6 de março de 2008

Sabina Spielrein (1885-1942)

Foi uma das primeiras mulheres psicanalistas do mundo. Russa, de uma família de mercadores judeus, foi assassinada em 1942 por soldados nazistas na mesma cidade onde nasceu. Casou-se com Pavel Scheftel, um médico russo de ascendência judia. Os dois tiveram duas filhas: Renata (1912) e Eva (1924). Ambas morreram junto com a sua mãe em 1942. Scheftel foi morto no Grande Terror (política repressiva orquestrada por Josef Stalin), em 1936.
Entre 1904 e 1905, Spielrein esteve internada no hospital Burghölzli em Zurique, onde trabalhava Carl Gustav Jung. Entre 1904 e 1911, estabeleceu forte relação afetiva com C. G. Jung. Posteriormente, após Spielrein sair do hospital e começar a estudar medicina, teve Jung como seu mentor de dissertação. Até mesmo o próprio trabalho de Jung adquiriu influência de Spielrein.
Graduou-se em 1911, defendendo uma dissertação sobre um caso de esquizofrenia. No mesmo ano, foi aceita como membro da Sociedade de Psicanálise de Viena.
Em 1923, Spielrein retornou para a União Soviética e, junto com Vera Schmidt, criou um jardim de infância em Moscou, sendo todas as paredes e as mobílias de cor branca, o que deu o apelido ao lugar de Enfermaria Branca. A instituição tinha como principal finalidade o rápido amadurecimento crítico e analítico das crianças. A Enfermaria Branca foi fechada três anos depois por autoridades soviéticas sob a justificativa de que o local provia práticas de perversões sexuais para as crianças. Um fato interessante foi que o próprio Stalin matriculou seu filho Vassili neste lugar, mas com um nome falso.
Um documentário chamado Ich hieß Sabina Spielrein (Meu nome era Sabina Spielrein) foi feito em 2002 pela diretora sueca Elisabeth Marton, sendo lançado nos Estados Unidos no final de 2005. Também foi produzido um filme pelo cineasta Roberto Faenza, o Prendimi l’anima, ou Jornada da Alma no Brasil, com Emilia Fox como Spielrein e Iain Glen como Carl Gustav Jung.

Um método muito perigoso: Jung, Freud e Sabina Spielrein
A história ignorada dos primeiros anos de psicanálise.

“Kerr produziu um livro soberbo. De ritmo rápido e envolvente, Um método muito perigoso apresenta Carl Jung como a figura central no surgimento da psicanálise como movimento internacional. Kerr nos oferece uma reavaliação sensível de um triunvirato problemático – Jung, Freud e Sabina Spielrein. Neste processo, ele demonstra convincentemente que as ideias psicanalíticas de Jung, que viriam a precipitar seu rompimento com Freud, estavam intimamente ligadas as de sua ex-paciente e amante. E Sabina Spielrein emerge das sombras da história para se tornar uma figura central nesse cativante drama psicanalítico. Trata-se de importante contribuição para o entendimento histórico da psicanálise.”
Fascinante e informativo além da expectativa, constitui um tesouro de novas informações sobre os primórdios da psicanálise, integradas e comentadas com maestria. Mas isto é só o começo: o empolgante livro de Kerr cria um gênero próprio. Ele conta história íntima do nascimento do significado original de algumas das ideias que mais influenciaram o século XX, ao mesmo tempo em que perscruta a curiosa batalha entre dois homens de importância quase mítica para nós e uma obscura jovem que, com sua assistência intelectual e paixão impulsionadora (e domínio intelectual dessa paixão), se envolveu com os dois e desempenhou um papel surpreendente na busca de ambos pela imortalidade científica.
Na reconstituição detalhada que o autor faz daqueles primeiros tempos, os analistas encontrarão muitos novos tons e matizes para seus conceitos conhecidos, os amantes de biografias encontrarão personagens cujas inclinações nunca teriam imaginado, e historiadores eruditos – na verdade, qualquer pessoa de bom senso – descobrirá algo que não haviam percebido sobre a vida da mente.
A fecunda e tumultuada amizade entre Freud e Jung, nas palavras de Paul Roazen, é um dos marcos da história do pensamento e da cultura ocidental.
O rompimento dessa amizade entre os dois maiores psicanalistas do século XX impediu a continuação de uma parceria que poderia ter contribuído para um desenvolvimento ainda maior da ciência da psique e para o alargamento dos horizontes de conhecimento da interioridade do homem.
Muito já se disse e se escreveu sobre o assunto. Mas não há conclusão que se imponha de modo a silenciar a polêmica que se arrasta e prossegue entre os discípulos menos avisados de cada um dos mestres.
De qualquer sorte, talvez seja necessário àqueles que se propõem seguir as orientações teóricas de Freud ou de Jung, mergulhar na história dessa turbulenta amizade e extrair as suas próprias conclusões. É possível que esse mergulho termine por ser um encontro pessoal de cada um com a sua própria verdade. Um confronto rico e saudável com o seu inconsciente. Então, quem sabe, talvez tenhamos aprendido a lição maior desses mestres segundo a qual pessoa alguma pode acompanhar ou orientar uma jornada que ela mesma não a tenha feito.
O confrontar-se com o inconsciente e o defrontar-se com a própria sombra parece ser o exemplo maior de coragem pessoal e honestidade intelectual que Freud e Jung legaram às gerações de estudiosos da alma humana que os sucederam.
E, parafraseando o bardo inglês, o resto é silêncio!

Senhora, senhora, me diga novamente
O que pode crescer, crescer sem a chuva?
O que pode incendiar durante muitos anos?
Quem pode ansiar e chorar, sem lágrimas?

Tolo rapaz, por que ainda pergunta?
É a pedra que cresce, que cresce sem chuva.
É o amor que pode incendiar por anos.
É o coração que pode chorar sem lágrimas.

Tradução de versos da música "Tumbalalaika",
tema de Sabina Spielrein no filme “Jornada da Alma”
Ouça a Música

2 comentários:

Anônimo disse...

MARAVILHOSA ESCOLHA DO TEMA!!!

PARA QUEM ASSISTIU O FILME, SABE DO SENTIMENTO PROFUNDO E DOS CAMINHOS DA ALMA.!!!

APROVEITO PARA INDICAR um video sobre o filme , com a musica:TUMBALALIKA.

http://br.youtube.com/watch?v=DaSabC5r1_Q

clic acima para assistir.
leda.
ledastrol@yahoo.com.br

Waldir disse...

Admirei muito à quem foi Sabina Spilrein e a seu feito e ter se tornado uma das primeiras mulheres a serem aceitas na Sociedade de Psicanálise de Viena.
Assistí ao filme. Mostra o profundo sentimento de amor por uma paciente e seu psicanalista e nos faz sentir verdadeiros laços do significado do amor acima de qualquer circunstância. Adorei e sempre assisto. Amei a música.