27 de novembro de 2009

Maurice Denis
Como discutem e como gritam!
Como desconfiam e se desesperam!
Nunca param de brigar!
Que tua vida se ponha entre eles, inalterável e pura
Como uma língua de luz
E lhes imponha silêncio com sua formosura.
Que cruéis os torna a cobiça e o ciúme!
Violências disfarçadas sedentas de sangue são suas palavras.
Ponha-se entre suas corações irados e que
Teu olhar sublime caia sobre eles como cai a indulgente
Paz do anoitecer sobre a batalha do dia.
Deixe que olhem tua face
E que assim compreendam o sentido de todas as coisas.
Que te amem, e assim amem um ao outro.
Vem ocupar teu lugar nos braços do Eterno.
Abre e levanta teu coração ao nascer do sol, como uma nova flor.
E quando o sol se por, inclina tua cabeça e reze
Em silêncio a oração da tarde.

Rabindranath Tagore (1861-1941)

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