1 de abril de 2015

Cântico 18

Hans-Werner Sahm
Quando os homens na terra sofrerem
Sofrimento do corpo,
Sofrimento da alma,
Tu não sofrerás.
Quando os olhos chorarem
E as mãos e quebrarem de angústia
E a voz se acabar no rogo e na ameaça.
Quando os homens viverem,
Tu não viverás.
Quando os homens morrerem na vida,
Quando os homens nascerem na morte,
Na vida e na morte nunca mais
Nunca mais tu não morrerás.

Cecília Meireles (1901-1964)

A Descoberta do Mundo

Jean Hippolyte Flandrin
“Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo”.
Clarice Lispector (1920-1977)

31 de março de 2015

Os Materiais

Eu quis a palavra reta
feito faca.

Eu fiz do verso o corte branco
do metal.

O lento sal dos anos
não lhe roube o fio.

O inimigo não possa
empunhá-lo durante a luta.

Se o carrasco, algum dia,
levar aos lábios meu poema,

o vidro claro do verso
lhe corte a boca.

E a palavra não se renda
à tortura.

E quando eu disser: pedra,
não se entenda pão.

Quando eu disser: noite,
se encontre nela todo poder de treva.

Quando eu disser: eis o inimigo,
mate-o antes do amanhecer.

Pedro Tierra

Ditadura

“Tive terra
Não tenho.

Tive casa
Não tenho.

Tive uma pátria
Venderam.

Tive filhos
Estão mortos ou dispersos.

Tive caminhos
Foram fechados.

tive mãos,
deceparam”.

Pedro Tierra

Os Primeiros Tempos

Zuzu com os filhos, Hildegard, Ana Cristina e Stuart
Não era mole aqueles dias
de percorrer de capuz
a distância da cela
à câmara de tortura
e nela ser capaz de dar urros
tão feios como nunca ouvi.

Havia dias que as piruetas no pau-de-arara
pareciam rídiculas e humilhantes
e nus, ainda éramos capazes de corar
ante as piadas sádicas dos carrascos.

Havia dias em que todas as perspectivas
eram prá lá de negras
e todas as expectativas
se resumiam à esperança algo cética
de não tomar porradas nem choques elétricos.

Havia outros momentos
em que as horas se consumiam
à espera do ferrolho da porta que conduzia
às mãos dos especialistas
em nossa agonia.
Houve ainda períodos
em que a única preocupação possível
era ter papel higiênico
comer alguma coisa com algum talher
saber o nome do carcereiro de dia
ficar na expectativa da primeira visita
o que valia como um aval da vida
um carimbo de sobrevivente
e um status de prisioneiro político.

Depois a situação foi melhorando
e foi possível até sofrer
ter angústia, ler
amar, ter ciúmes
e todas essas outras bobagens amenas
que aí fora reputamos
como experiências cruciais.

Alex Polari

30 de março de 2015

Epigrama número 1

Hans-Werner Sahm
Pousa sobre esses espetáculos infatigáveis
uma sonora ou silenciosa canção:
flor do espírito, desinteressada e efêmera,

Por ela, os homens te conhecerão:
por ela, os tempos versáteis saberão
que o mundo ficou mais belo, ainda que inutilmente,
quando por ele andou teu coração.
Cecília Meireles (1901-1964)

A linguagem originária é a linguagem da poesia.

Olaf Hajek
“Contudo, o poeta não é aquele que faz versos sobre o respectivo agora. A poesia não é um calmante para rapariguinhas delirantes, um estímulo para os estetas que pensam que a arte é para desfrutar e lamber. A verdadeira poesia é daquele ser que já há muito nos foi profetizado e que nós ainda não alcançámos. Por isso, a linguagem do poeta não é nunca atual, mas sempre sido e futuro. O poeta nunca é contemporâneo. Os poetas contemporâneos deixam-se, na verdade, classificar como tal, mas permanecem, apesar disso um contra-senso. A poesia, e com ela a linguagem em sentido próprio, acontecem só lá onde o vigorar do ser é trazido à intangibilidade superior da palavra originária”.
Martin Heidegger (1889-1976)
Tradução: Maria Adelaide Pacheco e Helga Hoock Quadrado

29 de março de 2015

A Dívida

Quentin Metsys
Viva no instantâneo lábio do punhal
na hora diariamente imóvel

As dívidas crescem já são ásperas
magoam a pele já são pus

O dia começa pela sombra
como um povo começa pelo pó
Luz e morte coincidem hora a hora

A dívida alastra abre as asas
leva-me sonhos débeis tudo a tenta

Atrás do meu gesto
a mão sozinha os dedos conspirando
assimétricos salientes do corpo até à morte

Já hoje os doava se pudesse
Com que arma porém os separar de mim?

A dívida mais cresce
enquanto eu penso.

Luiza Neto Jorge (1939-1989)

O Poema

Christina Nguyen
Esclarecendo que o poema
é um duelo agudíssimo
quero eu dizer um dedo
agudíssimo claro
apontado ao coração do homem

falo
com uma agulha de sangue
a coser-me todo o corpo
à garganta

e a essa terra imóvel
onde já a minha sombra
é um traço de alarme

Piso do poema
chão de areia

Digo na maneira
mais crua e mais
intensa

de medir o poema
pela medida inteira

o poema em milímetro
de madeira

ou apodrece o poema
ou se ateia

ou se despedaça
a mão ateia

ou cinco seis astros
se percorre

antes que o deserto
mate a fome.

Luiza Neto Jorge (1939-1989)

28 de março de 2015

Glória

John Maler Collier - Horácio e Lídia
A glória é como uma terrível catástrofe,
pior que a casa incendiada; enquanto
se abate a trave-mestra, o fragor
da destruição repercute-se cada vez mais depressa;
e tu contemplas tudo aquilo, inane
testemunha da danação.

Como uma bebedeira a glória devora
a casa da alma, revela que trabalhaste
para coisa pouca: para ela —
ah, queria que esse beijo traiçoeiro nunca tivesse
molhado a minha face: queria
fundir-me, só, para sempre, na obscuridade, na noite.

Malcolm Lowry (1909-1957)
Tradução: Herberto Helder

A Sociedade do Espetáculo

Descartes disse: “Penso, logo existo”.
Mas hoje muitas pessoas... Não penso, não existo, só assisto.
Philip Evergood
“A alienação do espectador em proveito do objeto contemplado (que é o resultado da sua própria atividade inconsciente) exprime-se assim: quanto mais ele contempla, menos vive; quanto mais aceita reconhece-se nas imagens dominantes da necessidade, menos compreende sua própria existência e seu próprio desejo”.
[...]
“A exterioridade do espetáculo em relação ao homem que age aparece nisto, os seus próprios gestos já não são seus, mas de outro que lhes apresenta”.
Guy Debord (1931-1994)

27 de março de 2015

Está o lascivo e doce passarinho

Andy Warhol
Está o lascivo e doce passarinho
com o biquinho as penas ordenando;
o verso, sem medida, alegre e brando,
espedindo no rústico raminho;

o cruel caçador (que do caminho
se vem calado e manso desviando)
na pronta vista a seta endireitando,
lhe dá no Estígio lago eterno ninho.

Destarte o coração, que livre andava,
(posto que já de longe destinado)
onde menos temia, foi ferido.

Porque o Frecheiro cego me esperava,
para que me tomasse descuidado,
em vossos claros olhos escondido.

Luís Vaz de Camões (1524-1580)

O Operário da Utopia

Monumento Tortura Nunca Mais de Demetrius Albuquerque
Não há cova funda
que sepulte
- a rasa covardia.
Não há túmulo que oculte
os frutos da rebeldia.

Cai um dia em desgraça
a mais torpe ditadura
quando os vivos saem à praça
e os mortos da sepultura.

Affonso Romano de Sant'Anna

26 de março de 2015

No mundo quis um tempo que se achasse

Paolo Uccello
No mundo quis um tempo que se achasse
o bem que por acerto ou sorte vinha;
e, por experimentar que dita tinha,
quis que a Fortuna em mim se experimentasse.

Mas por que meu destino me mostrasse
que nem ter esperanças me convinha,
nunca nesta tão longa vida minha
cousa me deixou ver que desejasse.

Mudando andei costume, terra e estado,
por ver se se mudava a sorte dura;
a vida pus nas mãos de um leve lenho.

Mas (segundo o que o Céu me tem mostrado)
já sei que deste meu buscar ventura,
achado tenho já, que não a tenho.

Luís Vaz de Camões (1524-1580)

Poesia Medieval

Iluminura de Codex Manesse
Companheiros, trataram-me tão mal
que não posso deixar de me queixar neste canto,
ainda que por nada deseje que saibam meus feitos.
Dir-vos-ei do que se trata:
não gosto de cona guardada, nem poça sem peixes,
nem jactâncias de homens malvados que não realizam seus feitos.
Senhor Deus, que é chefe e rei do mundo,
como não destronaste o primeiro guardador da cona?
¹
Nunca houve pior serviço ou guarda com seu senhor.
Mas dir-vos-eis da cona, qual é sua lei,
como alguém que mal lhe fez e maior recebeu:
se tudo diminui com o uso, com a cona aumenta.
E aquele que não crer em minhas razões,
que vá então vê-las perto do bosque, em um recanto:
para cada árvore que se poda, nascem duas ou três.
Quando o bosque é podado, renasce mais espesso,
e seu senhor não perde seus ganhos nem sustentos,
mas lamenta o corte, se tem dano.
Mau é lamentar o corte sem dano.

Guilherme da Aquitânia (1071-1127)
Tradução: Ricardo da Costa e Lorenzzo Cassaro

1. O poema é sobre a vagina feminina. Ela deve ser bem tratada e muito utilizada, pois é como o bosque podado: sempre cresce com renovado vigor!

25 de março de 2015

Correio

Raoul Dufy
Trago-te flores de hoje,
recém-colhidas,
embrulhadas em jornais
já amarelos.

Ei-las envolvidas por anúncios
de carro, acompanhante,
casa em bairro bem localizado
e pelas notícias ínfimas:
a queda do ministro,
o índice da inflação de abril
e um etc, igualmente medíocre.

Trago-te estas flores
embrulhadas em assuntos velhos
(quem se lembrará do ministro caído?)
para que não se esqueça
de amar-me com urgência.

Miguel Sanches Neto

Desmoronam promessas e misérias

James Jacques Joseph Tissot
Desmoronam promessas e misérias,
pedaços da palavra e da memória,
e o sol da força bruta da matéria
escorre para o ralo como escória.

Os ratos já devoram toda história,
e avançam contra os cacos do presente,
seus dentes decompondo em pó a glória
de um futuro podado na semente.

Do muito que sonhamos talvez sobre
o sopro de uma aurora que nos leva
além de nossa dor, mas não descobre

a flor que pulsa e arde em meio à treva.
Depois, virando cinza o que é graveto,
não sobrará nem mesmo este soneto.

Antônio Carlos Scchin

24 de março de 2015

Soneto à Lua

Marc Chagall
Vens chegando de longe, tão cansada,
Tão frágil e tão pálida vens vindo,
Que pareces, ó doce Lua amiga,
Vir impelida pelo vento leve.

Pelo vento gentil que está soprando
Tu pareces tangida, como um barco
Com as suas louras velas enfunadas,
E vens a navegar nos altos mares…

Atravessando campos e cidades,
Quantas artes e sortes não fizeste,
Ó triste Lua dos enamorados!

Quantas flores e virgens distraídas
Não seduziste para a estranha viagem
Por esse mar de amor, cheio de abismos!

Augusto Frederico Schmidt (1906-1965)

Aonde Tu Estás, Está a Felicidade

Ori-artiste
Os olhos que veem um inimigo
São muitos milhares,
Mas o olho que vê um amigo
É um dentre mil.
Mesmo uma prisão
Irradia felicidade
Se o amor por Ti
Enche o coração.
Abençoada é a escravidão
Que Teu serviço compele,
Teus servos são felizes
Em suas servidões.
Há duas Caabas
A Caaba construída na terra
E a Caaba do coração.
A primeira é aquela que os pés
Dos peregrinos frequentam;
A outra é o local secreto
Que os Buscadores da Verdade descobrem.
É a primeira
Que enche os olhos dos fiéis;
A outra, apenas o devoto encontra
Sob o olhar de Deus mesmo.
A peregrinação à Caaba terrestre
É uma questão de disciplina formal;
A descoberta da Caaba do coração,
Depende da graça de Deus.
Numa, os peregrinos bebem do poço do Zam-Zam;
A outra abre suas fontes
Ao manar dos suspiros.
A Caaba terrestre
É guardada pela montanha Irfat,
O templo do coração
É radiante com a luz de Deus.
Da Caaba terrestre
ídolos de pedra foram removidos;
Da Caaba do coração
A voracidade e o desejo são destronados.

Abdullah Ansari (1006–1088)

23 de março de 2015

Livro do Amor

Pompeo Girolamo Batoni
O mais singular livro dos livros
É o Livro do Amor;
Li-o com toda a atenção:
Poucas folhas de alegrias,
De dores cadernos inteiros.
Apartamento faz uma seção.
Reencontro! um breve capítulo,
Fragmentário. Volumes de mágoas
Alongados de comentários,
Infinitos, sem medida.
Ó Nisami! — mas no fim
Achaste o justo caminho;
O insolúvel, quem o resolve?
Os amantes que tornam a encontrar-se.

Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)
Tradução: Paulo Quintela

Gingko Biloba

A folha desta árvore que de Leste
Ao meu jardim se veio afeiçoar,
Dá-nos o gosto de um sentido oculto
Capaz de um sábio edificar.

Será um ser vivo apenas
Em si mesmo em dois partido?
Serão dois que se elegeram
E nós julgamos num unidos?

Para responder às perguntas
tenho o sentido real:
Não vês por meus cantos como
Sou uno e duplo, afinal?

Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)
Tradução: Paulo Quintela

22 de março de 2015

Espetáculo Trágico

Dante Gabriel Rossetti
“É uma verdade incrível como a existência da maior parte dos homens é insignificante e destituída de interesse, vista exteriormente, e como é surda e obscura sentida interiormente. Consta apenas de tormentos, aspirações impossíveis; é o andar cambaleante de um homem que sonha através das quatro épocas da vida, até à morte, com um cortejo de pensamentos triviais.
Os homens assemelham-se a relógios a que se dá corda e trabalham sem saber a razão. E sempre que um homem vem a este mundo, o relógio da vida humana recebe corda novamente, para repetir, mais uma vez, o velho e gasto estribilho da eterna caixa de música, frase por frase, com variações imperceptíveis”.
Arthur Schopenhauer (1788–1860)

Filosofia e Felicidade:

O que é ser feliz segundo os
grandes filósofos do passado e do presente
Jacques-Louis David - A Morte de Sócrates
Para Sócrates, sofrer uma injustiça era melhor que praticá-la e o homem feliz era essencialmente um justo. Por isso mesmo, ele recebe com tranquilidade a sentença do tribunal que o condenou à morte. No quadro, uma obra-prima de Jacques-Louis David, o filósofo recebe a taça com o veneno, enquanto consola seus discípulos. As reflexões de Sócrates sobre justiça e felicidade encontram-se especialmente no diálogo "Górgias", de Platão, seu mais célebre aluno.
Rafael Sanzio - Escola de Atenas
Tanto Platão quanto Aristóteles associavam a felicidade à virtude. Para o primeiro, todas as coisas têm sua função: a do olho é ver; a do ouvido, ouvir; a da alma, ser virtuosa. Já o segundo foi o filósofo que estabeleceu a Ética como uma reflexão sobre a felicidade, num livro escrito para seu filho Nicômaco. No quadro "A escola de Atenas", de Rafael Sanzio, os dois filósofos são vistos ao centro (e aqui também no detalhe), dialogando. Platão, o mais velho, aponta para o céu, o que simboliza seu idealismo. Aristóteles tem a mão voltada para a terra, o que representa seu realismo.
Velásquez - São Tomás de Aquino
Com o advento do Cristianismo, a ideia de felicidade associada à vida mundana saiu do horizonte dos filósofos, sendo substituída pela noção de bem-aventurança espiritual. O quadro de Velásquez ilustra um episódio da vida de São Tomás de Aquino - o maior expoente da filosofia cristã. Nele, o filósofo despreza a tentação da carne, representada pela mulher que sai pela porta, contando para isso com o apoio dos anjos. Não por acaso, Aquino recebeu o cognome de Doutor Angélico.
Nicolas Poussin - Dança à música do Tempo
O prazer, de um modo geral, é exaltado por Epicuro, que o considera essencial para a felicidade. Por isso, o filósofo é considerado o fundador do hedonismo, doutrina que põe o prazer em primeiro lugar. Mas na Carta a Meneceu, onde trata do tema, Epicuro deixa claro que não se refere "aos prazeres dos dissolutos e dos crápulas". O quadro de Nicolas Poussin ilustra uma cena de dança grega, celebrando os prazeres terrenos.
Emil Doerstling - kant
Na obra "Crítica da razão prática", filósofo alemão Immanuel Kant definiu a felicidade como a "condição do ser racional no mundo, para quem, ao longo da vida, tudo acontece de acordo com seu desejo e vontade". Porém, considerando que a felicidade se dá no âmbito da satisfação dos desejos, ele a excluiu da reflexão ética e, desde então, a filosofia se afastou do tema. Isso não quer dizer que o filósofo rejeitasse os prazeres da mesa e da boa companhia, como se vê no quadro.
John Trumbull's - Declaration of Independence
Já na Antiguidade os filósofos consideravam a felicidade um assunto relacionado à política. No entanto, foi a Constituição dos Estados Unidos, que data de 1787, que incluiu a busca da felicidade entre os direitos do homem, com base em reflexões filosóficas que se originam no pensamento de David Hume e nas ideias iluministas que inspiraram os responsáveis pela independência das colônias britânicas na América. O quadro de John Trumbull retrata os fundadores do Estado norte-americano.
Logicomix
Retratado aqui numa imagem da história em quadrinhos "Logicomix", sobre sua vida e obra, o filósofo inglês Bertrand Russell trouxe de volta a felicidade ao âmbito da reflexão filosófica. Em "A conquista da felicidade", ele põe em ação o método da investigação lógica para descobrir o que pode fazer alguém feliz. Em síntese, ele conclui que é preciso deixar de lado o egocentrismo e abrir-se para o maior número de interesses e de relações, tanto com as coisas quanto com outras pessoas.