24 de fevereiro de 2017

Naquele Tempo

Jacques-Louis David Mlle
Bom, não havia problema.
Todas as democracias
(todas as democracias)

estavam conosco.
Por isso tínhamos de matar umas pessoas.
E então?
Os das esquerdas às vezes são mortos.

Era o que costumávamos dizer
Lá naquele tempo:

A tua filha é das esquerdas

Vou meter-lhe este aríete
Por ali acima acima, acima
Mesmo por dentro e até lá acima
Mesmo por dentro do seu imundo corpo das esquerdas.

E isso parou os das esquerdas.

Pode ter sido naquele tempo
Mas digo-te que esse é que foi um bom tempo.

De qualquer forma todas as democracias
(todas as democracias)
Estavam conosco.

Diziam: só não
(só não)
Digam a ninguém que estamos convosco.

Só isso.
Só não digam a ninguém
(só não)
só não digam a ninguém
Que estamos convosco.

Matem-nos só.

Bem, a minha mulher queria paz.
E os meus filhos pequenos também.
Por isso matámos todos os das esquerdas.
Para darmos paz aos nossos filhos pequenos.

De qualquer forma não havia problema.
De qualquer forma estão todos mortos de qualquer forma.

Harold Pinter (1930-2008)
Tradução: Miguel Castro Caldas

23 de fevereiro de 2017

Tarde na montanha

Gyokudo Kawai
Choveu há pouco
na montanha deserta.
De frescor a brisa da tarde
enche o outono...
Nos galhos dos pinheiros,
pinhas de raios de lua.
Uma fonte pura acaricia
os rochedos.
Quase a tocar nas flores de lótus,
as barcas dos pescadores.
Risos entre os bambus:
são as lavadeiras que voltam.
Por tudo quanto é lado,
ainda a beleza da primavera...
Por que também você
não fica mais um pouco?

Wang Wei (699–759)
Tradução: Sérgio Capparelli e Sun Yuqi
燕科燕科燕科燕科

Oração

Koson Ohara
Habita-me, penetra-me.
Seja teu sangue um só com meu sangue.
Tua boca entre em minha boca.
Teu coração aumente o meu até explodir.
Desgarra-me.
Caias inteira em minhas entranhas.
Andem tuas mãos em minhas mãos.
Teus pés caminhem em meus pés, teus pés.
Queima-me, arde-me.
Cubra-me com tua doçura.
Banha-me tua saliva o paladar.
Estejas em mim como está a madeira no palito.
Que já não posso mais assim, com esta sede
queimando-me.

Com esta sede queimando-me.

A solidão, seus corvos, seus cães, seus pedaços.

Juan Gelman (1930-2014)
Tradução: Eric Nepomuceno

22 de fevereiro de 2017

E se eu disser que não vou esperar

Martin Weblus
E se eu disser que não vou esperar!
Se eu rebentar Portões carnais —
E conseguir chegar — a ti!

Se eu me livrar de ser Mortal —
Onde doer — Dizer não mais —
E em Liberdade mergulhar!

Já não me podem mais — prender!
Masmorras — Armas implorar
Nada me dizem — já — a mim —

Tal como o riso — há — uma hora —
Os Laços — Festas — o que fora —
Ou mesmo quem ontem — morreu!

Emily Dickinson (1830-1886)
Tradução: Ana Luísa Amaral

Se entrando no retrato a sobrancelha...

Jean-Léon Gérôme
Se entrando no retrato a sobrancelha
destoa da harmonia de um passado
e o brinco pendente de uma orelha
dorme tranquilo em estojo acolchoado,

se a cadeira ali nova agora é velha
e a névoa do peitilho foi bordado
nesse tempo que em pouco se assemelha
ao tempo que hoje em dia nos é dado,

não quer dizer que a vida tenha sido
inútil e perversa ou desfocada
do retrato só visto e nunca lido

por quem da vida saiba a senha errada.
Terei apenas eu sobrevivido
para ler tal silêncio em voz calada.

Maria Alberta Menéres

21 de fevereiro de 2017

As Janelas

Charles Camoin
As janelas dão sempre para estarmos
a ver por elas o que não se vê
– o ponto onde o fenómeno é epifania de ato,
a palpitar por trás no tempo só de ser.

E deitam a crescer de forma tal que quando
veem melhor, crescer
é, sobretudo, emudecer seu quadro
no pulso imperceptível que toda a ausência tem.

Fernando Echevarría

20 de fevereiro de 2017

Contra ela mesma

Cesare Dandini
Pois assim Jaime ao céu tentaste dar, ó Besta
Que te escondes naqueles sete montes?
Se melhores dons não pode o nume* teu dar-nos,
Guarda, peço-te, teus presentes pérfidos.
Decerto ele foi, já velho, sem teu apoio,
Aos astros, e sem tua infernal pólvora.
E manda ao céu, pois é melhor, teus sujos monges
Mais de Roma profana os brutos deuses.
Se não os ajudares com esta arte ou com outra, é
Difícil, crê-me, ao céu terem boa viagem.

John Milton 1608-1674
Tradução: Erick Ramalho

Nume*: ser ou potência divina; divindade.

19 de fevereiro de 2017

Pretexto

Rob Gonsalves
Por que não cai a noite, de uma vez?
— Custa viver assim aos encontrões!
Já sei de cor os passos que me cercam,
o silêncio que pede pelas ruas,
e o desenho de todos os portões.

Por que não cai a noite, de uma vez?
— Irritam-me estas horas penduradas
como frutos maduros que não tombam.

(E dentro em mim, ninguém vem desfazer
o novelo das tardes enroladas.)

Maria Alberta Menéres

18 de fevereiro de 2017

Tristeza

Lord Frederick Leighton
O sol do outono, as folhas a cair,
A minha voz baixinho soluçando,
Os meus olhos, em lagrimas, beijando
A terra, e o meu espirito a sorrir...

Eis como a minha vida vai passando
Em frente ao seu Fantasma... E fico a ouvir
Silêncios da minha alma e o ressurgir
De mortos que me foram sepultando...

E fico mudo, extático, parado
E quase sem sentidos, mergulhando
Na minha viva e funda intimidade...

Só a longínqua estrela em mim atua...
Sou rocha harmoniosa á luz da lua,
Petrificada esfinge de saudade...

Teixeira de Pascoais (1877-1952)

O Melhor Verso

Vincent van Gogh
Sempre o verso melhor é o que não foi escrito...
Flor do sonho que envia à nossa alma os perfumes,
Sorriso de um fantasma e luar de um infinito,
Voz de planície ouvida em nebulosos cumes...

O intraduzível céu é todo astral poesia...
Exílio misterioso, Éden, jardim sagrado,
Onde o pecado da arte há jamais penetrado,
Mas que poderás ver, amando-me algum dia!

Quando o amor nos prender com seus grilhões benditos,
Numa noite, em silencio e abismadora calma,
Vem divina! inclinar tua alma sobre minha alma
Para leres aí meus versos não escritos.

Edmond Haraucourt (1856-1941)
Tradução: Álvaro Reis

17 de fevereiro de 2017

Músicas que são diamantes para os ouvidos

Lord Frederick Leighton - Music Lesson
O Mundo é um Moinho
Composição: Cartola

Brasil Pandeiro
Composição: Assis Valente

Luar do Sertão
Composição: Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco

Tristeza do Jeca
Composição: Angelino Oliveira

Clube da Esquina nº 2
Composição: Milton Nascimento, Lô Borges e Márcio Borges

Construção
Composição: Chico Buarque

Aquarela
Composição:Vinicius de Moraes, G. Morra e M. Fabrizio

Sangrando
Composição: Gonzaguinha

Roda viva
Composição: Chico Buarque

Asa Branca
Composição: Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga

Eu Sei Que Vou te Amar
Composição: Tom Jobim e Vinicius de Moraes

Águas de Março
Composição: Tom Jobim

Metamorfose Ambulante
Composição: Raul Seixas

Chega de Saudade
Composição: João Gilberto

Garota de Ipanema
Composição: Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes

Carinhoso
Composição: João de Barro e Pixinguinha

Ideologia
Composição: Cazuza e Roberto Frejat

Rosa de Hiroshima
Composição: Gerson Conrad e Vinicius de Moraes

16 de fevereiro de 2017

Poesia Japonesa

Katsushika Hokusa
Ávida a lua vendo
somos nós deus
mundo vida adeus

prima neve leve
uma palavra ela derrete
a mesma palavra se repete

sonhos-tempestade
crisântempo tatame
desabrochar que morde.

Chiyo-Ni (1703-1775)
Tradução: Walter Vetor

A si mesmo

Maximilian Liebenwein
Enfim repousas sempre
Meu lasso coração. Findo é o engano
Que perpétuo julguei. Findou. Bem sinto
Que em nós dos caros erros
Mais que a esperança, o próprio anelo é extinto.
Repousa sempre. Muito
Palpitaste. Nenhuma coisa vale
Teus impulsos, nem digna é de suspiros
A terra. Nojo e tédio
É a vida, nada mais, e lama é o mundo.
Repousa. E desespera
A última vez. À nossa espécie o fado
Não deu mais que o morrer. Enfim despreza
A natureza, o rudo
Poder que, oculto, o comum dano gera
E a vacuidade sem final de tudo.

Giacomo Leopardi (1798-1837)
Tradução: Alexei Bueno

15 de fevereiro de 2017

O Sol Acabava de Descer

Frederic Edwin Church
O sol acabava de descer para a noite,
Sobre as mansas colinas
Onde a erva se mistura ao pesado maciço das árvores.
E a terra era bela,
Mais bela e solitária
Como jamais a brisa a tinha visto,
A brisa terna,
Que torna a erva mais fresca ao cair do dia,
Que dá às vagas azuis mais vida e brilho,
E entreabre de repente as frágeis nuvens brancas,
Que parecem ser ao longe
Os fantasmas dos orvalhos celestes
Fugindo.
E tinham volteando durante a manhã inteira
Sobre as flores do azul, celeste alimento.
Agora se vão para os céus dos regressos,
Que primeiro conheceram seu glorioso esplendor.

Emily Brontë (1818-1848)
Tradução: Lúcio Cardoso

Ó mar, ó mar

Anton Melbye
O mar dissolve tanta coisa
e a lua leva embora tão mais
do que sabemos -
Assim que a lua baixa
e o mar se apossa de nós
as cidades se dissolvem como sal-gema
o açúcar funde fora da vida
o ferro some como velha mancha de sangue
o ouro se transmuda em sombra verde
o dinheiro sequer deixa um sedimento:
só o coração
cintila em seu triunfo salino
sobre tudo o que soube e agora foi-se
na salinidade do nada.

D. H. Lawrence (1885-1930)
Tradução: Leonardo Fróes

14 de fevereiro de 2017

Descobrimento da poesia

George Dunlop Leslie - Roses
Quero escrever sem pensar.
Que um verso consolador
Venha vindo impressentido
Como o princípio do amor.

Quero escrever sem saber,
sem saber o que dizer,
Quero escrever uma coisa
Que não se possa entender,

Mas que tenha um ar de graça,
De pureza, de inocência,
De doçura na desgraça,
De descanso na inconsciência.

Sinto que a arte já me cansa
E só me resta a esperança
De me esquecer do que sou
E tornar a ser criança.

Dante Milano (1899-1991)

As Ruas

Jean Béraud
No tempo ...
em que havia ruas,
ao fim da tarde
minha mãe nos convocava:
era a hora do regresso.
E a rua entrava
conosco em casa.
Tanto o Tempo
morava em nós
que dispensávamos futuro.
Recolhida em meu quarto,
a cidade adormecia
no mesmo embalo da nossa mãe.
À entrada da cama,
eu sacudia a areia dos sonhos
e despertava vidas além.
Entre casa e mundo
nenhuma porta cabia:
que fechadura encerra
os dois lados do infinito?

Mia Couto

13 de fevereiro de 2017

As três palavras mais estranhas

Sir Francis Dicksee
Quando pronuncio a palavra Futuro,
a primeira sílaba já se perde no passado.

Quando pronuncio a palavra
Silêncio, suprimo-o.

Quando pronuncio a palavra
Nada,
Crio algo que não cabe em nenhum não ser.
Wislawa Szymborska (1923-2012)
Tradução: Regina Przybycien

Ao princípe

Bartolomeo Cavarozzi
Se torna o sol, se o crepúsculo baixa,
se a noite tem gosto de noites futuras,
se uma tarde de chuva parece voltar
de tempos muito amados e jamais possuídos de todo,
eu não sou mais feliz, nem disso extraio prazer ou pena:
não sinto mais, diante de mim, toda a vida...
Para ser poeta é preciso ter tempo de sobra:
horas e horas de solidão são o único meio
de se formar algo, que é força, abandono,
vício, liberdade, de dar estilo ao caos.
Tempo hoje tenho pouco: por culpa da morte
que vem e avança, no ocaso da juventude.
Mas também por culpa de nosso mundo humano
que aos pobre tira o pão, aos poetas, a paz.

Pier Paolo Pasolini (1922-1975)
Tradução: Maurício Santana Dias

12 de fevereiro de 2017

A esfera do amor

Jean-Auguste Dominique Ingres
De novo com a sua esfera purpúrea
o Amor de dourados cabelos me atinge,
e com a rapariga de coloridas sandálias
me convida a brincar.
Mas ela (pois vem lá da bem fundada
Lesbos) os meus cabelos
já brancos censura com desdém,
e olha embasbacada para -- outra rapariga.

Anacreonte (563-478 a.C.)
Tradução: Frederico Lourenço

Traçado Urbanístico

William Turner
Tal como qualquer cidade
também nós escondemos
turvos itinerários, edifícios arruinados,
escuras vielas de rancor ou desejo,
arrabaldes de medo ou parques para o amor,
cantos em penumbra onde ocultar segredos,
praças que nunca visitamos
e aborrecidos museus onde expor lembranças
que não interessam a ninguém.
A nós
também nos habitam cidadãos terríveis:
funcionários do tédio,
mensageiros de moto levando para muito longe
o pequeno embrulho – primoroso e com laço –
dos remorsos.
Viajantes que passam por nós
com as suas malas a caminho de outros corpos
e sobretudo
transeuntes alheios a nossa própria vontade,
incivis e teimosos;
têm nomes ridículos
tal como os sentimentos amor, rancor ou medo
e especulam – como vulgares comerciantes –
com o preço
por metro quadrado do nosso coração.

Silvia Ugidos
Tradução: Joaquim Manuel Magalhães

11 de fevereiro de 2017

Início de outono

Siegfried Hass
Brilham os novos botões de crisântemo
Ao poente a névoa oculta as montanhas
No verde às árvores um vento frio
nas cordas ressoa uma canção límpida
Mulheres: a espera junto ao tear
Aos homens, a marcha além da Muralha
As aves no céu; aos peixes, o rio
Ficam as cartas a meio caminho.

Yu Xuanji (844-869)
Tradução: Ricardo Primo Portugal e Tan Xiao

De todos os vazios...

Monica Barengo
De todos os vazios entre os tempos,
de todas as distâncias entre as filas de soldados,
das brechas do tapume,
das portas que fechamos mal, das mãos que não juntamos bem,
do vazio entre os nossos corpos que não apertamos
um contra o outro —
nasce uma extensão vasta que se desdobra,
uma planície, um deserto,
por onde nossa alma irá sem esperança, depois da morte.

Yehuda Amichai (1924-2000)
Tradução: Cecília Meireles

10 de fevereiro de 2017

Crepúsculo

Cornelius Krieghoff
E eu tinha os olhos cheios,
mas tão cheios de luz,
que se fechasse as pálpebras
ela jorraria como pranto,
como pranto — abrindo-se
em flores orvalhadas.
A luz cavava sulcos
em meu cérebro, aligeirando-o
como à árvore o vento
que lhe atira os frutos
ao chão, e aí,
libertas, as folhas
frondejam nas alturas
com um novo frêmito.
A luz cavava sulcos
em meu cérebro e corria-me
pelas veias, lenta, calma.

Ángelos Sikelianós (1884-1951)
Tradução: José Paulo Paes
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Noite

Albert Bierstadt
As crianças que brincam no entardecer vernal
- um distante clamor -,
a brisa que palavras com os lábios das rosas
sussurra e permanece,

as janelas abertas que respiram a hora,
o meu quarto vazio
um trem que estará vindo de um país ignorado
os meus sonhos perdidos,

os sinos que se esvaem, e a noite que se estende
em cima da cidade,
no semblante dos homens, no espelho do céu,
e em toda a minha vida...

Kóstas Karyotákis (1896–1928)
Tradução: Théo de Borba Moosburger

9 de fevereiro de 2017

Derrota

Evelyn de Morgan
De fato conseguimos viver nas derrotas.
As amizades aprofundam-se
o amor esperto ergue a cabeça.
Até as coisas se tornam limpas.
As andorinhas brincam no ar
instaladas sobre o abismo.
As folhas dos álamos tremulam.
Apenas o vento prossegue imóvel.
As aparições escuras do inimigo projetam-se
contra a base brilhante da esperança.
A coragem cresce.
Eles, dizemos deles, nós, de nós,
tu, de mim. O chá amargo agrada
como uma profecia bíblica.
Tomara que a vitória não nos surpreenda.

Adam Zagajewski
Tradução: Aleksandar Jovanović

Superstição

Alberto da Veiga Guignard
As almas, como as flores, no lugar
Em que viveram deixam, longamente,
Sua íntima essência errando no ar,
Numa vaga fluidez reminiscente...

Vede essas velhas casas que, a passar
Pelos olhos do tempo indiferente,
Foram o sereníssimo ambiente
De uma longa história familiar!...
Há no seu gênio obscuro, misteriosas
Influências humanas, insensíveis
Contágios de alma que não percebemos,
Frias fatalidades traiçoeiras
Adormecidas no silêncio antigo...

Exalam do segredo das entranhas
Forças sutis e sugestões estranhas
Que nos descem ao fundo dos sentidos
E se vão infiltrando, lentamente,
Na alma dos visitantes distraídos...
Ao lhes transpormos as sombrias portas,
Nunca sabemos o que nos espera
Nesses tristes jardins de sombras mortas
Fantasmas de uma antiga primavera...

Dentro tudo morreu... mas, presa a um fio
Intangível,
Uma vida fantástica, invisível
Vive em essência no ar sonâmbulo e vazio...

As almas, como flores, no lugar
Em que viveram deixam, longamente,
A sua exalação errando no ar,
Numa vaga fluidez reminiscente...

Raul de Leoni (1895-1926)