26 de setembro de 2008

Mawlānā Jalāl-ad-Dīn Muhammad Rūmī, conhecido apenas como Rumi nasceu em 30 de setembro de 1207 e morreu em 17 de Dezembro de 1273, em Balkh (no hoje Afeganistão). Foi um poeta, jurista e teólogo muçulmano do século XIII. Seu nome significa literalmente "Majestade da Religião".
Ele viveu a maior parte de sua vida sob o Sultanato onde produziu a maior parte de seus trabalhos. Foi enterrado na Turquia e seu túmulo tornou-se um lugar de peregrinação. Após sua morte, seus seguidores e seu filho fundaram a Ordem Sufi, também conhecida como ordem dos Dervishes girantes, famosos por sua dança conhecida como cerimônia sema. Considerado o criador do sufismo, a vertente mais mística do islamismo. Acreditava que o exercício do amor era essencial para o amadurecimento e aperfeiçoamento dos seres humanos. Pregava a tolerância, a bondade, a paciência, a calma e a compaixão incondicionais.
Para entender Rumi ao invés de ir buscar algum poema dele eu prefiro pegar algo bem contemporâneo – a letra de Pedaço de Mim, de Chico Buarque. O sentimento mais essencial de Rumi é o mesmo desta música tão triste.

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu.
O tema central de Rumi é a saudade, a dor da separação, que ele expressa de várias formas uma das mais belas é quando diz que o canto da flauta é triste pela saudade que sente do junco do qual foi cortada. Também expressa esta saudade na ausência de seu mestre Shams al-Tabrizi ou mencionando a história do Corão da paixão escandalosa de Zuleika, esposa de Potifar, por José.
Esta saudade, este sentimento de insaciedade, estas buscas todas, diz Rumi, são na verdade uma transferência, uma expressão de um sentimento que não somos capazes de alcançar de imediato: a dor da alma por estar separada do Uno. Para ele somos como a flauta que lembra e sofre por não estar mais ligada ao junco e por isto canta.
Esta sensação está expressa em diversas metáforas, a embriaguez, o amor, a identidade com o outro, as saudades do Bem-Amado, a dor da perda. Mas não são só metáforas, mas símbolos mais expressivos porque também estes tantos estados não só expressam o que no fundo é esta sensação de separação da Unidade como também podem ser portas através das quais se pode chegar a desvelar o Amor Divino, do qual todos os demais amores são emanações.
Rumi consegue desvelar aquele amor profundo, aquele amor que não é reflexo nem emanação, o Amor Divino, único que é capaz de reparar esta sensação de ter um pedaço de si separado do todo. Mas aqueles que estão entre os pobres mortais e não sentiram o amor não conseguirão despertar para aquele Amor mais profundo, aquele Amor que permite transcender a identidade.

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