus dogmas.
No campo da política ocorrerá uma nova maneira de pensar a política. Maquiavel, com sua obra “O Príncipe” será o que irá modificar o pensamento político. Será ele o primeiro a desenvolver uma ciência política. Maquiavel pensará a política desvinculada da dimensão religiosa. Pensará a política em si mesma.
Outro pensador que se destacou no campo da política foi Tomás More. Na sua obra Utopia, More exprime o sonho, os desejos de uma humanidade que espera ansiosamente viver em uma sociedade diferente, onde todos sejam iguais, onde desapareçam as diferenças econômicas, onde se acabe os status sociais, onde o trabalho seja um direito de todos. Na sociedade pensada por More, todos viverão pacificamente, respeitando as diferenças religiosas.
No campo da ciência haverá grandes inovações com a contribuição importante de Galileu Galilei. Com a criação do seu instrumento de observação, Galileu passa a desenvolver uma teoria diferente sobre a concepção do mundo, e consequentemente da sociedade.
A partir do aprofundamento das ideias de seu antecessor Copérnico, Galileu chega a questionar a visão medieval de mundo. Em oposição a teoria geocêntrica, ou seja, que a terra era o centro do universo e que o sol girava ao seu redor, Galileu propõe o heliocentrismo.
A ideia de Galileu revolucionou sua época, não só destruindo certas crendices, mas pondo em questionamento a própria estrutura institucional da Igreja.
No Renascimento a observação dá lugar a especulação. A partir do Renascimento só pode ser considerado verdadeiro aquilo que passar pelo crivo do método experimental da ciência.
O humanismo renascentista emerge o homem na razão científica educando-o para o livre pensar e agir sobre a natureza, o mundo e o próprio homem moderno que surgia.
Artistas do Renascimento:
  • Marco Basaiti (1470-1530)
  • Giovanni Bellini (1430-1516)
  • Paris Bordone (1495-1570)
  • Sandro Botticelli (1445-1510)
  • Moretto da Brescia (1498-1554)
  • Michelangelo Buonarroti (1475-1564)
  • Vincenzo di Biagio (1470-1531)
  • Piero Di Cosimo (1462-1521)
  • Leonardo da Vinci (1452-1519)
  • Fra Angelico (Guido di Pietro) (1395-1455)
  • Domenico Ghirlandaio (1449-1494)
  • Giorgione Giorgio da Castelfranco (1477-1510)
  • Fra Filippo Lippi (1406-1469)
  • Filippino Lippi (1457-1504)
  • Lorenzo Lotto (1480-1556)
  • Bernardino Luini (1480-1532)
  • Masaccio (1401-1428)
  • Masolino da Panicale (1383-1447)
  • Antonello da Messina (1430-1479)
  • Pietro Perugino (1446-1524)
  • Raffaello Sanzio (1483-1520)
  • Girolamo Romanino (1484-1560)
  • Titian (Tiziano Vecellio) (1485-1576)
  • Bartolomeo Veneto (1502-1555)

30 de março de 2009

“Nunca, mas nunca, a natureza
seguiu um caminho e a sabedoria outro”.

Edmund Burke

Flor na correnteza

Monet
Solta a flor na correnteza
Longe, alguém desconhecido
faz um gesto distraído
e colhe a flor de surpresa.

Helena Kolody (1912-2004)

Edmund Blair Leighton - Alain Chartier
AGORA
É o tempo
é a vez, é o momento
instante exato de começar
Presente perfeito
Certeza tranquila
Euforia incontida
Viver, viver
Amar.

Lia Sena
Teoria de Gaia
A Teoria de Gaia, é uma tese que sustenta ser o planeta Terra um ser vivo. A hipótese foi apresentada em 1969 pelo investigador britânico James E. Lovelock, afirmando que a biosfera do planeta é capaz de gerar, manter e regular as suas próprias condições de meio ambiente.
Para chegar a essas conclusões, o cientista britânico, juntamente com a bióloga estaduniense Lynn Margulis analisaram pesquisas que comparavam a atmosfera da Terra com a de outros planetas, vindo a propor que é a vida da Terra que cria as condições para a sua própria sobrevivência, e não o contrário, como as teorias tradicionais sugerem.
O nome Gaia é uma homenagem à deusa grega Gaia (nome da antiga deusa grega pré-helênica que simbolizava a Terra viva). Vista com descrédito pela comunidade científica internacional, a Teoria de Gaia encontra simpatizantes entre grupos ecológicos, místicos e alguns pesquisadores. Com o fenômeno do aquecimento global e a crise climática no mundo, a hipótese tem ganhado credibilidade entre cientistas.
Naquilo que escrevemos surge o nível do nosso preenchimento, da nossa profundidade, da nossa capacidade de matar a sede do mundo. O texto é a confissão do nosso grau de maturidade. Na medida em que assimilei tudo o que vi e vivi, escrever é abrir as comportas. Confidenciar-me em público. Ou, como dizia o poeta Mário Quintana, numa entrevista: "Eu nunca escrevi uma vírgula que não fosse confessional".
Gabriel Perissé

29 de março de 2009

Aqueles que acham um problema
Quando refaço algum poema
Saibam por que problema eu passo:
É a mim mesmo que refaço.

William Butler Yeats (1835-1939)

Da Revolução Industrial à Era dos Blogs
Desde a Revolução Industrial, que substituiu a ferramenta pela máquina e a burguesia se solidificou juntamente com o capitalismo que as mudanças não param de crescer. Foi um momento altamente revolucionário, de passagem da energia humana para a motriz, ponto culminante de uma evolução tecnológica, social e econômica, que vinha se processando na Europa desde a Baixa Idade Média. Tudo isso se tornou possível a partir da invenção da máquina a vapor, além de um salto tecnológico que, juntos, acabaram impulsionando a industrialização mundial.
A partir daí, a velocidade dos acontecimentos foram num crescente. E, hoje atingiu um desenfreado desenvolvimento tecnológico culminando com as informações em tempo real que a internet nos proporciona.
Não faz muito tempo em que era normal se inteirar do que acontecia no mundo pelo jornal matutino. Hoje, esses jornais servem mais para analisar as notícias do que propriamente informar em primeira mão. Essa informação temos instantaneamente, muitas vezes sem a preocupação com a qualidade da noticia. Não importa o veículo, se cabo ou internet... O que importa mesmo é a velocidade com que ela é divulgada.
E a internet, até o momento, é o topo desse desenvolvimento tecnológico, que nos conecta com o mundo inteiro instantaneamente. Através da internet podemos conversar ao vivo com pessoas do outro lado do planeta, trocar informações e nos mantermos informados sobre tudo o que se passa em qualquer país, por mais distante que esteja.
Com o advento da rede mundial, em que todos podem participar, publicar e gerar conteúdos, os blogs surgiram como a principal ferramenta deste fenômeno, democratizando definitivamente o acesso de todos à comunicação. No Brasil, estima-se que 25% dos internautas brasileiros leiam blogs todos os dias em busca de informação, divulgação ou entretenimento.
Os hábitos de aquisição de informação vêm mudando radicalmente desde o surgimento da imprensa, do telégrafo, do telefone, do rádio e da televisão. A cada nova invenção, o homem ansiava por um pouco mais de informação disponível. Até a aparição da internet, onde temos infinitas possibilidades e fontes de informação. E esta última mudança foi tão repentina que a maioria de nós, adultos, ainda se lembra da época em que os computadores eram máquinas ligadas à ficção científica.
Com a blogosfera, um contingente praticamente ilimitado de leitores de um lado e escritores de outro, surgiu a oportunidade de não apenas procurar pela informação, mas também de criá-la, através dos milhares de escritores que surgem todos os dias. São milhares de novos blogs sendo criados a cada dia, onde encontramos, além de informações “jornalísticas” sobre os acontecimentos cotidianos, podemos nos surpreender com novos e ótimos poetas, dramaturgos, cronistas e até humoristas.
Eu estou na blogosfera há dois anos e posso dizer que isto aqui é viciante e muito interessante. Podemos expressar o que pensamos e sempre alguém lê. Quando alguém comenta há uma interação e isso é fascinante.

E você? Como vê tudo isso?
Notas sobre alguns escândalos:
1. Imaginem se o filho de Lula tivesse o mesmo emprego da filha de FHC. Como estariam as manchetes na imprensa racista brasileira? Impeachment e umas 10 CPIs
2. Conversas telefônicas interceptadas com a autorização da Justiça mostram que os diretores da empreiteira Camargo Corrêa distribuíram dinheiro "por fora" para abastecer campanhas de candidatos até dias antes da eleição municipal do ano passado. Adivinhem quem foi o maior beneficiado? O candidato a prefeitura de São Paulo, ou seja, Gilberto Kassab do DEM
A Globo é muito sacana, para abafar o caso, que saiu justamente no dia seguinte em que FHC dividiu a bancada do Jornal das Dez com o SaDEMberg, eles resolveram entregar todo mundo no Senado. Mas se fosse o filho do Lula, PQP, era motivo de CPI e de impeachment.
3. Em boca fechada não entra mosca. Muito menos cupim. Fernando Henrique Cardoso podia ter ficado quieto no seu canto, mas quis tirar uma lasquinha na campanha de denúncias contra o Senado e quebrou a cara. Você recorda que FHC, numa entrevista recente, cheio de moral, disse que Senado não representa mais nada e está sendo comido por cupins, que é como ele chamou os funcionários fantasmas? O problema com o ex-presidente é que, abrindo a boca, fez com que um dos cupins mais roliços fosse identificado com nome e sobrenome: Luciana Cardoso. Isso mesmo, a filha dele. Agora nem ele nem o “belo” Heráclito Fortes falam.
4. O Vaticano defendeu nesta quarta-feira a oposição do papa Bento 16 ao uso de camisinhas como meio de prevenir a Aids, enquanto ativistas, médicos e políticos criticaram a posição, dizendo que é perigosa, não é real nem científica.
Afinal o que o Papa entende de camisinha? Ele nunca usou não é? Ou usou?

28 de março de 2009

Folhas secas do outono
tapete do coração
Outono colorido,
onde as árvores sorriem,
as folhas dançam,
ao som das baladas que o vento traz,
luxuriosamente vestidas de mil cores,
mil cores que encantam,
como se tudo fosse magia!

Tere Penhabe

“Sem leitura não se pode escrever. Tão-pouco sem emoção, pois a literatura não é, certamente, um jogo de palavras. É muito mais. Eu diria que a literatura existe através da linguagem, ou melhor, apesar da linguagem”.
Jorge Luis Borges (1899-1985)
“A doutrina de que Deus está no mundo tem um importante corolário prático - o caráter sagrado da Natureza, e o pecado e a loucura dos esforços presunçosos do homem para ser seu senhor, em vez de ser o seu colaborador inteligentemente dócil. As vidas subumanas e até as coisas devem ser tratadas com respeito e compreensão, e não brutalmente oprimidas para servir aos nossos propósitos humanos”.
Aldous Huxley (1894-1963)
Nicolas Lancret
Há no ambiente um murmúrio de queixume,
De desejos de amor, d'ais comprimidos...
Uma ternura esparsa de balidos,
Sente-se esmorecer como um perfume.

As madressilvas murcham nos silvados
E o aroma que exalam pelo espaço,
Tem delíquios de gozo e de cansaço,
Nervosos, femininos, delicados.

Sentem-se espasmos, agonias d'ave,
Inapreensíveis, mínimas, serenas...
--- Tenho entre as mãos as tuas mãos pequenas,
O meu olhar no teu olhar suave.

As tuas mãos tão brancas d'anemia...
Os teus olhos tão meigos de tristeza...
--- É este enlanguescer da natureza,
Este vago sofrer do fim do dia.

Camilo Pessanha (1867-1926)

O homem deseja e odeia a verdade.

Pierre Subleyras
O homem deseja e odeia a verdade. Quer mentir aos outros - quer que o enganem (prefere a ficção à realidade), mas por outro lado receia o engano, quer o fundo das coisas, o verdadeiro verdadeiro, etc.
Somente a razão conduz à verdade. Mas só os fanáticos, os visionários e os iluminados fazem as coisas grandiosas, mudanças, descobertas. A verdade, de tanto se tornar necessária, conduz à secura, à dúvida, à inércia - à morte.
É muito natural que os homens odeiem aqueles que dizem ou tentam dizer a verdade. A verdade é triste (dizia Renan) - mas, com maior frequência, é horrível, temível, anti-social. Destrói as ilusões, os afectos. Os homens defendem-se como podem. Isto é, defendem a sua pequena vida, apenas suportável à força de compromissos, de embustes, de ficções, etc. Não querem sofrer, não querem ser heróis. Rejeição do heroísmo-mentira.
Giovanni Papini (1881-1956) ,
in 'Relatório Sobre os Homens'.

27 de março de 2009

Nascimento da Poesia

“Da briga do homem com outros
surge a retórica;
da briga do homem consigo mesmo
nasce a poesia”.

William Butler Yeats (1899-1986)


Brinquemos!

Sandra Kuck - Mother's Joy
Ai! Brinquemos, filho meu:
sou a rainha, és o rei.

É teu esse verde campo.
De quem mais podia ser?
Por ti as ondas da alfafa
ao vento hão de estremecer.

É todo teu esse vale.
De quem mais podia ser?
Para que nos deliciemos
o pomar será de mel.

(Não é certo que tiritas
como o infante de Belém,
que o seio de tua mãe
secou de tanto sofrer.)

O cordeiro torna espessa
a lã que eu hei de tecer.
São teus também os apriscos.
De quem mais podiam ser?

E todo leite do estábulo
que das fontes vai correr,
e o regalo das colheitas,
de quem mais podiam ser?

(Não é certo que tiritas
como o infante de Belém
que o seio de tua mãe
secou de tanto sofrer.)

Sim! Brinquemos, filho meu:
sou a rainha, és o rei.

Gabriela Mistral (1889-1957)
Tradução Henriqueta Lisboa
Gustav Klimt
Quero acabar entre rosas, porque as amei na infância.
Os crisântemos de depois, desfolhei-os a frio.
Falem pouco, devagar.
Que eu não ouça, sobretudo com o pensamento.
O que quis? Tenho as mãos vazias,
Crispadas flebilmente sobre a colcha longínqua.
O que pensei? Tenho a boca seca, abstrata.
O que vivi? Era tão bom dormir!

Álvaro de Campos
Fernando Pessoa (1888-1935)

O Impossível Carinho

Claude Théberge
Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo
Quero apenas contar-te a minha ternura
Ah se em troca de tanta felicidade que me dás
Eu te pudesse repor
- Eu soubesse repor -
No coração despedaçado
As mais puras alegrias de tua infância!

Manuel Bandeira (1886-1968)

A novela inacabada

Lord Frederick Leighton
A novela inacabada,
Que o meu sonho completou,
Não era de rei ou fada
Mas era de quem não sou.

Para além do que dizia
Dizia eu quem não era...
A primavera floria
Sem que houvesse primavera.

Lenda do sonho que vivo,
Perdida por a salvar...
Mas quem me arrancou o livro
Que eu quis ter sem acabar?

Fernando Pessoa (1888-1935)

26 de março de 2009

Brenda Burke
Ainda existe a rosa nos cabelos
vermelhos da poesia.

Ainda há força
no azul do seu mistério, no seu canto,
no eixo de sua aérea encruzilhada.

Ainda, a sua origem, seu mais íntimo
silêncio: o veludoso ardor das pétalas,
o aroma das amoras no políndromo,
das palavras de aladas peripécias.

Ainda, esta morada, o seu precioso
espaço interior, o alumbramento
da forma em desatino, a descontínua
perspectiva do ser na travessia.

Ainda, a sua angústia, o novo tempo
se exaurindo nas coisas, lapidando
os favos da romã e consumindo
seu avesso de fogo e sutilezas.

E ainda a sua imagem:
lago, espelho,
alma e corpo submerso, o indelével
estribilho do amor e seu disfarce,
e seus pontos de cruz na superfície.

Gilberto Mendonça Teles
René Magritte
Devemos abominar o ensino que não vivifica,
o saber que amolece a atividade,
a história encarada como
precioso supérfluo e fluxo do conhecimento –
falta-nos o necessário, e o supérfluo é inimigo do necessário.

Johann von Goethe (1749-1832)
Kim Anderson
Tuas palavras antigas
Deixei-as todas, deixei-as,
Junto com as minhas cantigas,
Desenhadas nas areias.
Tantos sóis e tantas luas
Brilharam sobre essas linhas,
Das cantigas — que eram tuas —
Das palavras — que eram minhas!
O mar, de língua sonora,
Sabe o presente e o passado.
Canta o que é meu, vai-se embora.

Cecília Meireles (1901-1964)
Alfred Sisley
Te espero desde o acre mel de marimbondos da minha juventude.
Desde quando falei, vou ser cruzado, acompanhar bandeiras,
ser Maria Bonita no bando de Lampião, Anita ou Joana,
desde as brutalidades da minha fé sem dúvidas.
Te espero e não me canso, desde, até agora e para sempre,
amado que virá para pôr sua mão na minha testa
e inventar com sua boca de verdade
o meu nome para mim.

Adélia Prado
Céu de primavera
no jardim dorme a menina.
Qual a flor do sonho?

Aníbal Beça (1946-2009)

25 de março de 2009

Jean-Etienne Liotard
“Cada um é arrastado pelo seu prazer”.
Públio Virgílio (70 a.C. — 19 a.C.)

Reflexão

Duy Huynh
“Cada homem não é apenas ele mesmo; é também um ponto único, singularíssimo, sempre importante e peculiar, no qual os fenômenos do mundo se cruzam daquela forma uma só vez e nunca mais.
Assim a história de cada homem é essencial, eterna e divina, e cada homem, ao viver em alguma parte e cumprir os ditames da Natureza, é algo maravilhoso e digno de toda atenção”.
Herman Hesse (1877-1962)