8 de março de 2008

Padre Antônio Vieira e a escravidão negra no Brasil

Reveja seus conceitos
Comemora-se neste ano o 4° centenário do nascimento do padre Antônio Vieira. Perspicaz conselheiro régio, brilhante escritor, orador sacro e visionário, Vieira era também um homem realista sobre as coisas deste baixo mundo. Grande patriota português (curioso que haja gente insistindo em considerá-lo “brasileiro”, coisa que não existia na época), Vieira propôs a venda de Pernambuco e Angola aos holandeses nos anos 1640, para fazer as pazes com a Holanda e concentrar o esforço militar português na guerra fronteiriça contra a Espanha. Entre outras coisas, Vieira foi também um constante defensor do tráfico negreiro para o Brasil. Aliás, ele é o autor da mais audaciosa justificação do tráfico negreiro do período colonial.
O Padre Antônio Vieira nasceu em Portugal em 1608. É considerado um dos homens mais extraordinários do século XVII, por sua atuação política e religiosa no Brasil e em Portugal, e por sua influência na vida cultural e literária. Vieira veio ao Brasil aos sete anos de idade, e em 1623 entrou para a Companhia de Jesus. Depois de ordenado, trabalhou em vários lugares no Brasil, mas sua atuação mais conhecida desta época se deve a seu trabalho com os escravos e índios do Amazonas, os quais ele defendeu contra os colonizadores portugueses. Sua ardente oposição ao comércio de índios culminou com sua expulsão (e a dos demais Jesuítas) do Amazonas. Com a mudança política em Portugal depois da Restauração em 1640, Vieira foi para a corte, onde se tornou confessor do rei D. João IV, que o enviou como seu representante a Roma e a Amsterdã. Mais tarde, ele também foi confessor da rainha Christina da Suécia. Vieira fez a longa e difícil jornada marítima entre Portugal e o Brasil várias vezes, e se tornou, ainda em vida, uma figura célebre.
Entretanto, apesar de sua proximidade aos poderosos de seu tempo, Vieira não conseguiu escapar de perseguições. Suas declarações e seus sermões em defesa dos “Cristãos Novos” — Judeus forçados a se converterem ao cristianismo — que formavam grande parte da classe mercantil de Portugal, e suas críticas aos excessos da Inquisição, terminaram por angariar a fúria da própria Inquisição. Vieira foi preso, julgado e condenado, ficando na prisão em Portugal por cinco anos. Mais tarde, quando voltou ao Brasil, Vieira preparou seus sermões para publicação e se recolheu à Quinta do Tanque, na Bahia, onde morreu em 1697.
Vieira pregou entre os índios, entre os colonos em vários lugares do Brasil, entre os escravos e seus senhores, e entre os nobres da corte de Portugal.
O “Sermão Décimo Quarto", pregado na Bahia, à Irmandade dos pretos de um engenho no dia de São João Evangelista, no ano de 1633. Nele o Padre Antonio Vieira diz que ser cristão exige certos sacrifícios. “... deviam lembrar-se sempre que a própria mãe de Jesus Cristo os havia escolhido especialmente por filhos, e que isso que “pode parecer desterro, cativeiro, e desgraça... Não é senão milagre, e grande milagre”. E prossegue “Como imitadores do crucificado no Calvário, aos negros só lhes resta o papel de crucificados, torturados, vítimas inocentes, e silenciosas. Aliás, o papel de crucificados não lhes deveria ser pesado, nem difícil, nem doloroso, mas deveriam ser felizes e agradecidos aos donos que lhes propiciavam tal ventura e possibilidade de alcançar a vida eterna”.
É impossível, a esta altura do começo do século XXI, saber se os escravos do específico engenho no qual o sermão foi proferido estavam a par da rede de povoados que abrigavam escravos fugidos. Mesmo que notícias sobre os quilombos fossem de conhecimento corrente e publicadas em jornais, os escravos de fazendas não sabiam ler.
Convém lembrar que neste ponto a indústria açucareira estava se estabelecendo como a força motriz do Brasil, e que o tráfico de escravos era sentido como uma necessidade vital para a continuação do progresso da colônia.

Um comentário:

Anônimo disse...

Bom estou fazendo uma pesquisa da escola e estou atras de poemas vou ver se a alguma coisa para que sirva para levar para escola por que era canções e poemas bom se eu conseguir ficarei muito agradecida obrigada.