3 de março de 2008

Guillermo Enrique Torres - "Julian Conrado" (1954 - 2008)

Morreu em combate no dia 1º de março entre as forças colombianas e os guerrilheiros das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) o compositor e músico Guillermo Henrique Torres, conhecido como Julian Conrado, desde que se juntou às FARC em 1983. Ele compôs e gravou com outros guerrilheiros mais de uma centena de canções sobre a luta e a realidade social na Colômbia. Entre 1998 e 2002, durante o diálogo entre as FARC e o Governo de Andrés Pastrana, ele foi o responsável para as reivindicações em temas culturais, mas as negociações falharam. Foi neste período que ele compôs a música "Arando la paz", que está no You Tube, mostrando uma passagem rápida pelas últimas décadas da história colombiana para justificar as razões que levaram as FARC à luta armada em 1964.
Nos Estados Unidos "Julian Conrado" era procurado por envolvimento, através das FARC, em narcotráfico:http://www.state.gov/p/inl/narc/rewards/63851.htm.
Depois do referido combate em solo equatoriano no fim de semana passado a situação na região é tensa: movimentos de tropas equatorianas e venezolanas para as fronteiras com a Colômbia, acusações do governo colombiano aos governos vizinhos de manter contactos com as FARC.
Presidente Álvaro Uribe de Colômbia é pró-americano, ao contrário dos seus vizinhos. Hugo Chavez chamou "Satanás" ao George W. Bush, o presidente do Equador Rafael Correa, um católico de esquerda, considerou esta comparação "uma injustiça perante o Diabo". Agora o Equador já manda refinar o seu petróleo na Venezuela (era antes nos Estados Unidos).
Entretanto as FARC afastaram-se muito dos seus objetivos originais: a luta a favor do povo colombiano e contra os interesses das empresas multinacionais. Não há justificação possível para seqüestros, torturas e (possível?, provável?) narcotráfico. Parece-me que o movimento está num beco sem saída. Na Holanda é notícia o diário de uma estudante holandesa que em 2002 aderiu voluntariamente às FARC, mas agora quer sair, pois "já nada disto faz sentido".
Do outro lado também acho super-hipócrita a atitude dos norte-americanos, alegadamente só preocupados com o narcotráfico, sem falar sobre os seus interesses no petróleo, mas isto já é hábito.

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