27 de setembro de 2008

Vicente do Rego Monteiro

Vicente do Rego Monteiro (1899-1970).
Pintor brasileiro nascido e falecido na cidade do Recife (PE). Era descendente, por parte de mãe, de Pedro Américo. Entre 1911 e 1914, estudou em Paris na Académie Julien - também freqüentada por Tarsila do Amaral.
Participou da Semana de Arte Moderna com uma coleção de dez quadros (entre estes três retratos - um deles de seu efetivo inspirador, o poeta Ronald de Carvalho). Em 1923 vai a França, integrou-se de tal maneira à vida cultural parisiense que, já na década de 20, era um dos pintores estrangeiros mais conceituados no exterior, com assídua participação em mostras individuais e coletivas.
Em 1957, fixou-se de vez no Brasil, onde passou a lecionar na Escola de Belas-Artes do Recife (Universidade Federal de Pernambuco).
Além de pintor e poeta, Vicente do Rego Monteiro era também um bom dançarino, tendo vencido vários concursos de dança de salão em Paris.
A história que inspirou a tela
Certa vez, Zeus ia a caminho da cidade de Tróia e encontrou Leda, a jovem esposa de Tíndaro, herdeiro do reino de Esparta, deitada seminua na relva e parou para contemplá-la de longe. Temendo assustá-la com sua figura gloriosa e resplandecente, Zeus transforma-se em um cisne imenso e de bela plumagem para poder cortejar a princesa.
Ao ver o belo cisne se aproximando, Leda senta-se e começa a observá-lo. Diante dos olhos da princesa, o cisne começa a mover suas asas com grande excitação, movimenta seu corpo em uma dança de vai e vem que mostra seu desejo e soa sua voz delicada, emitindo sinais de atração e paixão. Leda ficou fascinada e o cisne aproximou-se mais e começou a tocá-la e acariciá-la com suas plumas e seu longo pescoço.
Excitada, Leda deitou-se novamente na relva, aguardou que o cisne se deitasse sobre ela e então se amaram.
Meses depois a princesa sente fortes dores e percebe que de seu ventre haviam saído dois ovos: do primeiro, nascem Castor e Helena, do segundo, Pólux e Clitemnestra.
Os filhos de Leda e Zeus, Castor e Pólux, tornam-se grandes guerreiros e amigos inseparáveis. Porém Castor (que herdou a mortalidade humana) perde a vida em uma batalha e Pólux (que herdou a imortalidade divina) suplica a Zeus que devolva a vida ao irmão. Comovido com esta demonstração de amor fraterno, Zeus propõe a Pólux dividir sua imortalidade, alternando com o irmão um dia de vida e um dia de morte.
Assim os irmãos passaram a viver e a morrer alternadamente e Zeus os homenageia com a constelação de Gêmeos, na qual não poderiam ser separados nem com a morte.
O primeiro a pintar uma tela (abaixo) sobre este tema foi o italiano Antonio Allegri Corregio (1490-1534)O Mito de Leda e o Cisne sobrevive e suas expressões nas artes podem ser encontradas desde as esculturas na Grécia antiga até na pintura contemporânea.
Leda e o Cisne
Súbito golpe: as grandes asas a bater
Sobre a virgem que oscila, a coxa acariciada
Por negros pés, a nuca, um bico a vem reter;
O peito inane sobre o peito, ei-la apresada.
Dedos incertos de terror, como empurrar
Das coxas bambas o emplumado resplendor?
Pode o corpo, sob esse impulso de brancor,
O coração estranho não sentir pulsar?
Um tremor nos quadris engendra incontinenti
A muralha destruída, o teto, a torre a arder
E Agamêmnon, o morto.
Capturada assim,
E pelo bruto sangue do ar sujeita, enfim
Ela assumiu-lhe a ciência junto com o poder,
Antes que a abandonasse o bico indiferente?

Poema de William Butler Yeats, (1865 -1939) poeta irlandês.
Prêmio Nobel da Literatura de 1923.
Tradução: Péricles Eugénio da Silva Ramos

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