28 de fevereiro de 2009

William-Adolphe Bouguereau
“Dentro de vós está o holocausto, a oblação, o ritual e a magia. “Sois deuses”, segundo Jesus. Propiciai-vos a vós mesmos no gesto sadio de permitir o crescimento de vossas sagradas potencialidades latentes. Começai por abandonar as atividades frenéticas co campo material, nas quais atordoais o espírito para não vos lembrardes de que ele espera vosso esforço de burilamento. Aprendei a apreender vossa essência espiritual, em primeiro lugar, pela orientação do pensamento, a CHAVE da vossa mente, o segredo de vossa evolução. A expressão mais elementar desse processo inicia-se ao ser obtido o domínio do próprio pensamento. Sem esse primeiro passo, nada se fará para chegar a expandir o complexo processo do desabrochar das potencialidades divinas em vós adormecidas”.
Mestre Ramatis

Reflexão

“Querer ficar na memória dos homens
É tão inútil quanto procurar
Nas ondas de hoje
Os sinais das ondas de ontem”.

Dom Hélder Câmara (1909-1999)
Ó, lua branca de fulgores e de encanto
Se é verdade que ao amor tu dás abrigo
Vem tirar dos olhos meus o pranto
Ai, vem matar essa paixão que anda comigo
Ai, por quem és, desce do céu, ó, lua branca
Essa amargura do meu peito, ó, vem, arranca
Dá-me o luar de tua compaixão
Ó, vem, por Deus, iluminar meu coração
E quantas vezes lá no céu me aparecias
A brilhar em noite calma e constelada
E em tua luz então me surpreendias
Ajoelhado junto aos pés da minha amada
E ela a chorar, a soluçar, cheia de pejo
Vinha em seus lábios me ofertar um doce beijo
Ela partiu, me abandonou assim
Ó, lua branca, por quem és, tem dó de mim.

Chiquinha Gonzaga (1847-1935)
“Não se apresse em acreditar em nada, mesmo se estiver escrito nas escrituras sagradas. Não se apresse em acreditar em nada só porque um professor famoso que disse. Não acredite em nada apenas porque a maioria concordou que é a verdade. Não acredite em mim. Você deveria testar qualquer coisa que as pessoas dizem através de sua própria experiência antes de aceitar ou rejeitar algo”.
Siddartha Gautama
Antevasin. Em sânscrito, significa alguém que vive na fronteira.
"Em tempos antigos era uma descrição literal. Indicava uma pessoa que abandonara o centro agitado da vida mundana para ir viver para a orla da floresta, onde os mestres espirituais habitavam. O antevasin já não era um dos aldeãos – já não era um chefe de família com uma vida convencional. Mas também ainda não era um ser transcendente – não era um daqueles sábios que vivem nas profundezas das florestas inexploradas, totalmente realizado. O antevasin era alguém entre dois mundos. Habitava essa fronteira. De onde estava, podia ver ambos os mundos, mas olhava para o desconhecido. E era um erudito.
Em sentido figurado, esta é uma fronteira que está sempre a deslocar-se – à medida que avançamos nos nossos estudos e percepções, aquela misteriosa floresta do desconhecido mantém-se sempre alguns passos à nossa frente, para que tenhamos de andar ligeiros para a continuarmos a seguir. Temos de nos manter móveis e flexíveis".

Elisabeth Gilbert, in "Comer, Orar, Amar".

27 de fevereiro de 2009

Os analfabetos do futuro
não serão aqueles que
não sabem ler ou escrever,
mas aqueles que não sabem
aprender, desaprender, e reaprender.

Alvin Toffler
O que é imperfeito, será perfeito.
O que é curvo será reto.
O que é vazio será cheio.
Onde há falta haverá abundância.
Onde há plenitude haverá vacuidade.
Quando algo se dissolve, algo nasce.

Lao-Tsé
(1324 a.C. - 1408 a.C.)
Mary Cassatt
Com agulhas de prata
de brilho tão fino
bordai as sedas do vosso destino.
Bordai as tristezas
de todos os dias
e repentinamente as alegrias.
Que fiquem as sedas
muito primorosas
mesmo com lágrimas presas nas rosas.
Com agulhas de prata
de brilho tão frio...
ai, bordai as sedas, sem partir o fio!

Cecília Meireles (1901-1964)

Des-educação Obrigatória

Heide Presse - Lavender
“Aprendemos para obter uma recompensa ou para evitar um castigo. Aprendemos a fazer qualquer coisa para ganhar a vida. Mas agora pergunto: há outro tipo de aprendizagem? Vocês têm de ir trabalhar para a fábrica ou para o escritório todos os dias das vossas vidas. Levantem-se às 6 horas, vão para o trabalho e depois trabalham, trabalham, um trabalho rotineiro, durante cinquenta anos, dão-vos chutes e pontapés, são insultados, mas continuam devotos ao sucesso. Essa é uma vida monstruosa.
E é para isto que estamos educando os nossos filhos?”.
Krishnamurti (1895-1986)

Desobediência Civil e Greve de Fome

A greve de fome do ativista Bobby Sands (9 de Março de 1954 - 5 de Maio 1981), e sua fome fatal, resultado da intransigência de Margareth Thatcher e de interesses políticos irlandeses.
Em 5 de maio de 1981, morria aos 27 anos, após 66 dias de greve de fome na prisão norte-irlandesa de Maze, conhecida como Long Kesh, o deputado católico, eleito para o parlamento britânico Robert Gerard Sands (conhecido como Bobby Sands), liderou uma greve de fome iniciada em 1º de março com mais 9 companheiros republicanos irlandeses. Todos morreram.
O motivo da greve de fome, era a recuperação do status de prisioneiro político para os republicanos irlandeses, perdido 5 anos antes. Uma decisão de Londres com o objetivo de criminalizar as atividades do IRA e do INLA, o Exército Irlandês de Libertação Nacional.
A greve estava centrada em 5 reivindicações totalmente aceitáveis:
  1. O direito de não usar um uniforme de prisão,
  2. O direito de não fazer trabalho prisional,
  3. O direito de livre associação com outros presos para organizar atividades educativas e recreativas,
  4. O direito a uma visita, uma carta e um pacote por semana,
  5. E o pleno restabelecimento dos direitos perdidos durante os protestos de 1976 e 1978, quando Sands liderou o "protesto do cobertor" e o "protesto sujo".
No primeiro, os prisioneiros se recusaram a usar uniformes prisionais e ficaram nus, protegidos apenas por cobertores em um frio glacial. Foram reprimidos brutalmente, e como consequência, Sands liderou o "protesto sujo", quando os prisioneiros se recusaram a tomar banho e espalharam excrementos pelas paredes das celas . Margareth Thatcher, a Dama de Ferro, então primeira-ministra britânica, considerava Sands e seus companheiros simples criminosos e não cedeu. Sands havia sido condenado a 14 anos por posse de arma de fogo, um revólver. Fontes próximas aos prisioneiros, revelaram em 2006, que Thatcher teria feito uma proposta secreta e algumas concessões aos grevistas, mas a cúpula republicana irlandesa liderada por Gerry Adams, teria aproveitado a publicidade e o momento político para prolongar a greve que levou a morte dos ativistas. Sands transformou-se em um mártir católico irlandês, e sua morte, usada exaustivamente, abriu as portas para o processo de paz e desarmamento do IRA nos anos seguintes.

26 de fevereiro de 2009

Entre a imagem e o conceito, nenhuma síntese. Tampouco essa filiação, sempre dita, jamais vivida, pela qual os psicólogos fazem o conceito emergir da pluralidade das imagens. Quem se entrega com todo o seu espírito aos conceitos, com toda a sua alma às imagens, sabe bem que os conceitos e as imagens se desenvolvem em linhas divergentes da vida espiritual.
Gaston Bachelard (1884-1962),
in “A Terra e os Devaneios do Repouso”
William-Adolphe Bouguereau
“Nunca duvide que um pequeno
grupo de cidadãos conscientes e comprometidos
pode mudar o mundo; de fato,
é a única maneira disto acontecer”.

Margaret Mead (1901-1978)
SABERÁS que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.

Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo todavia.

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desditoso.

Meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.

Pablo Neruda (1904-1973)
Tradução de Carlos Nejar
Ditadura Militar
Os difíceis anos da História do Brasil.
Podemos definir a Ditadura Militar como sendo o período da política brasileira em que os militares governaram o Brasil. Esta época vai de 1964 a 1985. Caracterizou-se pela falta de democracia, supressão de direitos constitucionais, censura, perseguição política e repressão aos que eram contra o regime militar.
Foi um dos períodos mais conturbados da História do Brasil e um dos mais tristes episódios de nossa História.
Esse golpe foi recebido como sendo um alivio para os americanos que ficaram mais satisfeitos de ver o Brasil não seguir o mesmo caminho de Cuba onde tinha a guerrilha que era liderada por Fidel Castro que tinha tomado o poder.
Depois de ter passado um tempo após o golpe vieram então os Atos Institucionais. Dentre os vários Atos Institucionais o mais famoso foi o AI nº5. Esses atos foram artificialismos criados para dar legitimidade jurídica a ações políticas contrárias a Constituição Brasileira o que culminou numa Ditadura.
O golpe Militar de 1964
A crise político-institucional da qual nasce o regime militar começa com a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961. Agrava-se durante a administração João Goulart (1961-1964), com a radicalização populista do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e de várias organizações de esquerda e com a reação da direita conservadora. Goulart tenta mobilizar as massas trabalhadoras em torno das reformas de base, que alterariam as relações econômicas e sociais no país.
Estudantes, organização populares e trabalhadores ganharam espaço, causando a preocupação das classes conservadoras como, por exemplo, os empresários, banqueiros, Igreja Católica, militares e classe média. Todos temiam uma guinada do Brasil para o lado socialista. Vale lembrar, que neste período, o mundo vivia o auge da Guerra Fria.
Este estilo populista e de esquerda gerou preocupação nos EUA, que junto com as classes conservadoras brasileiras, temiam um golpe comunista. Os partidos de oposição, como a União Democrática Nacional (UDN) e o Partido Social Democrático (PSD), acusavam Jango de estar planejando um golpe de esquerda e de ser o responsável pela carestia e pelo desabastecimento que o Brasil enfrentava.
No dia 13 de março de 1964, João Goulart realiza um grande comício na Central do Brasil ( Rio de Janeiro ), onde defende as Reformas de Base. Neste plano, Jango prometia mudanças radicais na estrutura agrária, econômica e educacional do país.
Seis dias depois, em 19 de março, os conservadores organizam uma manifestação contra as intenções de João Goulart. Foi a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que reuniu milhares de pessoas pelas ruas do centro da cidade de São Paulo.
O clima de crise política e as tensões sociais aumentavam a cada dia. No dia 31 de março de 1964, tropas de Minas Gerais e São Paulo saem às ruas. Para evitar uma guerra civil, Jango deixa o país refugiando-se no Uruguai. Os militares tomam o poder.
Em 9 de abril, é decretado o Ato Institucional Nº1. Este, cassa mandatos políticos de opositores ao regime militar e tira a estabilidade de funcionários públicos.
Ato Institucional nº 5
Após o Ato Institucional nº 5, a ditadura firmou-se. A tortura foi o seu instrumento extremo de coerção, o último recurso de repressão política desencadeada pelo AI 5. Ela se tornou prática rotineira por conta da associação de dois conceitos. O primeiro relaciona-se com a segurança da sociedade: o país está acima de tudo, portanto vale tudo contra aqueles que o ameaçam. O segundo associa-se à funcionalidade do suplício: havendo terroristas, os militares entram em cena, o pau canta, os presos falam e o terrorismo acaba.
(Adaptado de Elio Gaspari, A ditadura escancarada. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 13, 17.)
O AI-5 pode ser considerado uma ruptura sob o ponto de vista legal pois apesar de emendar a Constituição imposta pelo regime, abriu a possibilidade para excessos como os cometidos pelos torturadores no contexto de sua implantação. Além desses excessos poderíamos destacar ainda a eliminação do Hábeas Corpus e a hipertrofia do poder Executivo.

25 de fevereiro de 2009

Lauri Blank
“O vento é sempre o mesmo,
mas a sua resposta é diferente em cada folha.
Somente a árvore seca fica imóvel
entre as borboletas e os pássaros”.

Cecília Meireles (1901-1964)
Castello Branco (1964-1967)
Castello Branco, general militar, foi eleito pelo Congresso Nacional presidente da República em 15 de abril de 1964. Em seu pronunciamento, declarou defender a democracia, porém ao começar seu governo, assume uma posição autoritária.
Estabeleceu eleições indiretas para presidente, além de dissolver os partidos políticos. Vários parlamentares federais e estaduais tiveram seus mandatos cassados, cidadãos tiveram seus direitos políticos e constitucionais cancelados e os sindicatos receberam intervenção do governo militar.
Em seu governo, foi instituído o bipartidarismo. Só estavam autorizados o funcionamento de dois partidos : Movimento Democrático Brasileiro ( MDB ) e a Aliança Renovadora Nacional ( ARENA ). Enquanto o primeiro era de oposição, de certa forma controlada, o segundo representava os militares.
O governo militar impõe, em janeiro de 1967, uma nova Constituição para o país. Aprovada neste mesmo ano, a Constituição de 1967 confirma e institucionaliza o regime militar e suas formas de atuação.

Costa e Silva (1967-1969)
Em 1967, assume a presidência o general Arthur da Costa e Silva, após ser eleito indiretamente pelo Congresso Nacional. Seu governo é marcado por protestos e manifestações sociais. A oposição ao regime militar cresce no país. A UNE (União Nacional dos Estudantes) organiza, no Rio de Janeiro, a Passeata dos Cem Mil.
Em Contagem (MG) e Osasco (SP), greves de operários paralisam fábricas em protesto ao regime militar.
A guerrilha urbana começa a se organizar. Formada por jovens idealistas de esquerda, assaltam bancos e sequestram embaixadores para obterem fundos para o movimento de oposição armada.
No dia 13 de dezembro de 1968, o governo decreta o Ato Institucional Número 5 ( AI-5 ). Este foi o mais duro do governo militar, pois aposentou juízes, cassou mandatos, acabou com as garantias do habeas-corpus e aumentou a repressão militar e policial.

GOVERNO DA JUNTA MILITAR (31/8/1969-30/10/1969)
Doente, Costa e Silva foi substituído por uma junta militar formada pelos ministros Aurélio de Lira Tavares (Exército), Augusto Rademaker (Marinha) e Márcio de Sousa e Melo (Aeronáutica).
Dois grupos de esquerda, O MR-8 e a ALN sequestram o embaixador dos EUA Charles Elbrick. Os guerrilheiros exigem a libertação de 15 presos políticos, exigência conseguida com sucesso. Porém, em 18 de setembro, o governo decreta a Lei de Segurança Nacional. Esta lei decretava o exílio e a pena de morte em casos de "guerra psicológica adversa, ou revolucionária, ou subversiva".
No final de 1969, o líder da ALN, Carlos Mariguella, foi morto pelas forças de repressão em São Paulo.

Emílio Garrastazu Medici (1969-1974)
Em 1969, a Junta Militar escolhe o novo presidente : o general Emílio Garrastazu Medici. Seu governo é considerado o mais duro e repressivo do período, conhecido como " anos de chumbo ". A repressão à luta armada cresce e uma severa política de censura é colocada em execução. Jornais, revistas, livros, peças de teatro, filmes, músicas e outras formas de expressão artística são censuradas. Muitos professores, políticos, músicos, artistas e escritores são investigados, presos, torturados ou exilados do país. O DOI-Codi ( Destacamento de Operações e Informações e ao Centro de Operações de Defesa Interna ) atua como centro de investigação e repressão do governo militar.
Ganha força no campo a guerrilha rural, principalmente no Araguaia. A guerrilha do Araguaia é fortemente reprimida pelas forças militares.

O Milagre Econômico
Na área econômica o país crescia rapidamente. Este período que vai de 1969 a 1973 ficou conhecido com a época do Milagre Econômico. O PIB brasileiro crescia a uma taxa de quase 12% ao ano, enquanto a inflação beirava os 18%. Com investimentos internos e empréstimos do exterior, o país avançou e estruturou uma base de infra-estrutura. Todos estes investimentos geraram milhões de empregos pelo país. Algumas obras, consideradas faraônicas, foram executadas, como a Rodovia Transamazônica e a Ponte Rio-Niteroi. Porém, todo esse crescimento teve um custo altíssimo e a conta deveria ser paga no futuro. Os empréstimos estrangeiros geraram uma dívida externa elevada para os padrões econômicos do Brasil.
Ernesto Geisel (1974-1979)
Em 1974 assume a presidência o general Ernesto Geisel que começa um lento processo de transição rumo à democracia. Seu governo coincide com o fim do milagre econômico e com a insatisfação popular em altas taxas. A crise do petróleo e a recessão mundial interferem na economia brasileira, no momento em que os créditos e empréstimos internacionais diminuem.
Geisel anuncia a abertura política lenta, gradual e segura. A oposição política começa a ganhar espaço. Nas eleições de 1974, o MDB conquista 59% dos votos para o Senado, 48% da Câmara dos Deputados e ganha a prefeitura da maioria das grandes cidades.
Os militares de linha dura, não contentes com os caminhos do governo Geisel, começam a promover ataques clandestinos aos membros da esquerda. Em 1975, o jornalista Vladimir Herzog á assassinado nas dependências do DOI-Codi em São Paulo. Em janeiro de 1976, o operário Manuel Fiel Filho aparece morto em situação semelhante.
Em 1978, Geisel acaba com o AI-5, restaura o habeas-corpus e abre caminho para a volta da democracia no Brasil.

Governo Figueiredo (1979-1985)
A vitória do MDB nas eleições em 1978 começa a acelerar o processo de redemocratização. O general João Baptista Figueiredo decreta a Lei da Anistia, concedendo o direito de retorno ao Brasil para os políticos, artistas e demais brasileiros exilados e condenados por crimes políticos. Os militares de linha dura continuam com a repressão clandestina. Cartas-bomba são colocadas em órgãos da imprensa e da OAB (Ordem dos advogados do Brasil). No dia 30 de Abril de 1981, uma bomba explode durante um show no centro de convenções do Rio Centro. O atentado fora provavelmente promovido por militares de linha dura, embora até hoje nada tenha sido provado.
Em 1979, o governo aprova lei que restabelece o pluripartidarismo no país. Os partidos voltam a funcionar dentro da normalidade. A ARENA muda o nome e passa a ser PDS, enquanto o MDB passa a ser PMDB. Outros partidos são criados, como: Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Democrático Trabalhista (PDT).

A Redemocratização e a Campanha pelas Diretas Já
Nos últimos anos do governo militar, o Brasil apresenta vários problemas. A inflação é alta e a recessão também. Enquanto isso a oposição ganha terreno com o surgimento de novos partidos e com o fortalecimento dos sindicatos. Em 1984, políticos de oposição, artistas, jogadores de futebol e milhões de brasileiros participam do movimento das Diretas Já. O movimento era favorável à aprovação da Emenda Dante de Oliveira que garantiria eleições diretas para presidente naquele ano. Para a decepção do povo, a emenda não foi aprovada pela Câmara dos Deputados.
No dia 15 de janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral escolheria o deputado Tancredo Neves, que concorreu com Paulo Maluf, como novo presidente da República. Ele fazia parte da Aliança Democrática – o grupo de oposição formado pelo PMDB e pela Frente Liberal.
Era o fim do regime militar. Porém Tancredo Neves fica doente antes de assumir e acaba falecendo. Assume o vice-presidente José Sarney. Em 1988 é aprovada uma nova Constituição para o Brasil. A Constituição de 1988 apagou os rastros da ditadura militar e estabeleceu princípios democráticos no país.
Irene Sheri
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinho na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa, vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.

Adélia Prado
Deus é triste
Domingo descobri que Deus é triste
pela semana afora e além do tempo.

A solidão de Deus é incomparável.
Deus não está diante de Deus.
Está sempre em si mesmo e cobre tudo
tristinfinitamente.

A tristeza de Deus é como Deus: eterna.

Deus criou triste.
Outra fonte não tem a tristeza do homem.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
“A vida de todos os dias não me interessa. Procuro apenas os momentos elevados. Estou de acordo com os surrealistas quanto à procura do maravilhoso.
Quero ser uma escritora que lembre aos outros que estes momentos existem. Quero provar que existe um espaço infinito, um sentido infinito para as coisas, uma dimensão infinita. Mas não estou naquilo que se pode chamar de estado de graça. Tenho dias de iluminação e febre. Há dias em que a música para na minha cabeça. Então remendo peúgas, limpo árvores, apanho frutos, dou brilho ao mobiliário, mas enquanto faço isto sinto que não vivo”.
Anaïs Nin (1903-1977)

24 de fevereiro de 2009

Profundidade da insônia

Sir Edward Burne-Jones
Na insônia feliz, sente-se o orvalho, a pétala, a asa:
a altura do céu, com seus andares superpostos;
a vigilância do universo, sustentando seus abismos;
a outra insônia - a da morte - a de tudo que vive, além do humano;
a espantosa vigília magnética e eterna, - de alto a baixo.

Cecília Meireles (1901-1964)
in “Profundidade da Insônia”
Os poetas praticam
a jardinagem do Universo

Colhem estrelas maduras
no frontispício da tarde

A noite convoca suas doçuras
o alaúde de jasmineiros
a Via Láctea.

Hélio Pellegrino (1924-1988)
“O médico do futuro
não prescreverá nenhum remédio,
mas induzirá seu paciente a se interessar
pelo corpo humano, pelas dietas,
doenças, suas causas e prevenções”.

Thomas Edison (1847-1931)
Nicolas Poussin - Dança para a Música do Tempo.
Toda expansão é vida,
toda contração é morte.
Todo amor é expansão,
todo egoísmo é contração.
O amor, portanto, é a única lei da vida.
O que ama vive, o que é egoísta está moribundo.
Portanto, amai pela causa do amor,
pois o amor é a única lei da vida.

Swami Vivekananda

De que serve a bondade

Lindsay Gardam
De que serve a bondade
Quando os bondosos são logo abatidos, ou são abatidos
Aqueles para quem foram bondosos?
De que serve a liberdade
Quando os livres têm que viver entre os não-livres?
De que serve a razão
Quando só a sem-razão arranja a comida de que cada um precisa?
Em vez de serdes só bondosos, esforçai-vos
Por criar uma situação que torne possível a bondade, e melhor;
A faça supérflua!
Em vez de serdes só livres, esforçai-vos
Por criar uma situação que a todos liberte
E também o amor da liberdade
Faça supérfluo!
Em vez de serdes só razoáveis, esforçai-vos
Por criar uma situação que faça da sem-razão dos indivíduos
Um mau negócio!

Bertolt Brecht (1898-1956)
Tradução: Paulo Quintela
Parque Portugal - (Taquaral)
O Parque Portugal (conhecido popularmente como Parque do Taquaral) é o parque mais famoso da cidade de Campinas, no interior do estado de São Paulo, Brasil. Localiza-se no Taquaral.
O parque possui uma grande lagoa, caminho para corrida, uma concha acústica com arquibancada para todos os tipos de eventos, diversas quadras de futebol, vôlei e basquete. Possui também um kartódromo, áreas de lazer, uma grande área verde e ciclovia.
Recebe diariamente milhares de pessoas, entre moradores da cidade e turistas, principalmente aos finais de semana. A rua ao redor do parque é fechada para passeio ciclístico aos domingos das 6 às 13h.

22 de fevereiro de 2009

Sutra do Coração
O Bodhisattva Avalokitesvara,
Praticando profundamente o prajna paramita,
Viu claramente o vazio de todos os cinco agregados.
Assim libertou-se completamente do infortúnio e sofrimento.
Oh Shariputra, forma nada mais é do que vazio,
Vazio nada mais é do que forma;
Assim, forma é vazio, vazio é forma.
À semelhança disto, sensação, conceituação, discriminação
E consciência são também assim.
Oh Shariputra, todos os dharmas são vazios,
Nem surgem, nem findam;
Nem são impuros nem puros, destituídos de acréscimos ou perdas;
Assim, no vazio não há forma, nem sensação, conceituação,
Discriminação ou consciência;
Nem olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo, mente;
Nem cor, nem som, nem cheiro, nem sabor, nem tato, nem fenômeno;
Nem campo da visão, nem campo da audição, nem campo do olfato,
Nem campo gustativo, nem campo táctil, nem campo da consciência;
Nem ignorância e nem extinção da ignorância...
Nem velhice e morte, e nem a extinção da velhice e morte;
Nem sofrimento, nem causa de sofrimento,
Nem extinção do sofrimento,
Nem caminho para a extinção do sofrimento;
Nem sabedoria e nem qualquer aquisição;
Nada que possa ser encontrado;
E então o bodhisattva vive o prajna paramita
Sem nenhum obstáculo na mente.
Sem obstáculos, portanto sem medo,
Inteiramente afastado de sonhos ilusórios, isto é nirvana.
Todos os Budas do passado, presente e futuro vivem prajna paramita,
E assim atingem anuttara-samyak-sambodhi.
Portanto saiba, o prajna paramita é o grande mantra,
O mantra vívido, o melhor mantra, o mantra insuperável.
Ele elimina completamente qualquer dor
Isto é a verdade e não uma mentira.
Assim, tome o mantra prajna paramita,
Tome este mantra e diga:

Gate! Gate! Paragate! Parasamgate!
Bodhi svaha! Prajna Paramita Sutra.
TODOS OS BUDAS NAS DEZ DIREÇÕES
TODOS OS GRANDES BODHISATVAS
GRANDE SABEDORIA COMPLETA.
“Nunca esquecerei esse domingo.
Para cicatrizar levou dias.
E eis-me aqui. Dura, silenciosa e heróica.
Sem menina dentro de mim”.

Clarice Lispector (1920-1977)

És precária e veloz felicidade

Albert Joseph Moore - A Garland
És precária e veloz, Felicidade.
Custas a vir e, quando vens, não te demoras.
Foste tu que ensinaste aos homens que havia tempo,
e, para te medir, se inventaram as horas.

Felicidade, és coisa estranha e dolorosa:
Fizeste para sempre a vida ficar triste:
Porque um dia se vê que as horas todas passam,
e um tempo despovoado e profundo, persiste.

Cecília Meireles (1901-1964)