30 de setembro de 2009

“Depois que um corpo
comporta outro corpo,
nenhum coração suporta o pouco”.

(Alice Ruiz)

O príncipe Charles, da Grã-Bretanha, chamou Pelé, o Dalai Lama, os príncipes William e Harry e até um sapo para sua campanha para salvar as florestas e combater a mudança climática. Os seguidores da iniciativa, que incluem também os atores Harrison Ford, Daniel Craig e Robin Williams, aparecem junto com a animação de um sapo. Feito em computador, o bichinho foi escolhido símbolo da campanha por viver em locais de floresta e por fazer alusão a contos de fada.
Rainforest SOS
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“... A senhora me desculpe, mas no momento não tenho muita certeza. Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. (...) Receio que não possa me explicar, Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas mas não posso explicar a mim mesma”.
Lewis Carroll (1832-1898)

AUSÊNCIA

Foto de Angie McKenzie
Quero
dizer-te uma coisa simples.
A tua ausência dói-me.
Refiro-me a essa dor que não magoa, que se limita à alma.
Mas que não deixa, por isso, de deixar alguns sinais,
no lugar da tua imagem, e
um vazio nas mãos, como se as tuas mãos lhes tivessem
roubado o tato.
São estas as formas do amor,
podia dizer-te, e acrescentar que...
as coisas simples também podem ser complicadas,
quando nos damos conta da diferença
entre o sonho e a realidade. Porém, é o sonho
que me traz a tua memória, e
a realidade aproxima-me de ti, agora que
os dias correm mais depressa, e as palavras
ficam presas numa refração de instantes,
Quando a tua voz me chama de dentro de
mim e me faz responder-te uma coisa simples. . .

Como dizer que a tua ausência me dói.

Nuno Júdice
Nasci dura, heróica, solitária e em pé. E encontrei meu contraponto na paisagem sem pitoresco e sem beleza. A feiura é o meu estandarte de guerra. Eu amo o feio com um amor de igual para igual. E desafio a morte. Eu - eu sou a minha própria morte. E ninguém vai mais longe. O que há de bárbaro em mim procura o bárbaro e cruel fora de mim. Vejo em claros e escuros os rostos das pessoas que vacilam às chamas da fogueira. Sou uma árvore que arde com duro prazer. Só uma doçura me possui: a conivência com o mundo. Eu amo a minha cruz, a que doloridamente carrego. É o mínimo que posso fazer de minha vida: aceitar comiseravelmente o sacrifício da noite.
Clarice Lispector (1920-1977)

29 de setembro de 2009

Aos poucos a lua perde o resplendor.
O rio sabe a sangue, e ninguém sabe.
É a derradeira chance de me ver
pela primeira vez inteiro: cara a cara.
Simplificar prefiro. Por que hesito
em revelar as águas escuras
que me percorrem, essas onde moram
peixes cinzentos, surdos, que me sabem?
Dizer me basta que não cometi

o pecado pior do homem:
o de não ser feliz
(O juízo é de Borges
que era cego, mas descobriu a rosa
escondida no coração da moça.)
Vi o fundo de um lago de esmeraldas.
Eu fui feliz, insuportavelmente.
As desgraças que duras me feriram
nada foram (contando a de existir)
ao lado dos milagres que vivi,
dos mágicos momentos que inventei.
Não é preciso ir longe. Numa noite
de ardente primavera eu viajei,
abraçado aos cabelos desvairados
que me ensinavam o cântico dos cânticos,
pelo mar dos espaços siderais.
Voltei intacto. Parece que passaram eternidades.
Sozinho agora sou: perante mim,
ou entre mim e a noite que me chama,
espaço em que mal cabe o que escondi.
E mais de meio século de festa,
de lágrimas, de assombro, de ternura,
inútil se resume na fagulha
fugaz do tempo em que meu ser total,
resíduo de memórias, já se adere
- imperceptível –
ao silêncio noturno da floresta.

Thiago de Mello

Figura

Ismael Nery (1900-1934)
A tua figura desperta a minha energia sutil
e ascende à primeira forma sublime e simples.
Primavera do mundo e aromático barco
e na palma da mão a delicada inicial.
Neste instante as luzes são passagens transparentes
e eu coloco o teu ventre novamente na paisagem.
Venho de ti e vou para ti antes do primeiro jato
num côncavo seio na cúpula do segredo,
que é tão fechado como a não respiração
e que se abre no rosto dos meus membros.

António Ramos Rosa

Imprensa brasileira: De fato ou interina?
Bandeira de Honduras
Empenhada em afirmar que o governo brasileiro teria agido de maneira irresponsável ao conceder abrigo ao presidente deposto, a mídia corporativa repete um velho procedimento. Tenta armar uma subversão monstruosa: a autoria e a responsabilidade do golpe são transferidas aos que a ele se opõem.
Não se trata apenas da insistência da grande mídia brasileira em “manter um viés anti-Lula, fazendo uma cobertura parcial e tendenciosa sobre os acontecimentos que envolvem o fato", como afirmou o deputado José Genoíno. A operação em curso vai bem além desse propósito. O que ela busca ocultar são os resultados da reunião do G-20, em Pittsburgh, com a abertura para a reorganização das instituições financeiras internacionais e maiores direitos para os países emergentes. O êxito diplomático deve ser substituído por uma "trapalhada ideológica que não faz jus à tradição pragmática do Itamaraty”.
É exatamente isso o que confessa o articulista Clóvis Rossi, em sua coluna de sexta-feira, 25 de setembro, na Folha de S. Paulo.

"Escrevendo textos no lobby do Hotel Sheraton, em que Luiz Inácio Lula da Silva está hospedado em Pittsburgh, sou agradavelmente interrompido por Gilberto Scofield, o competente correspondente de "O Globo" em Washington: Cara, Honduras conseguiu eclipsar completamente o G20 nos jornais brasileiros. Só recebo cobranças sobre Honduras".

Essa desenvoltura de militantes eufóricos só reforça o que se sabe da grande imprensa. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, mas os modelos-teimosos- permanecem como farsa de um jornalismo que não se sabe ao certo se é “de fato" ou interino. Os acontecimentos de Tegucigalpa são contagiantes.

Gilson Caroni Filho - Carta Maior

28 de setembro de 2009

Frase


“Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei.
Ainda sim, escrevo”

Mia Couto


Iluminar para sempre
Iluminar tudo
Iluminar por toda a eternidade Iluminar e só.
Este é o meu lema
e o do sol.

Vladimir Maiakovski (1893-1930)

Fênix

Richard S. Johnson
Busco um amor que não morre
Uma dor que não dói
Um sonho que não se acabe.

Busco a felicidade em estações
Onde o trem da vida possa parar,
Onde o amor seja constante.
Imutável.

Busco o amor tenaz, prepotente,
Jamais indiferente;
Ousado e suave
Como pluma de uma ave ou
O vento da primavera.

Busco coisas que fazem a vida espetacular
Quero ver debaixo do duro aspecto das pessoas
Alguém que sabe amar
Sem disfarces, sem pontes, sem depois...

MJSpeglich

O artista inconfessável

John William Godward
“Fazer o que seja é inútil.
Não fazer nada é inútil.
Mas entre fazer e não fazer
mais vale o inútil do fazer.
Mas não, fazer para esquecer.
que é inútil: nunca o esquecer
Mas fazer o inútil, sabendo
que ele é inútil, e bem sabendo
que é inútil e que seu sentido
não será sequer pressentido,
fazer: porque ele é mais difícil
do que não fazer, e dificilmente
se poderá dizer
com mais desdém, ou então dizer
mais direto ao leitor. Ninguém
que o feito e foi para ninguém”.

João Cabral de Melo Neto (1920-1999)

27 de setembro de 2009

A tolerância universal de Voltaire...

Michelangelo - A Criação de Adão
Não é preciso uma grande arte, uma eloquência muito rebuscada, para demonstrar que os cristãos se devem tolerar mutuamente. Vou mais longe: digo-vos que é preciso encarar todos os homens como nossos irmãos. O quê! Meu irmão, o turco? Meu irmão, o chinês? O judeu? O siamês? Sim, sem hesitação; não somos todos nós filhos do mesmo pai, e criaturas do mesmo Deus? Mas esses povos desprezam-nos; consideram-nos idólatras! Pois bem! Dir-lhes-ei que estão muitíssimo enganados. Tenho a impressão de que seria capaz de espantar a orgulhosa teimosa de um imã ou de um monge budista, se eu lhes falasse mais ou menos neste tom: “Este pequeno globo, que não é mais do que um ponto, rola no espaço, assim como todos os outros globos; nós andamos perdidos nessa imensidade. O homem, medindo à volta de cinco pés, pesa seguramente pouco na criação. Um desses seres minúsculos, algures na Arábia ou na Cafraria, diz a algum dos seus vizinhos: Prestem-me atenção, porque o Deus de todos os mundos me iluminou; vivem sobre esta terra, novecentos milhões de formiguinhas como nós, mas o meu formigueiro é o único de que Deus gosta; por todos os outros ele só sente nojo, por toda a eternidade; só o meu formigueiro será feliz, e todos os restantes conhecerão para sempre o infortúnio”. Eles interromper-me-iam e perguntar-me-iam quem foi o louco que afirma uma asneira dessas. Eu seria obrigado a responder-lhes: “Fostes vós próprios.”
Voltaire (1694-1778)
Tratado Sobre a Tolerância.
Quero dar-te a coisa mais pequenina que houver
bago de arroz
grão de areia
semente de linho
suspiro de pássaro
pedra de sal
som de regato
a coisa mais pequena do mundo
a sombra do meu nome
o peso do meu coração na tua pele.

Rosa Lobato de Faria (1932-2010)

Basta um dia

Pra mim basta um dia
Não mais que um dia
Um meio dia
Me dá só um dia
E eu faço desatar
A minha fantasia
Só um belo dia
Pois se jura, se esconjura
Se ama e se tortura
Se tritura, se atura e se cura
A dor na orgia
Da luz do dia
É só o que eu pedia
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia
Só um santo dia
Pois se beija, se maltrata
Se come e se mata
Se arremata, se acata e se trata
A dor na orgia
Da luz do dia
É só o que eu pedia, viu
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia.

Chico Buarque

Depoimento

Jeanne Hébuterne pintada por Modigliani
(grávida do segundo filho)
“Eu o vi dançar uma vez, perto da estátua de Balzac, seu rosto estava lindo, seus passos eram graciosos... pavoneando-se com a música, ele sorria... Ele foi tudo aquilo que eu fora um dia. Então eu guardei aquele momento, e guardei na minha memória para estar lá e me confortar nos meus últimos dias...”
Auguste Renoir sobre Modigliani.
Pierre Puvis de Chavannes
Põe a tua mão
Sobre o meu cabelo...
Tudo é ilusão.
Sonhar é sabê-lo.

Fernando Pessoa (1888-1935)

Consolação

Pino Daeni
Nas ruas da cidade caminha o meu amor.
Pouco importa aonde vai no tempo dividido.
Já não é o meu amor, todos podem falar-lhe.
Ele já não se recorda. Quem de fato o amou?

Procura o seu igual no voto dos olhares.
O espaço que percorre é a minha fidelidade.
Ele desenha a esperança e ligeiro despede-a.
Ele é preponderante sem tomar parte em nada.

Vivo no seu abismo como um feliz destroço.
Sem que ele saiba, a minha solidão é o seu tesouro.
No grande meridiano onde inscreve o seu curso,
é a minha liberdade que o escava.

Nas ruas da cidade caminha o meu amor.
Pouco importa aonde vai no tempo dividido.
Já não é o meu amor, todos podem falar-lhe.
Ele já não se recorda.
Quem de fato o amou e de longe o ilumina para que não caia?

René Char (1907-1988)
Olha para o mar. A água tanta. Já escureceu. Não tem como chorar nos olhos. Mas tem aquela água inteira, deliciosa e bíblica, incrivelmente salgada à sua frente. [...] Deixa-se conduzir pelo movimento encapelado, pela agitação das águas escuras e pesadas. Não sorri, mas sente a tremedeira ceder aos pouquinhos, um tipo de alívio, prazer tímido crescendo, intensificando-se. Como o prazer de esquecer tudo para, quem sabe, poder lembrar tudo outra vez.
Bernardo Ajzenberg - Extraído de “Olhos Secos”.

26 de setembro de 2009

“O escritor original,
enquanto não está morto,
é sempre escandaloso”.

Simone du Beauvoir (1908-1986)

As almas dos poetas

Ruth Sanderson
Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.

Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!

Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas

E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma pra sentir
A dos poetas também!

Florbela Espanca (1894-1930)
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Modigliani - Paixão Pela Vida

Modigliani - Paixão Pela Vida
Um ótimo e intenso filme.
Nesse trecho, Picasso leva Modigliani para conhecer Renoir.
A vida é como um piquenique em uma tarde de domingo... Ela não dura muito tempo. Só olhar o sol, sentir o perfume das flores ou respirar o ar puro já é uma alegria. Mas se tudo o que fazemos é ficar discutindo onde pôr a toalha, quem vai sentar em que canto, quem vai ficar com o peito ou a coxa do frango..., que desperdício! Mais cedo ou mais tarde o tempo fecha, a tarde cai e o piquenique acaba. E tudo o que fizemos foi ficar discutindo e implicando uns com os outros. Pense em tudo que se perdeu.
Você pode estar se perguntando: se tudo é impermanente, se nada dura, como pode alguém viver feliz? É verdade que não podemos, de fato, agarrar ou nos segurar às coisas, mas podemos usar esse conhecimento para olhar a vida de modo diferente, como uma oportunidade muito breve e rara. Se trouxermos à nossa vida a maturidade de saber que tudo é impermanente, vamos ver que nossas experiências serão mais ricas, nossos relacionamentos mais sinceros, e teremos maior apreciação por tudo aquilo que já desfrutamos.
Também seremos mais pacientes. Vamos compreender que, por pior que as coisas possam parecer no momento, as circunstâncias infelizes não podem durar. Teremos a sensação de que seremos capazes de suportá-las até que passem. E com maior paciência seremos mais delicados com as pessoas a nossa volta. Não é tão difícil manifestar um gesto amoroso quando nos damos conta de que talvez nunca mais estaremos com a nossa tia-avó. Por que não deixá-la feliz? Por que não dispor de tempo para ouvir todas aquelas histórias antigas?
Chegar à compreensão da impermanência e ao desejo autêntico de fazer os outros felizes nesta breve oportunidade que temos juntos, constitui o começo da verdadeira prática espiritual. É esse tipo de sinceridade que efetivamente catalisa a transformação em nossa mente e em nosso ser. Não precisamos raspar a cabeça nem usar vestes especiais. Não precisamos sair de casa nem dormir em uma cama de pedras. A prática espiritual não requer condições austeras.... Apenas um bom coração e a maturidade de compreender a impermanência. Isso nos fará progredir.

Chagdud Tulku Rinpoche, em " Portões da Prática Budista".

24 de setembro de 2009

Nenhum homem,
a não ser um morto-vivo,
pode se sentir ancorado nesta vida.

René Char (1907-1988)
Queria ser acontecimento. Imaginava-me partitura. Era desajeitado. A caveira que, mau grado meu, substituía a maçã que amiúde levava aos lábios, só eu a via. Punha-me a um canto para mordê-la corretamente. Dado que não é possível andar a passear nem pretender fazer o amor com um fruto semelhante entre os dentes, decidi, quando tinha fome, dar-lhe o nome de maçã. E já não me incomodou mais. Só mais tarde me apareceu o objeto que me embaraçava em forma gotejante, mas sempre ambígua, de poesia.
René Char (1907-1988)
Tradução António Ramos Rosa
A edição de Carta Capital desta semana traz como reportagem de capa “A tragédia da privatização”, que mostra como o modelo de desmonte do setor elétrico durante o governo FHC fez o Brasil ter uma das tarifas de energia mais altas do mundo.
O texto, de Luiz Antonio Cintra, destaca o trabalho quase anônimo de uma CPI que atua há três meses longe dos holofotes da mídia. O início dos trabalhos teve como base um estudo, produzido por economistas do BNDES, que aponta as disparidades do modelo energético brasileiro.
“Somos líderes no ranking mundial, à frente de países com renda per capita muito superior à brasileira, como Japão e Alemanha. De 1995 a meados de 2008, data de publicação do estudo, a tarifa média teria subido nada menos que 398%. No mesmo período, os salários, corrigidos pelo IPCA, subiram bem menos, apenas 164%”, sustenta o texto da Carta Capital.
Na mesma edição, outra reportagem também aborda a privatização no setor energético. Sob o título “Gás asfixiante”, o texto de Sérgio Lírio demonstra como grandes indústrias paulistas vêem ganhos exorbitantes da Comgás, querem mudar os critérios de reajustes das tarifas e ameaçam ir à Justiça.
Os empresários acham um exagero uma concessionária monopolista de serviços públicos – privatizada pelo governador Mário Covas, em 1999 – ter uma rentabilidade sobre o patrimônio de 45% (não é bem um exagero, é uma obscenidade – opinião do Conversa Afiada).
É uma briga entre a FIESP e empresários da Associação Brasileira da Indústria de Vidro – Abividro. Os industriais e a Abividro acreditam que a Comgás embolsou R$ 1 bilhãos que deveria na verdade ter ficado com os consumidores.
No centro do problema está um parecer do economista Gesner Oliveira – fiel escudeiro de José Serra e hoje presidente da empresa de publicidade do governo, a Sabesp. E, a certa altura, como consultor, deu um parecer favorável a quem? Aos ingleses donos da Comgás, em prejuízo do consumidor brasileiro. Uma questão de estilo.

23 de setembro de 2009

Caneta

Ernest Meissonier
Caneta querida,
vivamos em paz!
Não zombes de mim,
de mim não te alheies.

O meu caminho está em tuas mãos.
Escreve cânticos emocionantes,
em palavras leais e agradáveis,
como o amor, como as flores.

Que as palavras penetrem os corações,
não sejam obscuras,
não sejam languentes
e atravessem os séculos.

Escrever é difícil, difícil é escrever
cantigas que comovam;
escrever sem comover,
ah! não desejes nunca!

Gegham Sarian (1902-1976)
Tradução: Yessai Kerouzian
O homem que não traz música dentro de si,
Ou que não se comove ao ouvir seus doces sons,
Foi trabalho para as traições, enganos e roubos;
Os movimentos de sua mente são pesados como a noite
E suas afeições escuras como o Érebo.
Que não se confie em tal homem.

William Shakespeare (1564-1616)