31 de janeiro de 2009

“A esperança é um empréstimo que se pede à felicidade” .
Joseph Joubert [1754-1824]

Poeira

Por mais que sacuda os cabelos,
por mais que sacuda os vestidos,
a poeira dos caminhos jaz em mim.
A poeira dos mendigos, em cinza e trapos,
dos jardins mortos de sede,
dos bazares tristes, com a seda a murchar ao sol,
a poeira dos mármores foscos,
dos zimbórios tombados,
dos muros despidos de ornatos,
saqueados num tempo vil.

Cecília Meireles (1901-1964)
Poemas Escritos na Índia, in Obra Poética
Volume Único, Editora Nova Aguilar, Rio de Janeiro, 1987.
Lula vai lançar programa - Bicicleta para Todos -
O governo Lula vai vender bicicletas a custos subsidiados em todo o Brasil, a partir de março.
Vários ministérios estão envolvidos na operação e o Ministério dos Esportes já foi o primeiro a fechar a parceria no projeto, desenvolvido pela empresa pernambucana Interset. Os ministérios da Saúde, Cidades e Transportes também farão parte do projeto. Até o Ministério do Desenvolvimento Agrário fará parte do projeto, providenciando bicicletas para os assentamentos.
A forma de operação também será inovadora, usando a estrutura dos Correios. O interessado irá a uma agência, fará um cadastro e pagará R$ 10,00, referente à primeira prestação. A bicicleta será paga em 30 prestações, em um boleto. Sem juros.
Em 15 dias, a magrela chega na casa do comprador.
Vai valer para a área urbana e rural, principalmente.
A empresa Caloi é uma das envolvidas no projeto, devido ao volume elevado de encomendas.

O que se espera é que os prefeitos tomem vergonha e façam ciclovias para o povo andar.
Agora... resta saber se o brasileiro vai querer andar de bicicleta como na China, na Holanda...
Ao entrar na sala de cinema para assistir O Curioso Caso de Benjamin Button prepare-se: são 2 horas e 46 minutos de um filme que te transportará para um universo onde o impossível é possível.
Um detalhe: Este é sem duvida um filme para ser visto com o coração aberto.
Benjamin Button nasceu em circunstâncias incomuns: ele era um bebê feio e possuía todas as doenças de um senhor de 80 anos a beira da morte. Mas a cada dia que passa, Benjamin se sente melhor: seus sintomas vão diminuindo e seu corpo vai rejuvenescendo. O trabalho de maquiagem desse filme é simplesmente incrível. Ver o rosto de Brad Pitt totalmente envelhecido e ir rejuvenescendo aos poucos (ou observar os outros personagens envelhecendo) é surreal. Deve ganhar o Oscar de Maquiagem.
A história principal é simples: o romance entre Benjamin e Daisy. Mas o diferencial aqui é como toda a trama se desenvolve, as experiências de cada personagem e o aprendizado que se tira de cada situação. É quase uma fábula, recheada de lições sobre a vida, a morte e o amor.
Mas nem tudo no filme funciona bem. A duração de 2 horas e 46 minutos é um tanto cansativa, levando em conta que a história se desenvolve devagar. Alguns acontecimentos parecem ser um pouco forçados, como quando ele retorna para sua casa (após passar um tempo fora) exatamente no dia do funeral de sua mãe adotiva. São acontecimentos forçados, mas relembrando agora, percebo que são importantes para o desenvolvimento dramático do roteiro.
Além de um roteiro rico em significados e repleto de sentimentos, o filme é um agrado para os olhos e ouvidos. A trilha sonora de Alexandre Desplat mostrou-se digna de todos os elogios que vem recebendo.
Brad Pitt há anos se mostra um ator capaz de interpretar qualquer personagem que se submeta a realizar, basta fazer um retrospecto nos seus últimos trabalhos para notar a disparidade entre eles. Se ainda restarem dúvidas - o que acho difícil -, Benjamin Button é a prova que faltava. Por sua vez, Cate Blanchett em sua primeira cena surge renovando as forças do filme e dá início aos melhores momentos do longa - e, nunca esteve tão linda. Blachett entrega uma interpretação do mesmo nível que a de Pitt e não entendo a ausência de seu nome nas premiações da temporada.
Sem dúvida O Curioso Caso de Benjamin Button é um excelente filme que vale muito ser visto.
O filme - O Curioso Caso de Benjamin Button - me fez pensar num pensamento de Chaplin:
“A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina.
Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.
Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?”
Charles Chaplin (1889-1977)

30 de janeiro de 2009

“Somos limitados por tudo o que não sentimos”.
Natalie Barney (1876-1972)

O Banco Central dá 100 bilhões aos bancos e ninguém critica.
Lula dá 1% disso ao Bolsa Família, e muita gente fica horrorizada!
Assim caminha a Humanidade...
Acho essa música muito linda. E a voz dos dois são um conforto para os ouvidos.
Malaika
Malaika, nakupenda Malaika
Malaika, nakupenda Malaika
Ningekuoa mali we, ningekuoa dada
Nashindwa na mali sina we, Ningekuoa Malaika
Nashindwa na mali sina we, Ningekuoa Malaika
Pesa zasumbua roho yangu
Pesa zasumbua roho yangu
Nami nifanyeje, kijana mwenzio
Nashindwa na mali sina we Ningekuoa Malaika
Nashindwa na mali sina we Ningekuoa Malaika
Kidege, hukuwaza kidege
Kidege, hukuwaza kidege
Ningekuoa mali we, ningekuoa dada
Nashindwa na mali sina, we Ningekuoa Malaika
Nashindwa na mali sina, we Ningekuoa Malaika
Malaika, nakupenda Malaika
Malaika, nakupenda Malaika
Ningekuoa mali we, ngekuoa dada
Nashindwa na mali sina we, Ningekuoa Malaika
Nashindwa na mali sina we, Ningekuoa Malaika
Foi escrita pelo compositor e músico queniano Fadhili Williams
Cantam: Harry Belafonte e Miriam Makeba

Miriam Makeba (Joanesburgo, 4 de março de 1932 — Castel Volturno, Itália, 10 de novembro de 2008), cantora sul-africana também conhecida como "Mama África" e grande ativista pelos direitos humanos e contra o apartheid na sua terra natal.





Harold "Harry" George Belafonte, Jr. (Nova Iorque, 1 de março de 1927) é um músico, cantor, ator, ativista político e pacifista norte-americano de ascendência jamaicana.
Foi o primeiro afro-americano a receber um Prêmio Emmy.

29 de janeiro de 2009

Soneto das metamorfoses

George Dunlop Leslie
Carolina, a cansada, fez-se espera.
Não por temor ao mar, mas ao perigo
de com ela incendiar-se a primavera.

Carolina, a cansada, que então era,
despiu, humildemente, as vestes pretas,
e incendiou navios e corvetas
já cansada, por fim, de tanta espera.

E cinza fez-se. E teve o corpo implume
escandalosamente penetrado
de imprevistos azuis e claro lume.

Foi quando se lembrou de ser esquife:
abandonou seu corpo incendiado
e adormeceu nas brumas do Recife.

Carlos Pena Filho (1929-1960)
Jan Eelse Noordhuis – Kindling
Ocuparam minha pátria
Expulsaram meu povo
Anularam minha identidade
E me chamaram de terrorista
Confiscaram minha propriedade
Arrancaram meu pomar
Demoliram minha casa
E me chamaram de terrorista
Legislaram leis fascistas
Praticaram odiada Apartheid
Destruíram, dividiram, humilharam
E me chamaram de terrorista
Assassinaram minhas alegrias,
Sequestraram minhas esperanças,
Algemaram meus sonhos,
Quando recusei todas as barbáries
Eles…mataram um terrorista!

Mahmoud Darwish
(15 Março 1941 – 9 Agosto 2008)

O mundo vái de mal a pior

Catrin Welz-Stein
“O mundo vá de mal a pior e os males aumentem cada vez mais, à medida que aumenta o tédio. O tédio é a raiz de todo o mal. A história deste pode acompanhar-se desde os primórdios do mundo. Os deuses estavam entediados, pelo que criaram o homem. Adão estava entediado por estar sozinho, e por isso foi criada Eva. Assim o tédio entrou no mundo e aumentou na proporção do aumento da população. Adão aborrecia-se sozinho, depois Adão e Eva aborreceram-se juntos, depois Adão e Eva e Caim e Abel aborreceram-se em família; depois a população do mundo aumentou e os povos aborreceram-se em massa”.
Soren Kierkegaard (1813-1855)
David Teniers the Younger
Querer predizer o futuro (profetizar) e querer ouvir a necessidade do passado são uma única e mesma coisa, e é apenas um problema de gosto se determinada geração acha uma coisa mais plausível que a outra.
(...) O distanciamento no tempo engana o sentido do espírito tal como o afastamento no espaço provoca o erro dos sentidos. O contemporâneo não vê a necessidade do que vem a ser, mas, quando há séculos entre o vir a ser e o observador, este vê então a necessidade, tal como aquele que vê à distância o quadrado como redondo.
(...) Tudo o que é histórico é contingente, pois justamente pelo fato de acontecer, de se tornar histórico, recebe o seu momento de contingência, pois a contingência é precisamente o único fator de tudo o que vem a ser.
Soren Kierkegaard (1813-1855),
in 'Migalhas Filosóficas'.

28 de janeiro de 2009

“Entre outros exercícios de espírito,
o mais útil é a História”.

Cayo Salústio (68 a 34 a.C.)
August Macke
“O silêncio já se tornou para mim uma necessidade física e espiritual. Inicialmente escolhi-o para aliviar-me da depressão. A seguir precisei de tempo para escrever. Após havê-lo praticado por certo tempo descobri, todavia, seu valor espiritual. E de repente dei conta de que eram esses momentos em que melhor podia comunicar-me com Deus. Agora sinto-me como se tivesse sido feito para o silêncio”.
Mahatma Ghandi (1869-1948)
As pulgas sonham com comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que em algum dia mágico a sorte chova de repente, que chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não chove ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura.
Os ninguéns: os filhos de ninguém, os donos de nada.
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida, fodidos e mal pagos:
♦ Que não são, embora sejam.
♦ Que não falam idiomas, falam dialetos.
♦ Que não praticam religiões, praticam superstições.
♦ Que não fazem arte, fazem artesanato.
♦ Que não são seres humanos, são recursos humanos.
♦ Que não tem cultura, e sim folclore.
♦ Que não têm cara, têm braços.
♦ Que não tem nome, têm número.
Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local.
Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.
Eduardo Galeano - O livro dos abraços.
“A cultura do terror
A extorsão
o insulto,
a ameaça o cascudo,
a bofetada,
a surra,
o açoite,
o quarto escuro,
a ducha gelada,
o jejum obrigatório,
a comida obrigatória,
a proibição de sair,
a proibição de se dizer o que se pensa,
a proibição de fazer o que se sente,
e a humilhação pública
são alguns dos métodos de penitência e tortura tradicionais na vida da família. Para castigo à desobediência e exemplo de liberdade, a tradição familiar perpetua uma cultura do terror que humilha a mulher, ensina os filhos a mentir e contagia tudo com a peste do medo.
- Os direitos humanos deveriam começar em casa.”

Eduardo Galeano - O livro dos abraços.

27 de janeiro de 2009

“Cada olhar é um olhar.
Cada olhar é infinito...”.

Ju Rigoni

"Engana-se quem pensa que, esquivando-se das ações e persistindo na inatividade, escapa dos resultados da ação.
Quem nada começa não pode entrar no estado de paz eterna; a inatividade não conduz à perfeição. E, na realidade, nem há coisas que se possam designar pela palavra inatividade, pois tudo no universo está em atividade constante e nada pode subtrair-se da lei geral…"
"Age! Porque na verdade agirás não importa o que faças, mas consegue desapegar-te dos frutos da ação! Dissolve assim o amor-próprio do teu ego, e com isto descobrirás o eu."

Bhagavad Gita, II – 22, 23
Tradução: Francisco Valdomiro Lorenz
Extraído do livro “O ciclo do Tempo” - Simone Boger
O Ministro Nelson Jobim produziu um Grampo para desmoralizar o Serviço de Inteligência do Brasil. E o Congresso, especialmente o Senado, que se ocupa apenas em criticar Lula e seu governo, em vez de arrumar suas mazelas foi cúmplice, apenas para “contaminar” a Operação Satiagraha e proteger Daniel Dantas.
Que vergonha hein?
Cadê o grampo? Não tem áudio? Arrumaram uma pessoa incompetente para fazer o grampo.
GRAMPO SEM ÁUDIO É HOMICÍDIO SEM CADÁVER.

Personalidades HIstóricas:

“Limites servem para ser ultrapassados.
Obstáculos para serem desfeitos,
Crenças para serem anuladas.
Nada se cria, nada se perde,
tudo se transforma”.

Lavoisier (1743-1794)

Antoine Laurent Lavoisier (1743-1794) é considerado o fundador da Química Moderna. Mas a sua vida de não-cientista o levou a ser guilhotinado pelo Terror Jacobino da Revolução Francesa, em 8 de maio de 1794. Para maiores detalhes dessa atividade não-científica de Lavoisier, que se relacionava com cargos públicos que ocupou no Ancien Régime que dominou a França até sua queda em 1789, encontram-se no livro do escritor norte americano Madison Smartt Bell (n.1957) e intitulado Lavoisier no Ano Um: O Nascimento de uma nova Ciência numa Era de Revolução (Companhia das Letras, 2007).
O pai de Lavoisier, o brilhante advogado francês Jean-Antoine, era um investidor em terras e, por isso, havia amealhado uma certa fortuna. Por sua vez, o próprio Lavoisier, ao entrar para a Fazenda Geral (La Férme Générale), em 1768, como Inspetor Regional da Comissão do Tabaco, começou também a fazer a sua própria fortuna, que foi bastante acrescida quando casou, em 1771, com a francesa Marie-Anne Pierrette Paulze (1758-1836), herdeira de uma fortuna considerável. Além de rico, Lavoisier possuía um título de nobreza – Secretário do Rei – que recebera de presente de seu pai, no dia de seu casamento. Paralelamente a sua atividade científica, Lavoisier exercia também importantes cargos públicos.
Por exemplo, em 1775, foi escolhido Diretor da Administração da Pólvora e Salitre, e, em 1788, Diretor do Banco de Descontos. Aliás, é oportuno registrar que, sob a direção de Lavoisier, a pesquisa e produção de pólvora tornou-se tão avançada que permitiu que a França, em 1776, vendesse seus excedentes para os revolucionários norte-americanos.
Em vista disso, em 1789, Lavoisier declarou que: A América do Norte deve sua independência à pólvora francesa. Registre-se que a Revolução Americana pela Independência aconteceu em 1776.
A riqueza de Lavoisier associada com o seu prestígio como cientista, financista e administrador público rendeu-lhe muita inveja, principalmente da esquerda radical que disputava o poder decorrente da Revolução Francesa de 1789. Um de seus principais detratores era o médico, escritor, político e jornalista francês Jean-Paul Marat (1743-1793), líder da facção esquerdista Montagnard. A razão dessa animosidade é que em abril de 1779, Marat apresentou um aparelho para exame por infravermelho à Academia Francesa de Ciências, no qual descreveu uma série de experiências ópticas que tornavam visíveis a “matéria de fogo” (mais tarde, denominado calórico), conceito este que havia sido proposto por Lavoisier, a partir de 1772, em substituição ao flogístico Stahliano, para poder entender o fogo. Para Marat, o fogo resultava da atividade de partículas do fluido ígneo contido nos corpos. Contudo, essa teoria proposta por Marat foi rejeitada por aquela Academia, sendo Lavoisier um dos principais acadêmicos que liderou essa rejeição, pois suas experiências sobre o conceito do fogo não confirmavam essa teoria de Marat.
Além do mais Marat era defensor do mesmerismo, também chamado de “magnetismo animal” é termo sinônimo de hipnotizar.
Marat amargou anos de miséria por culpa desta rejeição. Lavoisier continuava sua carreira, tanto na Academia quanto na arrecadação de impostos e teve a ideia de reconstruir um muro ao redor de Paris – havia existido um semelhante em tempos medievais – para que os cidadãos pagassem um pedágio, resultando numa maior arrecadação. O povo odiava o tal muro. Quando a Revolução Francesa começou, Marat fez questão de denunciar e lembrar e relembrar quem o construiu ao povo inflamado pela revolução, usando seu maravilhoso poder de oratória para isso.
Em vista disso, Marat começou a desenvolver uma forte hostilidade à comunidade científica francesa, em particular a Lavoisier.
Vitoriosa a Revolução Francesa, com a Queda da Bastilha [prisão dos inimigos pessoais do Rei Luís XVI (1754-1793) e símbolo do Absolutismo Francês], em 14 de julho de 1789, Marat começou a atacar violentamente Lavoisier. Em janeiro de 1791, Marat escreveu no jornal L´Ami du Peuple, que ele próprio fundou, em setembro de 1789, a seguinte diatribe contra Lavoisier (Bell, op. cit.): Denuncio a vocês o corifeu dos charlatões, mestre Lavoisier, filho de um açambarcador de terras, químico aprendiz, discípulo do especulador em ações genebrês Necker, um fazendeiro geral, comissário da Pólvora e Salitre, diretor do Banco de Descontos, secretário do rei, membro da Academia de Ciências, íntimo de Vauvilliers, administrador inconfiável da Comissão de Alimentos de Paris e o maior maquinador dos tempos.
Até seu assassinato, em 13 de julho de 1793, pela jovem francesa Charlotte Corday
(1768-1793) (de origem aristocrata e que morreu guilhotinada 4 dias após matá-lo), Marat continuou atacando Lavoisier. Com a morte de Marat, iniciou-se o Reinado de Terror da Revolução Francesa que, certamente influenciado pelas diatribes de Marat contra Lavoisier, sentenciou sua morte na guilhotina em 8 de maio de 1794. Sobre essa sentença, existe a célebre frase pronunciada pelo juiz que a decretou que, certamente consciente que estava condenando a morte um “sábio”, teria declarado: “A revolução não precisa de sábio”. Uma outra frase célebre sobre a execução de Lavoisier foi pronunciada pelo físico e matemático ítalo francês, o Conde Joseph Louis Lagrange (1736-1813) (Bell, op. cit.): Eles não levaram mais do que um momento para fazer rolar aquela cabeça, e cem anos podem não ser suficientes para produzir outra cabeça daquelas.

É oportuno anotar duas curiosidades:
1) O inventor da guilhotina, o médico francês Joseph Ignace Guillotin (1738-1814), Lavoisier e o cientista norte-americano Benjamin Franklin (1706-1790), em 1784, foram designados pela Academia Francesa de Ciências para investigar o “magnetismo animal”, praticado pelo médico austríaco Franz (Friedrich) Anton Mesmer (1734-1815); ao final da investigação, concluíram que esse método não apresentava nenhuma base científica;
2) A viúva de Lavoisier [que, quando ainda casada teve um caso amoroso, iniciado em 1781, com um colega de Lavoisier, o escritor e economista francês Pierre Samuel Du Pont de Nemours (1739-1817), envolvimento esse que só foi descoberto depois da morte de Du Pont, ao ser conhecida a sua correspondência], ao ser cortejada durante os quatro primeiros anos de viuvez, decidiu casar-se com o físico anglo-norte-americano Benjamin Thompson, Conde Rumford (1753-1814), autor da teoria de que o “calor é uma forma de movimento”.
Ainda é interessante registrar que Madame Lavoisier acompanhou sempre seu marido no laboratório, ajudando-o a preparar registros em suas notas de laboratório, assim como foi a ilustradora dos trabalhos científicos de Lavoisier. Ela tinha tanta admiração por seu marido que, embora casada com Rumford, manteve Lavoisier em seu nome até a sua morte.
Foi um desses terríveis momentos da história em que toda a sociedade se tornou uma sociedade policial, e cada patriota um delator.

Fonte:
Seara da Ciência:
( Curiosidades da Física )

26 de janeiro de 2009

“Do atrito de duas pedras chispam faíscas;
das faíscas vem o fogo;
do fogo brota a luz”.

Victor Hugo (1802-1885)
Jean-Marc Janiaczyk
“Talvez os vícios, as depravações e os crimes sejam quase sempre, ou mesmo sempre, na sua essência, tentativas para comer a beleza, comer o que é necessário olhar apenas. Eva marcou o começo. Se ela perdeu a humanidade ao comer um fruto, a atitude inversa, olhar um fruto sem o comer, deve ser o que salva”.
Simone Weil (1909-1943)
Jim Warren
Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentis com os peixes pequenos.
Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais.
Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias cabíveis se, por exemplo, um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim de que não morressem antes do tempo.
Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.
Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para as goelas dos tubarões.
Eles aprenderiam, por exemplo, a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí.
Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos.
Se os tubarões fossem homens também acabaria a ideia de que todos os peixinhos são iguais entre si. Alguns deles se tornariam funcionários e seriam colocados acima dos outros. Aqueles ligeiramente maiores até poderiam comer os menores. Isso seria agradável para os tubarões, pois eles, mais frequentemente, teriam bocados maiores para comer.
E os peixinhos maiores detentores de cargos, cuidariam da ordem interna entre os peixinhos, tornando-se professores, oficiais, polícias, construtores de gaiolas, etc. Em suma, se os tubarões fossem homens haveria uma civilização no mar.
Bertolt Brecht (1898-1956)
No dia 27 de janeiro 1881 - Os jangadeiros do CE, liderados por Francisco Nascimento, o Dragão do Mar, se recusam a embarcar escravos para o Sul. Ganha força a ala popular radical da Campanha Abolicionista.
Francisco José do Nascimento (Canoa Quebrada, Aracati, 15 de Abril de 1839 — Fortaleza, 6 de Março de 1914), também conhecido como Dragão do Mar ou Chico da Matilde, abolicionista brasileiro, chefe jangadeiro e participante do Movimento Abolicionista Cearense.
Em 1884, o Ceará torna-se a primeira província brasileira a abolir a escravidão. O Movimento Abolicionista Cearense, surgido em 1879, contribui – embora não decisivamente – para essa abolição pioneira.
As ações repercutem no País e os abolicionistas, gente de elite, brava e culta, são ovacionados pela imprensa abolicionista nacional. Entre eles há, porém, uma pessoa humilde, de cor parda, trabalhador do mar: Chico da Matilde. Chefe dos jangadeiros, eles e seus colegas se engajaram à luta já em 1881, recusando-se a transportar para os navios negreiros, os escravos vendidos para o Sul do País.
Assim, Chico da Matilde é levado para corte com sua jangada, desfila pelas ruas, recebe chuvas de flores da multidão e ganha novo nome, mais pomposo e mítico: Dragão do Mar. De lá escreve à mulher: “seu velho está tonto com tanta festa e cumprimentos de tanta gente importante”.
Símbolo da resistência popular cearense contra a escravidão, foi homenageado merecidamente pelo governo do Ceará dando seu nome ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Pelo que ele e seus colegas ousaram fazer em nome da liberdade, em 1881, nas areias da Praia de Iracema.

25 de janeiro de 2009

Reflexão:

Masson R. Benoit
Aqui lês dois versos bons,
três passáveis, mil ruins.
Não há outro modo, Avito:
Um livro se faz assim.

Marco Valério Marcial (38-40 d.C.)
Tradução: José Dejalma Dezotti
Somos o tesouro do espírito.
Somos a alma do mundo,
livres do peso que vergasta o corpo.
Prisioneiros não somos do tempo nem do espaço
nem mesmo da terra que pisamos.
No amor fomos gerados,
No amor nascemos.

Jalaludin Rumi (1207-1273)
Tradução - José Jorge de Carvalho